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Estado de Minas CIDADE | ENCHENTES

Defesa Civil de BH alerta moradores para o período chuvoso

O órgão pede que a população não subestime áreas alagadas. A capital mineira possui cerca de 80 pontos de inundação


postado em 23/11/2016 13:59 / atualizado em 23/11/2016 16:32

Rua Joaquim Murtinho, esquina com avenida Prudente de Morais: um dos pontos críticos da região centro-sul(foto: Tulio Santos/EM/DA Press)
Rua Joaquim Murtinho, esquina com avenida Prudente de Morais: um dos pontos críticos da região centro-sul (foto: Tulio Santos/EM/DA Press)
Gilberto Rodrigues do Carmo é proprietário de uma banca de jornais e revistas na avenida Prudente de Morais, no bairro Cidade Jardim. Para ele e outros comerciantes, que também trabalham na via, chuva não representa refresco, mas dor de cabeça. "Todos os anos é a mesma coisa. Dependendo da intensidade, 30 minutos são suficientes para causar transtornos", diz Gilberto, que fica a um quarteirão da rua Joaquim Murtinho, ponto já conhecido pelas enchentes. O encontro das vias forma uma verdadeira lagoa durante os temporais. "Tivemos de colocar um portão antienchente", revela Antero Luiz Mello, proprietário de uma oficina que fica a poucos metros da esquina. "Já encontrei carros boiando no galpão", diz.

Cerca de 80 pontos de alagamento foram mapeados pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2013. Além da Prudente de Morais, a reportagem percorreu outros quatro endereços já conhecidos por formarem rios: avenidas Francisco Sá, no Prado; Bernardo Vasconcelos, no Cachoeirinha; Silviano Brandão, no Floresta; e avenida Vilarinho, em Venda Nova. E não é por acaso que isso acontece, já que a maioria dos pontos de inundação da cidade esconde cursos d’água. Além disso, Nilo Nascimento, do Departamento de Engenharia Hidráulica da UFMG, chama a atenção para a ausência de sistemas de microdrenagem. "É o caso de bairros como Prado e Nova Suíça, onde os corredores Silva Lobo e Francisco Sá acabam por escoar grande parte do volume de chuva", diz. O problema é que as galerias dessas avenidas não suportam tamanha quantidade de água. O diagnóstico não é diferente para outras partes da cidade.

Avenida Silviano com Rua Conselheiro Rocha, no bairro Floresta: placas identificam pontos críticos, mas não são suficientes para coibir acidentes  (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Avenida Silviano com Rua Conselheiro Rocha, no bairro Floresta: placas identificam pontos críticos, mas não são suficientes para coibir acidentes (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
No bairro Floresta, no encontro da avenida Silviano Brandão com as ruas Conselheiro Rocha e Felipe Camarão, imóveis tiveram de ser desocupados pelo alto risco de alagamento. A situação impede que novos comerciantes se instalem nas redondezas. O taxista Jackson Martins trabalha há pelo menos 25 anos na região. "Já cansei de ver gente passando aperto por aqui", afirma. No bairro Cachoeirinha, na região Nordeste, a situação não é diferente. "Já estamos acostumados a filmar inundações nesta avenida", diz a comerciante Renata de Melo Oliveira, que mora a um quarteirão da avenida Bernardo Vasconcelos. O local é por onde passa o córrego Cachoeirinha.

Algumas obras da prefeitura estão em andamento, mas a maior parte delas terá a segunda etapa prevista para o ano que vem. É o caso da Prudente de Morais, com a promessa de construção de novas galerias subterrâneas. Enquanto as obras não ficam prontas, o que resta é olhar para o céu e torcer para São Pedro ir com calma. De acordo com Heriberto dos Anjos Amaro, meteorologista da PUC Minas Tempo/Clima, as precipitações serão normais para o período e devem começar em novembro. Contudo, é nesta época, até janeiro, que ocorrem chuvas mais fortes. De toda forma, para o coordenador municipal da Defesa Civil, Alexandre Lucas, não são necessárias chuvas intensas para causar problemas. Ele recomenda: "Os moradores nunca devem tentar atravessar ou adentrar áreas alagadas ou enxurradas".

Os lugares com alto risco de serem inundados contam com placas de sinalização. Para o engenheiro hidráulico Nilo Nascimento, entretanto, só elas não bastam para evitar o pior. "As placas deixam ao julgamento de quem circula ou vive na área identificar se um evento é de risco ou não. No Arrudas, uma chuva intensa pode fazer com que as águas subam em menos de uma hora", diz. Portanto, todo cuidado é pouco. No fim de setembro, um homem foi levado pela enxurrada no bairro Tirol, região do Barreiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima não foi encontrada.

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