Brasil lidera ranking mundial de cirurgias plásticas faciais

Por ano, são quase 500 mil plásticas realizadas no país. Intervenções no nariz e nas pálpebras são as mais procuradas

por Carolina Daher 22/03/2017 14:40

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Victor Schwaner/Encontro
A advogada Ludmilla Stochiero usou gordura do próprio corpo para amenizar marcas de expressão: "Quando eu olho uma foto antiga, percebo quanta diferença fez no meu rosto esse pequeno procedimento" (foto: Victor Schwaner/Encontro)
As gordurinhas abdominais deixaram de ser odiadas por quem sonha em ter um corpo sequinho. Pelo contrário, tem gente querendo é tê-las bem por perto. É que hoje essa gordura tornou-se uma grande aliada da beleza. O enxerto de gordura autóloga (do próprio paciente) no rosto é uma das técnicas cirúrgicas que apresenta resultados mais surpreendentes quando o assunto é rejuvenescimento facial. "Além de preencher os sulcos, ela rejuvenesce a pele, pois com a gordura vão também células-tronco, que são uma fonte inesgotável de regeneração tecidual", explica a cirurgiã plástica Cíntia Mundin, que há mais de uma década realiza o procedimento em seus pacientes. Este foi o caso da advogada Ludmilla Stochiero, de 36 anos. Há pouco mais de dois anos, ela resolveu colocar prótese de silicone nos seios, que tinham ficado flácidos depois da gravidez. Aproveitou para também fazer uma abdominoplastia e uma lipoaspiração nas costas. Dali saiu a "santa gordurinha" que foi parar em seu rosto, mais precisamente no sulco nasogeniano, vulgarmente chamado de bigode chinês - marca que começa na asa do nariz e termina no canto da boca. "Quando eu olho uma foto de antes e depois, percebo quanta diferença fez no meu rosto esse pequeno procedimento", diz Ludmilla, que há dois meses, ao trocar a prótese, aproveitou para tirar mais um pouquinho de gordura das coxas para amenizar outras marcas de expressão do rosto. "As pessoas dizem que estou muito mais jovem", diz. "Fiquei com uma expressão mais leve e descansada."

Enquanto nas clínicas dermatológicas não param de surgir novas tecnologias, a cirurgia plástica no rosto é mais conservadora. Procedimentos clássicos como intervenções no nariz e nas pálpebras ainda são os mais procurados. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2015 foram realizadas 420 mil plásticas faciais por aqui, ou seja, ninguém no mundo opera mais o rosto que as brasileiras. Só de lifting facial, que tem como finalidade "levantar" o rosto, foram quase 50 mil. "O lifting, se bem realizado, tem um potencial de melhora da autoestima muito grande, de recuperação rápida e com baixo índice de complicações", diz a cirurgiã plástica Darli Nogueira. "Além da estética, traz tamanho bem-estar que, inclusive, se reflete no comportamento do paciente", completa. Que o diga a secretária Tânia Mara Assunção, de 54 anos. Em 2015, ela resolveu operar as pálpebras. "Sentia dificuldade de encarar os outros, parecia que estava sempre com os olhos inchados", diz. Depois de passar pelo bisturi, ela viu sua vida mudar. "Eu me sinto muito mais bonita e confiante. Voltei até a tirar fotos", conta.

Mudanças sutis e que respeitem a identidade de cada rosto. Entre os especialistas, o discurso é sempre o mesmo: naturalidade é a palavra que deve nortear qualquer procedimento. "Toda cirurgia plástica requer bom senso. Em se tratando da face, esse cuidado deve ser redobrado", afirma a cirurgiã Raquel Virgínia. O cirurgião Sebastião Nelson, com mais de 40 anos de carreira, segue a mesma linha. "A melhor cirurgia plástica é a que parece que não foi realizada", afirma. Se a bichectomia é a estrela da vez no universo da cirurgia plástica, alguns procedimentos continuam firmes e fortes no cardápio de quem tem fome de juventude. Conheça agora quatro cirurgias que são verdadeiros clássicos e estão sempre na lista das mais procuradas nos consultórios médicos.

Victor Schwaner/Encontro
A secretária Tânia Assunção operou as pálpebras: "Sentia dificuldade de encarar os outros, parecia que estava sempre com os olhos inchados" (foto: Victor Schwaner/Encontro)
Blefaroplastia

No Brasil, as cirurgias de pálpebras são as campeãs entre as faciais. Ela tem como finalidade melhorar o aspecto das pálpebras superiores e inferiores, eliminando bolsas de gordura, rugas, flacidez e, com isso, rejuvenescendo a região ao redor dos olhos. A maioria dos pacientes que procura pela blefaroplastia está na faixa dos 40 anos. Existe uma diferença entre o procedimento na pálpebra superior e inferior. A primeira, normalmente, é funcional e indicada para pacientes idosos, que têm uma diminuição do campo visual em decorrência do excesso de pele. Quando a cirurgia é estética, tanto a inferior quanto a superior são operadas, gerando um resultado excelente na aparência. "Hoje, há uma preocupação em tratar estruturas como gorduras e músculos, e não só a retirada do excesso de pele", explica a cirurgiã plástica Raquel Virgínia. "Isso faz com que a aparência fique o mais natural possível", completa.

É realizada com anestesia local ou geral e o procedimento dura entre uma e duas horas. A cirurgia deixa uma cicatriz discreta, pois fica localizada na dobra da pálpebra superior e bem embaixo dos cílios inferiores. O paciente deve fazer repouso até a retirada dos pontos, em cerca de uma semana. Os resultados começam a aparecer logo nas primeiras semanas, quando o inchaço diminui. Quem tem problemas de visão, como miopia ou hipermetropia, pode fazer o procedimento sem qualquer problema.

Rinoplastia

Gisele Bündchen e Cauã Reymond. Eles são, definitivamente, lindos. Mas reparem: nenhum dos dois têm narizes delicados. Ainda assim, muitos sonham ter um nariz como os deles. Durante quatro décadas, dos anos 1950 aos 1990, o padrão de beleza era ter o nariz pequeno e empinado. Esse conceito, no entanto, caiu por terra. "Cada rosto tem sua forma e o nariz pode ser melhorado, mas é essencial manter a harmonia da face", explica o cirurgião plástico Sebastião Nelson. "Jamais ficaria bem um nariz muito fino, estreito, delicado em uma pessoa de traços fortes, nítidos e acentuados", completa.

É a cirurgia indicada para quem está insatisfeito com o formato natural do nariz e deseja dar projeção ou afinar a ponta, as asas nasais ou se livrar da giba nasal (que forma o nariz de tucano). "A proporção e a harmonia geram uma beleza suave, atraente e, acima de tudo, duradoura. Transformações exóticas têm vida curta", diz Sebastião. Para ele, nada é mais importante no universo da plástica que o bom senso. "A face é considerada o ponto de maior destaque no nosso corpo, uma referência memorável. Assim, excessos de procedimentos, sejam eles cirúrgicos ou não, podem trazer graves consequências ao paciente."

A anestesia, normalmente, é local e o procedimento dura, em média, duas horas. Existem duas técnicas, a aberta e a fechada. Na primeira, é feita, além das incisões dentro das narinas, uma pequena incisão na base da columela (pequeno segmento que divide as narinas). Através dos cortes, os tecidos são levantados expondo as estruturas nasais que serão tratadas. Já na fechada, como o próprio nome sugere, o órgão não é aberto. Cabe ao médico escolher qual é a técnica mais adequada para cada caso.

Também é comum associar a rinoplastia a outros procedimentos nasais, como correção do septo nasal, que reduz as irregularidades internas melhorando a respiração. O pós-operatório dura cerca de um mês. A aparência final pode ser percebida a partir de seis meses.

Lifting facial

Se existem dois assuntos distintos na área de beleza é botox e lifting. "A cirurgia só é necessária quando existe uma queda significativa na face. Como o nome mesmo indica, é um levantamento", explica o cirurgião plástico Ticiano Cló. Ou seja, se caiu, não há botox que levante. O jeito é encarar o bisturi. Normalmente, isso acontece entre 50 e 55 anos. A técnica promove um levantamento do rosto, amenizando vincos e resgatando contornos faciais. Diferentemente do passado, quando a pele era puxada ao máximo e deixava os pacientes com "cara de plástica", hoje, a técnica consiste em tracionar o músculo - ou seja, colocá-lo de volta no lugar - e retirar apenas o excesso de pele "Deixar uma pequena flacidez garante naturalidade ao rosto", diz Ticiano.

A incisão pode ser feita dentro ou bem próximo à orelha ou, ainda, na linha do couro cabeludo, gerando cicatrizes discretas, quase imperceptíveis. A realização de um lifting completo chega a durar quatro horas, com utilização de anestesia geral. Ticiano costuma dizer aos pacientes que o procedimento causa pouca dor, só deixa o rosto muito inchado nos primeiros 10 dias. "Dói mais é se olhar no espelho logo depois da plástica", brinca. Duas semanas depois, no entanto, a pessoa já pode voltar a sua rotina normal. Os resultados finais aparecem entre quatro e seis meses.

Colega de Ticiano, a cirurgiã Darli Nogueira acredita que 10 anos é um bom intervalo entre um lifting e outro. "Não tem uma data marcada, na verdade, depende muito dos cuidados que os pacientes têm com a pele e a evolução do processo de envelhecimento de cada um", explica. "A cirurgia trata da flacidez, mas a qualidade da pele merece atenção adicional como cremes, laser e peeling", lembra Darli.

Lipoenxertia facial

Rugas de expressão, sulcos profundos, atrofia dos lábios e diminuição do tônus facial. Os sinais de um rosto envelhecido podem ser amenizados utilizando-se uma técnica pouco invasiva e que, segundo a cirurgiã Cíntia Mundin, apresenta resultados surpreendentes no rejuvenescimento facial. A lipoenxertia facial, além de restaurar o volume perdido, rejuvenesce a pele. "Trabalhos científicos recentes comprovam a presença de grande número de células-tronco no tecido adiposo", explica Cíntia. "Sendo assim, ao transferir gordura para a face, transferem-se também células-tronco, que são uma fonte inesgotável de regeneração tecidual", completa.

A gordura pode ser extraída de qualquer parte do corpo, mas, em geral, a retirada é feita do abdômen ou da face interna dos joelhos. O enxerto permite preencher sulcos preexistentes e pode ser utilizado em várias áreas da face, como maçã do rosto, bochechas e lábios. É utilizada anestesia local com sedação e, apesar de ser rápido, é um procedimento que deve ser feito sempre em um ambiente hospitalar. "O resultado é muito natural e duradouro e, geralmente, um só procedimento é o suficiente", diz Cíntia.

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