Falta de reforma prejudica o Parque Municipal

Prefeitura quer resolver os problemas, mas não tem recursos para tocar as obras do local, que é mais antigo que a capital mineira

por Rafael Campos 24/03/2017 16:11

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Paulo Márcio/Encontro
Lago principal do parque: visitantes reclamam da falta de policiamento, sujeira e infraestrutura precária (foto: Paulo Márcio/Encontro)
"Aí a moça veio e disse: 'me dá dois salgados e uma coca'? Onde já se viu?". O desabafo é de João Pereira Cunha, de 54 anos, que trabalha há 20 anos como lambe-lambe no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no centro de BH. É claro que seu trabalho mudou um pouquinho. Não há mais aquela caixa preta com uma cortininha sobre o tripé. Hoje, ele usa uma máquina digital. Mesmo assim, em época de selfies, sua função anda apagada. Por isso, acaba sendo confundido com uma banquinha de lanche. Mas quem disse que ele arreda o pé do parque? "Quando a gente toma amor não tem jeito", diz o fotógrafo, com um olhar saudosista em direção ao coreto.

A área verde, além de abrigar fauna e flora diversificadas, reúne histórias curiosas e que se confundem com a da própria capital mineira. O parque foi inaugurado em setembro de 1897, três meses antes da fundação da cidade. Lá, ao redor do coreto, foi criado o clube mais antigo da capital em atividade, como diz a placa: "Neste local, em 25 de março de 1908, 22 estudantes se reuniram para formar o Atlético Mineiro Futebol Clube, que em 1912 passou a se chamar Clube Atlético Mineiro".

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Ivanilda Martins e Vinicius Gonçalves, com a filhinha Emily, queixam-se da sensação de insegurança: "Fico olhando para os lados o tempo todo", diz Vinicius (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Na outra ponta do parque estão os bustos dos fundadores da capital mineira: Augusto de Lima (propôs a criação), Afonso Pena (iniciou a construção), Bias fortes (inaugurou) e Aarão Reis (chefiou a comissão construtora). São eles que "guardam" os documentos, recortes de jornais e outros registros abrigados no "Baú do Tempo". A caixa foi enterrada no ano do centenário da capital mineira, em 1997, e a ideia é abri-la em 2097.

Huan Richard, de 18 anos, vai estar com quase 100 anos quando o "Baú do Tempo" for aberto. Ele poderá contar aos netos que quando jovem gostava de praticar parkour por lá. "Aqui é perfeito", diz, ao lado do amigo Jean Oliveira, de 21 anos, antes de realizar um de seus saltos preferidos. Mas nem tudo são flores quando o assunto é parque municipal.

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O lambe-lambe João Pereira Cunha não arreda o pé do parque: "Quando a gente toma amor não tem jeito" (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Ao visitá-lo, o sentimento é de que a área verde de 182 mil metros quadrados poderia ser bem mais convidativa. Por ser central e corta-caminho de muita gente, o lugar demanda cuidado maior e mais frequente. O balconista Vinicius Gonçalves, de 21 anos, e a mulher, a estudante Ivanilda Martins, de 19, gostam de aproveitar a folga do trabalho para passear com a filhinha Emily, de 4 anos. Entretanto, não é um passeio tranquilo. "Fico olhando para os lados o tempo todo", diz Vinicius, que acha pequeno o número de guardas municipais que circula por lá. Outra reclamação se refere a banheiros e bebedouros. "Na verdade, nunca vi um bebedouro por aqui", diz o rapaz. Sem falar que os sanitários afastam os usuários, de tão sujos.

A obra do espaço multiúso na área do antigo Colégio Imaco também não contribui. A construção foi paralisada e o matagal já começa a tomar conta da estrutura inacabada. De acordo com a prefeitura, está sendo fechado novo convênio com o governo do estado. Outra licitação deve ser lançada neste ano. Iniciada em 2013, a obra foi orçada em mais de 11 milhões de reais e a inauguração estava prevista para o ano passado.

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Construção do espaço multiúso: obra foi paralisada ano passado e uma nova licitação está sendo feita (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Ernani Horácio Ribeiro, de 58 anos, é um dos que está na torcida para que o espaço multiúso – desenhado pelo arquiteto Gustavo Penna – seja inaugurado. A esperança dele é de que o centro cultural dê nova vida ao parque. Pipoqueiro há pelo menos cinco anos, Ernani reclama da presença maciça de moradores de rua. "Caiu muito o movimento, pois as pessoas ficam com medo", afirma.

A Secretaria Municipal de Segurança Pública diz que o efetivo da Guarda Municipal é suficiente. São dez agentes que fazem a ronda durante o dia e outros quatro à noite. O órgão está ciente do número elevado de moradores de rua, contudo, as abordagens só acontecem quando eles são flagrados praticando atividades ilícitas ou causando incômodo aos visitantes.

Em nota, a Fundação de Parques Municipais informou que para este ano estão previstas no parque "algumas melhorais, como a renovação de equipamentos, dentro de um cronograma de priorização dos recursos". Ainda de acordo com a fundação, o órgão está elaborando plano de ação em diversas áreas verdes de BH. Entre as prioridades estão obras emergenciais, ações extras de capina, novos bebedouros, lixeiras, brinquedos e placas de sinalização. Tudo vai depender, no entanto, de dinheiro em caixa.

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