BH ganhará um centro de referência no tratamento do câncer

Foi dado o sinal verde para a transformação do antigo prédio que abrigou o Instituto Hilton Rocha em hospital do Grupo Oncomed. A inauguração está prevista para 2019

por Rafael Campos 11/05/2017 13:58

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Gláucia Rodrigues/Encontro
A fachada da construção original: imóvel será revitalizado após mais de duas décadas de abandono (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Fechadas há mais de duas décadas, as portas do prédio do antigo Instituto Hilton Rocha, no bairro Mangabeiras, devem ser reabertas em 2019. Desta vez, o prédio, que no passado foi referência em oftalmologia, vai abrigar um moderno centro de tratamento oncológico. O sinal verde para as obras foi dado em abril. No segundo semestre do ano passado, as intervenções já haviam sido autorizadas, mas uma liminar impediu os trabalhos. Os diretores do Grupo Oncomed, os médicos Amândio Soares e Roberto Fonseca, que arremataram o imóvel em 2009 por 16 milhões de reais, recorreram e conseguiram a permissão novamente. "O projeto foi amplamente discutido e passou por órgãos municipais e ambientais, que foram unânimes quanto à viabilidade do novo hospital", diz Amândio. De acordo com os sócios, o investimento será de aproximadamente 250 milhões de reais.

Além de oncologia, o novo hospital vai oferecer tratamentos nas áreas de cardiologia e oftalmologia, antigo carro-chefe do lugar. Serão 220 leitos, capacidade para fazer 13 mil internações, 180 mil exames e 65 mil atendimentos oncológicos por ano. "Qualquer acréscimo de leitos é bem-vindo", afirma Jackson Machado Pinto, secretário municipal de Saúde.

Gláucia Rodrigues/Encontro
Amândio Soares e Roberto Fonseca, proprietários do Grupo Oncomed: "O projeto foi amplamente discutido e passou por órgãos municipais e ambientais, que foram unânimes quanto à viabilidade do novo hospital", diz Amândio (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Mas para, de fato, sair do papel, o projeto teve de percorrer um longo caminho. A proposta foi apresentada em 2011. De lá para cá, enfrentou uma batalha na Justiça devido a alguns moradores no entorno que temiam o fim do sossego e possíveis danos ao meio ambiente. O prédio, erguido na década de 1970, tem aos fundos a Serra do Curral. "Não vai ter pronto-socorro ou tráfego de ambulâncias", diz Roberto, sobre o perfil do futuro hospital. Ele acrescenta ainda que as obras não vão criar novos pavimentos. "Não vai haver verticalização. As melhorias serão feitas na estrutura já existente", afirma.

O edifício será revitalizado a fim de integrá-lo à paisagem da Serra do Curral. Para isso, será usado na estrutura aço corten, que se assemelha à cor de terra. De acordo com Flávio Carsalade, responsável pelo projeto de arquitetura, as janelas da fachada serão recuadas e serão criados jardins. Além disso, o vidro será espelhado para dar sensação de continuidade entre a cidade e o prédio. "A percepção de platôs escalonados diminuirá a massa visual do edifício. Ele foi construído em uma época em que as questões ambientais não eram consideradas, ao contrário do novo projeto", afirma o arquiteto e urbanista.

Divulgação
A perspectiva do novo prédio (foto: Divulgação)
Ao receber a permissão para criar o hospital, a Oncomed teve de se comprometer com algumas contrapartidas. A questão ambiental é um dos principais alvos. Conforme o arquiteto Flávio Carsalade, o terreno no qual foi construído o prédio já está degradado. "Grande parte da área também está impermeabilizada, o que pode ocasionar acúmulo de água e erosão. Trata-se, portanto, de uma ação para qualificar o que já existe", diz. A ideia é recuperar e preservar a mata nativa de todo o entorno. O canteiro central da avenida José do Patrocínio Pontes também vai receber melhorias, a exemplo da pista de cooper. Será criada também uma área de estacionamento para 366 vagas.

A Fundação Biodiversitas, organização não governamental que atua em estudos e pesquisas voltadas à diversidade biológica, foi consultada pela Oncomed sobre a pertinência do empreendimento. Da análise técnica feita pela ONG nasceu a demanda de "conectar" as diversas áreas verdes da região. A ideia é tratar esse conjunto ambiental de maneira integrada. "Vamos conciliar a convivência harmônica entre as atividades humanas e a conservação da natureza", diz Cássio Soares, coordenador do Centro de Dados para Conservação da Biodiversidade da Biodiversitas. Os parques envolvidos nessa ação são o Fort Lauderdale, o Serra do Curral e o Mangabeiras, do município, além do Parque Estadual da Baleia e da Reserva Particular de Patrimônio Natural do Minas Tênis Clube. Pelo visto, o novo prédio vai trazer benefícios para a saúde dos mineiros e para o meio ambiente.

Entenda a história

1974 - O oftalmologista Hilton Rocha compra o terreno no bairro Mangabeiras, aos pés da Serra do Curral
1979 - O prédio do Instituto Hilton Rocha (IHR) é inaugurado
1989 - Início das atividades da Fundação Hilton Rocha, que passaria a atender pessoas carentes
1993 - Morre Hilton Rocha, aos 81 anos. Divergências internas culminariam com o fechamento do IHR
2005 - Após mais de 10 anos de decadência, o prédio é colocado a leilão para saldar dívidas trabalhistas
2009 - Prédio do IHR é arrematado em leilão pelo Grupo Oncomed por 16 milhões de reais
2011 - Proposta de transformação do prédio do IHR em centro de tratamento de câncer é apresentada. A previsão de inauguração era 2014
2016 - Obras são autorizadas e o prédio é cercado por tapumes, mas, em outubro, liminar impede o início das intervenções. Proprietários do imóvel recorrem da decisão
2017 - Sinal verde para as obras

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