Mercado imobiliário de Belo Horizonte mostra sinais de recuperação

Estamos longe da euforia de outrora, mas segmento já sente ventos favoráveis. Procura por unidades de alto luxo puxa saída da crise e construtoras anunciam lançamentos para o segundo semestre

por Rafael Campos 26/06/2017 13:50

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Ronaldo Dolabella/Encontro
Residencial Albert Scharlé, no bairro Luxemburgo: empreendimento de luxo da construtora Caparaó foi entregue em abril, com 60% das unidades vendidas (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
O momento não é de euforia. As nuvens pesadas e sombrias que pairavam sobre a economia, no entanto, parecem se dissipar. É o que acreditam os representantes do mercado imobiliário de Belo Horizonte. Impulsionado, sobretudo, pelos imóveis de alto luxo, o segundo semestre de 2017 acena bem mais colorido do que os anteriores. Nessa perspectiva, Encontro conversou com alguns dos principais representantes desse nicho na capital mineira e eles, em coro, afirmam: o mercado está reaquecendo.

"Para falar a verdade, nem o ano passado foi tão ruim para nós", afirma Ricardo Pitchon. O empresário inaugurou em março de 2016 a Pitchon Imóveis, especializada no mercado de alto luxo. "Não poupei esforços no olho do furacão." Ele desembolsou 1,5 milhão de reais para abrir as portas do escritório, que fica na Savassi. Não se arrependeu. No segundo semestre deste ano, sua empresa vai participar de um lançamento, também na linha de imóveis premium, com unidades de 650 m², em BH. "O mercado de alto luxo vai bem, pois é direcionado às pessoas que estão alheias à crise", diz.

Cláudio Cunha/Encontro
Luiz Antônio Rodrigues, presidente da Lar Imóveis: "A moeda mais segura ainda é o imóvel" (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
A turbulência econômica atingiu em cheio a classe média e retardou o investimento da classe mais abastada, que agora enxerga boa oportunidade para os negócios. Quem afirma é o presidente da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues. As cinco unidades de sua imobiliária registraram aumento de 60% na procura por negócios, isso nos primeiros quatro meses deste ano em relação a 2016. O empresário reforça que o setor funciona como termômetro, já que é para ele que as pessoas se voltam no momento de retomar investimentos. "A moeda mais segura ainda é o imóvel", afirma.

Nesse cenário, construtoras já anunciam lançamentos para os próximos meses. E, de fato, este deve ser o caminho, pois especialistas indicam que a paralisia do setor da construção pode deixar a prateleira escassa de produtos. A construtora Caparaó, que mantém presença no segmento de unidades luxuosas, vai ajudar a suprir essa falta. Até o fim do ano será inaugurado, no Vila da Serra, o edifício Concordia Corporate, em parceria com a Tishman Speyer, empresa americana responsável por edifícios em vários países. Em abril, a construtora entregou no bairro Luxemburgo o Residencial Albert Scharlé, com 60% das 82 unidades comercializadas. São apartamentos com quatro quartos, que variam entre 155 m² e 183 m². O destaque fica por conta do 19º pavimento, que, além da vista, oferece espaço fitness, pilates, sala de massagem, sauna e salão de jogos. As piscinas com spa possuem revestimento que simula lagos naturais. "Essa foi a pior crise pela qual passei, mas temos de usá-la como oportunidade", diz Maria Cristina Valle, diretora da Caparaó.

Divulgação
Lucas Couto, diretor de marketing da construtora Patrimar: "Não sou otimista demais nem pessimista ao extremo, mas o fato é que os ventos começam a soprar a favor" (foto: Divulgação)
O momento também é favorável para a Construtora Conartes. No primeiro trimestre deste ano foram comercializadas 578 unidades. "Se a média permanecer, fecharemos 2017 com mais de 2,3 mil vendas. Sendo que em 2016 comercializamos 1,9 mil unidades", diz José Francisco Cançado, presidente da construtora. "É uma melhora ainda tímida, mas consistente", diz o empresário, que também é vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). A Conartes vai iniciar em breve as vendas do Piazza Fontana, no Vila da Serra, com apartamentos entre de 190 m² e 206 m². Há opções com quatro e duas suítes.

O diretor de marketing da construtora Patrimar, Lucas Couto, é comedido quanto ao futuro do setor. "Não sou otimista demais nem pessimista ao extremo, mas o fato é que os ventos começam a soprar a favor", diz. Para ele, a queda dos juros é um dos principais fatores para a retomada, já que o segmento depende de financiamento. "Mesmo quem tem o dinheiro fica receoso em investir num período como o que passamos", afirma. A construtora estuda novos lançamentos. De acordo com Lucas, entre o fim do ano e 2018, a estimativa de vendas deve alcançar 745 milhões de reais.

Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário/Secovi-MG, Cássia Ximenes afirma realmente que o pior já passou. Segundo pesquisa da entidade, o pior momento foi em 2016. No ano passado houve queda de 24% na venda de apartamentos em relação a 2015, que já era considerado um período ruim. Segundo Cássia, as negociações envolvendo imóveis comerciais são as primeiras a diminuírem durante a turbulência econômica. "E hoje observamos procura maior por esses imóveis, o que demonstra que os investidores mais pesados estão de volta à cena", diz Cássia. Hoje, conforme especialistas, o mercado vive a ressaca da crise, boa oportunidade para quem tem dinheiro na conta. "O medo está cedendo lugar à confiança", diz Cássia. Assim esperamos.

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