Principal polo de pscicultura do Brasil fica em Minas Gerais

Num setor que está em franco crescimento, Região da Zona da Mata comercializa pelo menos 12 milhões de unidades todos os anos

por Rafael Campos 25/07/2017 14:48

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Wagner Tamietti/Divulgação
Peixes ornamentais chamam a atenção pelas cores variadas: espécies já aparecem entre os animais mais disputados no mercado pet (foto: Wagner Tamietti/Divulgação)
Se você tem aquário em casa, é bem provável que os seus peixinhos vieram da região da Zona da Mata mineira. A área é responsável por 70% da produção nacional de peixes ornamentais. Cerca de 12 milhões de unidades são comercializados todos os anos e saem de oito municípios: Vieiras, Eugenópolis, Patrocínio do Muriaé, Miradouro, Barão de Monte Alto, São Francisco da Glória, Muriaé e Rosário da Limeira.

Há três décadas, a região mineira, embora de maneira tímida, começou a investir na criação dos peixes. Ao longo dos anos, a cadeia produtiva, grande parte formada por agricultores familiares, se fortaleceu. Muitos produtores trocaram plantações ou pastos por tanques ou estufas. Não demorou para que o trabalho fosse reconhecido pelo Ministério da Agricultura. No ano passado, mediante projeto de lei, a região virou Polo de Piscicultura Ornamental.

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Peixe beta está entre as 150 espécies criadas em Minas Gerais (foto: Wagner Tamietti/Divulgação)
“Para quem tem propriedade rural, trata-se de uma das atividades mais lucrativas”, diz Waldiney Chicareli, presidente da Associação dos Aquicultores do Vale do Glória. Ele é de Vieiras, um dos principais centros produtores da região. Waldiney está envolvido com a piscicultura desde os 10 anos. Cerca de 400 famílias têm no ramo o sustento. De acordo com Waldinei, lá são produzidas cerca de 150 espécies. Entre as mais vendidas estão o paulistinha, plati, espada, molinésia, beta e o kuinguio-japonês. Os preços variam de 7 centavos a 50 reais a unidade.

Agora, a expectativa é de que a cadeia produtiva se aperfeiçoe ainda mais. Nessa toada, em abril, o município de Leopoldina ganhou o Centro de Referência em Piscicultura Ornamental de Água Doce. O projeto, gestado pelo governo do estado e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), tem o objetivo de gerar capacitação de técnicos e o desenvolvimento de métodos de criação de peixes. Não é difícil comprovar de onde vem tanta demanda. Segundo o IBGE, o setor cresceu 37% nos últimos anos. O que significa que os peixes ornamentais estão nadando rumo ao topo do mercado pet. Segundo pesquisa realizada também pelo IBGE, com base em dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais em Estimação, divulgada em 2013, os peixinhos estavam na quarta posição do ranking do mercado, com 18 milhões de unidades, perdendo para os cães (52,2 mi), as aves (37,9 mi), e os gatos (22,1 mi). Em 2018, será divulgado outro estudo e piscicultores apostam que as escamas devem aparecer disputando a ponta do ranking.

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Uma mostra de cardume de peixes guppy, espécie que também é criada no estado (foto: Wagner Tamietti/Divulgação)
A diretora de Aquacultura da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ana Carolina Castro Euller, acredita que a produção deve aumentar. De acordo com ela, o baixo custo do investimento para montar a estrutura dos criatórios e o alto valor agregado dos animais têm provocado o aumento do número de produtores. Neste ano, pela segunda vez, os peixes tiveram lugar reservado durante a 57ª Exposição Estadual Agropecuária, quando foi realizada a Exposição Aquícola de Minas Gerais, com a participação de 150 produtores.

Conheça alguns números

  • 12 milhões de unidades vendidas por ano
  • 400 famílias envolvidas
  • 150 espécies diferentes
  • 7 centavos a 50 reais, valor da unidade dos peixes produzidos na Zona da Mata

Municípios que fazem parte do Polo da Piscicultura Ornamental em Minas

Vieiras
Eugenópolis
Patrocínio do Muriaé
Miradouro
Barão de Monte Alto
São Francisco da Glória
Muriaé
Rosário da Limeira

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