Conversamos com os moradores do Santa Efigênia sobre como é morar no bairro

Fácil acesso, disponibilidade de transporte público e variedade de serviços e comércio são as principais vantagens da região

por Geórgea Choucair 28/09/2017 15:57

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Violeta Andrada/Encontro
A dentista homeopata e terapeuta floral Carmelita Nassif Leonel mora com os três filhos há 13 anos no bairro: "Sou da área de saúde e é bom estar nessa região" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
A casa da dentista homeopata e terapeuta floral Carmelita Nassif Leonel está sempre cheia. É o ponto de encontro da família e amigos para almoços e reuniões de fim de semana. As salas e o jardim amplos e o espaço para a criançada brincar são os principais chamativos. É lá que mora com os três filhos há 13 anos: Francisco, de 14, Marcela, de 13, e Giovana, de 10. Carmelita morou durante a infância e a juventude em apartamentos nos bairros de Lourdes e Funcionários, na zona sul de Belo Horizonte. Mas sempre quis ir para uma casa. Foi no Santa Efigênia que encontrou a oportunidade, pois a oferta desses imóveis é maior, com preços mais convidativos. "Tenho espaço grande ao ar livre para cachorro e plantas, que adoro", diz. O IPTU, segundo ela, também é mais em conta.

A amizade com a vizinhança é fácil. Carmelita conhece os lojistas, donos de farmácias, papelaria e dos armazéns. "Aqui temos muitas portinhas que vendem produtos da roça, como melado, queijo da Canastra e ovo caipira", afirma. "São produtos difíceis de encontrar em supermercados grandes", diz. Mas qualquer produto que faltar na despensa, ela tem outra forma de conseguir rápido. É só chamar pelo muro da casa que a vizinhança providencia, como café ou a esponja que esqueceu de comprar.  "Esse convívio facilita a segurança. Se tiver qualquer suspeita, um já fala para o outro", diz.

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A professora de ioga Patrícia Marques Katahira com o marido, Gláucio Eugênio, o filho, Gabriel, a mãe, Célia Maria Marques, e a gata Nala: "Como conhecemos todo mundo, dá mais segurança. É difícil sair na rua sem cumprimentar alguém", diz Patrícia (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Carmelita gosta de privilegiar o comércio do bairro, como costureiras e serviços de bombeiros e pedreiros. "Costuma ser bem mais barato do que na zona sul", diz. Como tem três filhos, a proximidade com os hospitais é outro facilitador. "Sou da área de saúde e é bom estar nessa região." O lazer também acontece por lá. Ela e os filhos sempre vão à praça Floriano Peixoto para curtir o parque, shows e eventos de ioga. O Boulevard Shopping é outro destino da família nos fins de semana, para onde vão a pé. Na avenida Andradas, fazem corridas e caminhadas.

O aposentado Francisco Annibal é fã das verduras do senhor Batista, que há anos vende couve, hortelã e salsinha na esquina de sua casa. Foi no bairro que ele e sua mulher, a aposentada Leíse Helena Loureiro de Carvalho, criaram os filhos Rachel, de 42 anos, e Leonardo, de 37.  Francisco lembra das mudanças do bairro nos últimos anos. "Cresceu muito. Antes as ruas eram sem asfalto e tinha uma só padaria", diz.

O acesso fácil ao centro da capital e à zona sul agrada ao casal. Francisco costuma andar a pé. Nas suas caminhadas, sempre passa para comprar alguma coisa no pequeno mercado do Raul, comerciante conhecido na região. O carro só sai da garagem na hora de passear com os netos. "Virei office avô", brinca. A segurança não é um aspecto que incomoda o casal. "Tem sempre viatura passando na rua e não costumamos ter notícias de roubos", afirma Francisco. Os preços dos serviços são mais em conta, segundo eles. "Temos um filho que mora no Funcionários. Na hora de contratar bombeiros ou chaveiros, ele sempre chama os que estão aqui na região", diz Leíse.

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O aposentado Francisco Annibal e a mulher, Leíse, não reclamam de segurança: "Tem sempre viatura passando na rua e não costumamos receber notícias de roubos", afirma Francisco (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Ir a pé para o trabalho é um privilégio para a professora de ioga Patrícia Marques Katahira, que está no Santa Efigênia há 40 anos. Foi lá que cresceu, fez amigos e mora com a família: o marido, o contador Gláucio Eugênio Cordeiro, a mãe, a aposentada Célia Maria Marques, o filho, Gabriel, de 10 anos, e a gata Nala. O seu estúdio fica na vizinhança da casa. A família já até pensou em mudar-se para apartamento maior, mas desde que seja no mesmo bairro. Patrícia é outra conhecida na mercearia do Raul. "Parece comércio de interior, ele me conhece pelo nome desde pequena", afirma, com ar de nostalgia. Os taxistas também chamam a professora de ioga pelo nome. "Como conhecemos todo mundo, dá mais segurança", diz Patrícia.

O casal vai a pé para espetinhos, restaurantes e pizzarias. Eles também não pegam carro para levar Gabriel para o Colégio Logosófico, inglês, shopping e para brincar na praça Floriano Peixoto. A maior parte dos amigos do filho mora na região. O ônibus passa na rua onde moram e a aposentada Célia costuma pegar para ir a todos os lados da cidade.  "Mesmo com o trânsito dos ônibus, não tem muito barulho", diz Patrícia.

Violeta Andrada/Encontro
A cabeleireira Mara Donato (segunda da dir. para a esq.) mora com a família no coração do bairro: "Gosto de lugar ao ar livre. E somos caseiros, é importante que a casa seja grande" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
A grande família da cabeleireira Mara Donato mora em ampla casa na rua Niquelina, uma das principais do bairro. "É aqui que tenho minha clientela. Muitos são idosos que passaram a vida toda no Santa Efigênia", diz Mara. Ela é conhecida na região por liderar a "casa das oito mulheres", pois mora com três filhas, duas netas e duas sobrinhas. Os únicos homens são o marido, o neto e o genro, que só aparece no fim de semana.

A escolha pela região foi pela proximidade com seu salão e a possibilidade de morar em casa grande, com sete quartos. "Todo mundo tem de ficar separado, senão dá briga", brinca. Eles aproveitam o quintal para tomar sol, fazer churrasco no verão e caldos no inverno, no fogão a lenha. "Gosto de lugar ao ar livre. E somos caseiros, é importante que a casa seja grande", diz Mara, que sempre gostou de ter as filhas e netos ao redor.

Apesar do movimento da rua, a família não reclama do barulho. "Depois das 22h, fica mais tranquilo", diz Mara. A filha Saray Donato conta que já morou em apartamento, mas não quer mais. "Vou a pé para o centro todos os dias. Economizo tempo e dinheiro", diz. Quando precisa ir a bairros mais distantes, usa o metrô. "Aqui temos restaurantes, bares e trailers de sanduíches por perto e não precisamos sair do bairro para quase nada", afirma Saray. As netas e o neto de Mara frequentam escolas na redondeza. Vida típica de uma grande família em cidade do interior, mas com a vantagem de bancos, shoppings, cinemas, hospitais e supermercados de capital ao redor.

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