Acessibilidade e variedade do comércio agradam moradores do Serra

Várias vias de acesso e vitalidade nas ruas também são atrativos do bairro da região centro-sul

por Geórgea Choucair 15/12/2017 14:57

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Ronaldo Dolabella/Encontro
Gustavo Fagundes mora em um condomínio privilegiado no bairro com a mulher, Kátia Portilho, e a filha, Luísa: muitas árvores e plantas, %u2028vista bonita e vizinhança com o Olympico (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Um bosque no meio do bairro Serra. É lá que mora, com a filha Luísa, de 6 anos, o casal Gustavo Fagundes e Kátia Portilho. O condomínio onde a família vive é rodeado de ampla área verde, com muitas árvores e plantas. Quem o visita dificilmente acredita que está em plena região Centro-Sul da capital. "O clube Olympico é como se fosse o nosso quintal, nossa área de lazer", afirma Kátia. Eles ainda contam com vista privilegiada, já que a vizinhança é toda de casas.

A história de Kátia com o bairro é antiga. Ela nasceu no apartamento em que mora atualmente e sempre frequentou e estudou na Serra, no mesmo colégio que a filha, Luísa, está hoje. "Para mim a cara do bairro não mudou muito", diz. Gustavo foi para a região quando se casou, há oito anos. E só tem elogios. "O acesso é bom, sem trânsito pesado e com muitas opções de via", diz. "Aqui não é um bairro de luxo, mas tem muitas coisas boas. Encontramos de tudo e o comércio melhorou muito nos últimos anos. Chegaram muitas redes novas", afirma.

Ele costuma fazer sauna e nadar no Olympico com a filha, além de correr na avenida Bandeirantes em companhia da mulher. A mãe de Kátia mora a dois quarteirões do casal. "Cresci e fui muito feliz aqui. Minha vida toda está nesse miolinho, na redondeza da minha casa. E estar perto dos meus pais é um privilégio", diz Kátia. A maior parte dos moradores do bairro, segundo eles, é de idosos. "Vemos poucos recém-casados", diz Gustavo. O prédio fica entre as duas ruas mais movimentadas do bairro (a do Ouro e a Estevão Pinto). "Mas não escutamos barulho. Às vezes ouvimos algum tiroteio do aglomerado, mas nunca fomos assaltados aqui", afirma Kátia.

Violeta Andrada/Encontro
Vânia e Ricardo Mello moram há 40 anos no bairro e estão na quinta residência na região: "Aqui não é lugar de passagem, o que facilita o%u2028 acesso. Dificilmente tem congestionamento", diz Ricardo (foto: Violeta Andrada/Encontro)
"Engraçado, não estou enxergando o apartamento da Silvia daqui. O que será que aconteceu?", indaga a professora aposentada Lúcia Helena Peixoto, da varanda do seu apartamento, onde mora há 15 anos. "Já sei, acho que construíram um prédio na frente e eu não consigo ver mais", afirma. Silvia é sua faxineira, que mora no Aglomerado da Serra, assim como grande parte dos funcionários de famílias e comércio do bairro. "Acho bom estar próxima deles, gosto desse tipo de integração e convivência." É comum ela cruzar com porteiros do seu prédio na igreja da vizinhança. Da sua varanda, ela observa atenta algumas mudanças na vista. "Muitos prédios estão tampando a comunidade", diz.

Os seus laços com a Serra vem de décadas. Ela formou-se em história na UFMG em 1964 e em seguida foi dar aula no Colégio Estadual da Serra, hoje Escola Estadual Professor Pedro Aleixo. "As amigas que levo ao longo da vida vieram da escola. E minha filha Mariana foi alfabetizada aqui no bairro também", diz.

Lúcia faz tudo nos arredores do seu apartamento: hidroginástica, sacolão, supermercado e compras em floricultura, papelaria e drogaria. "Costumo conhecer os donos e funcionários", diz. A menos de um quarteirão está a lanchonete do senhor Manoel, há mais de 50 anos no bairro. "Lá eu vou para tomar café e comer empada. Gosto do ambiente daqui, é aconchegante e encontramos praticamente tudo." Os serviços como bombeiros, eletricistas, chaveiros e costureira são todos feitos no bairro. "A costureira que fez meu vestido de casamento morava aqui", diz. O que falta, segundo os moradores, é praça, agência bancária e shopping center.

Violeta Andrada/Encontro
Daniel Corrêa e Mariana Falcão trabalham e moram no bairro, com o filho João e o cãozinho Café, um buldogue francês: "João tem professores que são da minha época de criança", diz Mariana (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Ali ficam duas paróquias. Lúcia já cantou no coro da missa das 10 horas na igreja Santana. O seu prédio está na vizinhança do Minas II. "Quando acontece alguma festa, o som parece que está dentro da minha casa. Mas eu não me incomodo, durmo bem", diz, recordando-se de quando o terreno do clube era um lote gigante vazio, como se fosse uma roça. "O bairro era só de casas no passado. Na minha época, muitas ruas nem eram calçadas", diz. Ela tem vontade que o bairro fosse mais plano. "Mas fazer o quê? O próprio nome já diz: aqui é serra", brinca.

É comum ver o casal de arquitetos Daniel Corrêa e Mariana Falcão fazendo alguns garimpos pelo bairro. É lá que moram e têm a empresa, a coletivo Au, de móveis de design autoral e garimpados. "É um bairro com muita vitalidade e gente andando a pé. A segurança acaba ficando ligada a isso", afirma Mariana, que morou praticamente toda a vida na Serra. Seu filho, João Falcão, de 8 anos, frequenta a mesma escola em que a mãe estudou. "Tem ainda professores que são da minha época de criança", diz.

A mãe e a avó de Mariana moram na vizinhança, assim como vários amigos do casal. Daniel é frequentador assíduo do botequim Salomão, um dos principais redutos dos torcedores do Atlético em Belo Horizonte. "Fiz amigos lá, o bairro propicia muitos encontros", diz. Os prestadores de serviço da loja do casal, como marceneiro, vidraceiro, moldureiro, serralheiro e estofador, moram todos no Aglomerado da Serra. "Muitas vezes levo móveis na casa deles, aqui ao lado", diz Daniel. A família frequenta também o Parque das Mangabeiras, onde o filho João nada na cachoeira, faz trilhas e anda de skate. Mariana faz pilates e vai ao salão de beleza no bairro. Daniel corta cabelo e faz a barba no Mulher Barbeira, que tem só profissionais mulheres, na rua do Ouro. "Aqui é perto de tudo que preciso. Só saímos quando alguém insiste muito", brinca Daniel.

Violeta Andrada/Encontro
Os laços da professora aposentada Lúcia Helena Peixoto com a Serra são antigos: "As amigas que levo ao longo da vida vieram da escola em que trabalhei aqui" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
O casal Vânia Couto de Mello e Ricardo Motta de Mello também é antigo ali. Os dois moram há 40 anos na Serra. O apartamento atual é a quinta residência no bairro. Vânia estudou desde os 7 anos no Colégio Sagrado Coração de Maria, o mesmo colégio das suas três filhas: Mariana, de 42 anos, Letícia, de 40, e Cláudia, de 37.  "Minhas amizades todas estão aqui, assim como das minhas filhas", diz. Ela se lembra da época em que a Mello Pizzaria era armazém, com tudo vendido a granel. "Aqui tem hospital, mercearia, supermercado, pizzaria, tudo que preciso. E conheço muita gente pelo nome, como o pessoal do sacolão. Sempre que viajo costumo trazer lembranças para eles", diz. Ricardo afirma que o trânsito do bairro é tranquilo. "Aqui não é lugar de passagem, o que facilita o acesso. Dificilmente tem congestionamento", diz. Ele é engenheiro e empresário e trabalha no bairro Santa Efigênia. "Gasto cinco minutos até lá."

O casal é sócio do Minas há 36 anos, onde Ricardo nada diariamente, além de fazer sauna e musculação. Muitos familiares do casal moram no bairro, inclusive as filhas e netos, que costumam almoçar com frequência na casa deles. Sempre que precisam de serviços como faxineira, jardineiro e passadeira, são socorridos pelos moradores do aglomerado. "É mais fácil e econômico, um profissional indica o outro", afirma Vânia.

O apartamento onde moram está a poucos quarteirões da comunidade, mas mesmo o barulho não incomoda o casal. "Tem funk, tiroteiro, festas aos domingos e muito latido de cachorro. Mas colocamos janela acústica e tudo ficou resolvido", diz Vânia. Eles não reclamam de falta de segurança. "É difícil os assaltantes roubarem a vizinhança, pois não querem a polícia por perto", afirma.

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