Com lógica e sensibilidade

Primeiro presidente sem vínculo familiar com os fundadores a assumir a presidência da mais antiga companhia de capital aberto do país, ele comandou a recuperação da Cedro Têxtil

por Marinella Castro 03/01/2018 15:00

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Violeta Andrada/Encontro
Marco Antônio Branquinho conduziu a tradicional Cedro Têxtil do prejuízo em 2015 e 2016 para uma virada neste ano: "Sou o porta-voz de um trabalho que contou com o envolvimento de toda a equipe, de 3,4 mil pessoas" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Quando era criança, o presidente da Cedro Têxtil, Marco Antônio Branquinho Junior, passou a infância em acampamentos. Seu pai era engenheiro da construtora Mendes Junior e a família se mudava muito. A cada nova obra, novas cidades, escola e amizades refeitas de norte a sul do país. Com a bagagem da infância, situações de mudança, desafio e novidades nunca foram um problema. Em 2012, ele foi o primeiro executivo sem vínculo familiar com os fundadores a assumir a presidência da Cedro Têxtil, empresa que completa 145 anos e leva a tradição de ser a mais antiga Sociedade Anônima de capital aberto do país. A prova de fogo era reconduzir os resultados da indústria de fiação criada em Caetanópolis para o azul. A missão, como ele gosta de destacar, foi cumprida por toda a companhia. "Sou o porta-voz de um trabalho que contou com o envolvimento de toda a equipe, de 3,4 mil pessoas", diz. "A recuperação não é mérito de uma pessoa isolada."

Em Belo Horizonte, Branquinho cursou o ensino médio no Colégio Santa Dorotéia, no bairro Sion. Depois, como seu pai, seguiu para formação em engenharia mecânica na UFMG. À Cedro Têxtil, chegou como consultor em 2002. Em 2008 assumiu o posto de diretor de Recursos Humanos, proposta que o pegou de surpresa. Especialista nos modelos lógicos de gestão, em planejamento e eficiência, considerou as questões pessoais do novo cargo um desafio. Mas foram essas mesmas questões que o ajudaram a conduzir a Cedro pela tempestade quando foi escolhido, entre seis diretores, para assumir a presidência. "Em todas as decisões tomadas nesse período, procuramos o equilíbrio entre a lógica, a razão e a sensibilidade." Em meados de 2016, em plena crise, o número de funcionários foi reduzido de 4 mil para 2,4 mil. Uma das metas passou a ser trabalhar com a menor ociosidade possível.

O prejuízo de quase 100 milhões de reais registrado em 2015 cresceu para 140 milhões em 2016. Em 2017, o resultado da Cedro Têxtil surpreendeu e apontava para uma virada, com lucro líquido de 28 milhões de reais nos nove primeiros meses de 2017. Em 2010 a empresa tomou a decisão de trabalhar com produtos de maior valor agregado e fez uma série de investimentos. Foi surpreendida pela crise do país e pela queda nas vendas. Ficar firme no planejamento de ser referência também em moda, na antecipação de tendências, com foco em produtos da linha premium, que não têm concorrência tão forte dos asiáticos, foi essencial para a retomada do crescimento. Além do número geral dos funcionários, a quantidade de diretores diminuiu. "A crise nos deixou lições de produtividade e eficiência."

Ao mesmo tempo que conduzia a companhia para um salto, nos fins de semana Marco Antônio e a família também começavam a aprender juntos uma lição. Em um centro equestre de Nova Lima, ele e os filhos, Beatriz, de 15 anos, e Pedro, de 11, treinam com dedicação e disciplina, sempre observados pela mulher, Juliana Koeppel. "Vendo de longe, dar um salto parece fácil, mas é muito difícil", diz. "Entre cavalo e cavaleiro é preciso habilidade, firmeza e harmonia." Assim como no mundo dos negócios.

  • Marco Antônio Branquinho Júnior, 45 anos
  • Nasceu em Franca (SP)
  • Casado, 2 filhos
  • Engenheiro mecânico pela UFMG, com especialização em direito empresarial pela FGV
  • Diretor-presidente da Cedro Têxtil

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