Você sabe quando fazer o famoso check-up médico?

O início do ano é um bom período para conferir se está tudo em ordem com o corpo e, assim, enfrentar os meses que virão

por Geórgea Choucair 23/02/2018 14:14

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Alexandre Rezende/Encontro
A empresária e blogueira Raquel Mattar faz um acompanhamento semanal com sua nutricionista, Nina Caselato: pelo menos uma vez ao ano ela leva todos os exames necessários para continuar com as consultas (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
É hora de colocar a saúde em ordem. Depois das extravagâncias nas festividades de fim de ano e no carnaval, é importante visitar os médicos e passar pela tradicional bateria de exames para começar 2018 com mais vitalidade, disposição e bem-estar. O check-up ajuda a prevenir doenças, mas especialistas afirmam que alimentação saudável e a prática regular de atividades físicas são também fundamentais na busca de longevidade saudável. Os cuidados maiores com a prevenção de doenças começam a acontecer depois dos 40 anos, mas cada vez mais pacientes jovens, com idade a partir de 20 anos, procuram avaliação médica anual.

"A constatação precoce de doenças permite que atuemos de forma mais objetiva e eficiente, com aumento da qualidade de vida para os pacientes", afirma André Luiz Menezes, médico geriatra e diretor geral da BH Check-Up Médico. Na clínica, a avaliação é indicada de acordo com a necessidade de cada paciente, que responde a um questionário de risco antes de fazer o check-up. Na avaliação completa, a pessoa fica cerca de quatro horas no período da manhã sob a supervisão de 20 a 25 profissionais. Depois de mais de 40 exames, é atendida por especialistas de áreas como clínica médica, ginecologia, urologia, oftalmologia, odontologia, dermatologia, cardiologia e nutrição. O acompanhamento em uma única clínica ajuda a economizar tempo e pode tornar a avaliação mais eficiente, segundo André. "Algumas alterações avaliadas individualmente podem não detectar uma doença, mas juntas, sim."

O check-up é grande aliado para rastrear doenças silenciosas, aquelas para as quais paciente ainda não desenvolveu o sintoma, como câncer de pele, hipertensão e diabetes. "O problema é que muita gente resolve procurar o médico quando está sentindo incômodo ou dor e a doença já está avançada. O ideal é fazer o acompanhamento bem antes disso", alerta Mariane Tarabal, médica e coordenadora do check-up do laboratório Hermes Pardini, que conta com três tipos de avaliação: leve, cardiológica e pleno executivo. Os exames são avaliados de acordo com a faixa etária de cada paciente. "Trabalhamos com a promoção da saúde, sempre atentos ao que precisa ser otimizado", diz Mariane.

Ela recomenda que o check-up comece a ser realizado pelos pacientes a partir de 18 anos. "É lógico que os exames para esse público serão diferentes daqueles para pessoas com mais de 60. Mas hoje as pessoas estão mais atentas à prevenção, e não só à medicina curativa", afirma Mariane. Ela ressalta que o médico é o profissional que deve avaliar os exames. "Fazer o check-up sem orientação é um erro", diz.

Cláudio Cunha/Encontro
Daiane Bicalho começou cedo com os cuidados com a saúde: "Eu não quero ver o tempo passar e depois sentir que deixei essa parte tão importante de lado" (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
O período de férias costuma ser escolhido por muitos pacientes na hora de cuidar da saúde. O empresário Rodrigo Simões Alves, de 44 anos, aproveita o início do ano, quando sua disponibilidade é maior no trabalho, para fazer sua peregrinação aos especialistas. "Depois que fiz 40 anos, comecei a perceber que o corpo muda, ficamos um pouco mais lentos, com o sono mais difícil e com mais chances de ganhar peso, devido ao metabolismo. Tudo isso pode acarretar doenças, apesar de eu ser muito ativo", afirma.

Ele costuma ir ao cardiologista, oftalmologista, dermatologista e urologista, com atenção especial aos exames do coração. "Meus avôs tinham problemas cardíacos, tenho de ficar atento", diz. Na rotina diária, ele costuma ter hábitos saudáveis. Corre, joga futebol e tênis e dá preferência a frutas, verduras e proteínas. O carboidrato, a fritura e as bebidas alcoólicas são evitados e Rodrigo é bem rigoroso com o calendário de vacinas, que está em dia.

Mesmo quem vai a consultas periódicas precisa separar um tempo para o check-up. É o caso da empresária e blogueira Raquel Mattar, de 27 anos. Adepta de alimentação saudável como forma de melhorar o bem-estar e a saúde, ela começou, há quase dois anos, a mudar os hábitos, privilegiando alimentos naturais, que nascem da terra, como frutas e verduras. Desde que ficou grávida, evita frituras, açúcar e produtos artificiais, com corantes ou conservantes. "Eu não me preocupo com as calorias, mas busco saber no rótulo quais são os ingredientes do que como", diz. Hoje, Raquel não consome mais carne e frango e sempre faz a opção por peixes ou frutos do mar. "Eu me sinto melhor, não fico com a sensação de inchada depois que como", afirma. O acompanhamento com a nutricionista chega a ser semanal. "Eu acho que essa readequação na alimentação precisa de acompanhamento mais próximo." Ainda assim, pelo menos uma vez ao ano ela faz todos os exames indicados para ver se houve alguma alteração a ser considerada.

Samuel Gê/Encontro
O empresário Rodrigo Simões, com a médica Mariane Tarabal: "Depois que fiz 40 anos, comecei a perceber que o corpo muda, ficamos um pouco mais lentos, com o sono mais difícil e com mais chances de ganhar peso" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Na fase inicial da reeducação alimentar, a nutricionista Nina Caselato recomenda que os clientes façam acompanhamento de 30 a 45 dias, pelo menos. "Depois que alcançam essa meta, recebem uma pré-alta e o prazo de consulta pode ser de seis meses e até um ano." Na primeira visita, ela costuma pedir os exames de sangue tradicionais e avaliação das vitaminas. "A partir daí analiso as deficiências nutricionais e posso até pedir o mapeamento genético", diz. A procura maior em seu consultório costuma acontecer de novembro a março, em função do verão, quando as pessoas costumam expor mais o corpo. Além disso, entre as metas de início de ano de um batalhão de pessoas, tem sempre um item presente: emagrecer. "Cerca de 70% dos meus clientes me procuram, num primeiro momento, por questão estética", afirma. contudo, depois que passam a se alimentar melhor e a perder gordura corporal, começam a notar melhorias na saúde e qualidade de vida. "E muita gente deixa de tomar medicamentos para gastrite, insônia, ansiedade e colesterol. Isso tudo estimula a seguir com o plano alimentar", diz Nina.

O seu acompanhamento é individual e ela costuma montar um "quebra-cabeça" da rotina de cada cliente. Os vilões da alimentação, segundo Nina, são os doces, carboidratos e muitos deslizes no fim de semana. Esses alimentos podem ser substituídos por coco, castanhas e mais proteína, como o ovo. Frutas grelhadas e assadas com canela podem enganar a vontade de comer doce. "O nosso corpo é como um carro. Se colocar gasolina ruim, vai falhar. Costumamos comer o dia inteiro e é preciso sempre avaliar se o combustível é bom ou ruim, do contrário, pode dar defeito", diz.

A saúde dos olhos também merece a acompanhamento anual, afirma Gustavo Carlos Heringer, diretor-presidente e médico oftalmologista do Centro Oftalmológico de Minas Gerais. "É necessário o check-up em todas as idades, para ver se o grau estabilizou ou sofreu alteração", diz. Quem não usa óculos precisa avaliar se ainda não há necessidade. "Sintomas como dor de cabeça, intolerância à luz e coceira podem ser sinais de que vai ser preciso usar óculos", observa Gustavo. No verão, a conjuntivite é mais comum e por isso é indicado procurar o oftalmologista se houver vermelhidão, coceiras, ou secreção. "E é bom que isso seja feito antes do início do ano letivo escolar ou da volta às aulas", diz. Algumas doenças silenciosas, como o glaucoma, a catarata e o diabetes, podem evoluir se não forem tratadas precocemente.

A recepcionista Daiane Bicalho da Cruz Tavares, de 21 anos, costuma reservar uns dias das férias para cuidar da saúde. "Comecei cedo, pois não quero ver o tempo passar e depois sentir que deixei essa parte tão importante de lado", diz. Ela vai anualmente ao ginecologista, dentista e oftalmologista, além de estar sempre atenta ao calendário de vacinas. O cuidado especial é com os olhos, pois usa óculos há quatro anos e no ano passado descobriu que tem toxoplasmose. "No ano passado, foi constatado no olho direito e, agora, no esquerdo", diz. Além das visitas aos médicos, ela dá atenção à alimentação e à atividade física. Faz musculação, spinning e zumba de segunda a sábado e procura se alimentar a cada três horas, orientada pelo namorado, que é professor de educação física.

Algumas doenças manifestam-se ainda pela boca e por isso o odontologista não pode ficar de fora da maratona do check-up. "O foco de bactéria na boca traz riscos. As que causam problemas de gengiva, por exemplo, têm afinidade com o músculo cardíaco", explica Carlos Bruno Cordeiro, especializado em implante e prótese e dono da Clínica Carlos Cordeiro Odontologia. A ferida ou sangramento na boca podem indicar também diabetes e as feridas persistentes, até sinal de câncer. "A boca é indicativo de saúde em geral e não dá para fazer só a limpeza", diz Carlos. De qualquer forma, a limpeza é importante para não deixar acumular a placa bacteriana, que pode trazer sérios riscos à saúde.

Alexandre Rezende/Encontro
A decoradora de eventos Nádia Pinheiro reserva os primeiros meses do ano para visitas a médicos: "É importante, pois assim podemos detectar possíveis alterações antes que se agravem" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O calendário de vacinas é outro cuidado fundamental. No grupo de crianças, esse acompanhamento deve ser quase mensal. Entre os adultos, ainda há a cultura de que vacina é coisa de crianças. "A consequência é que observamos coberturas vacinais muito aquém do esperado, com risco de ressurgimento de doenças como caxumba e coqueluche", afirma o imunologista e pediatra Tiago Guimarães, consultor de vacinas do laboratório Geraldo Lustosa. Ele ressalta que algumas vacinas entraram no calendário vacinal nos últimos dez anos e alguns adultos com mais de 35 anos podem não ter recebido, por exemplo, vacina contra hepatite B, doença que pode levar a complicações do fígado e cirrose. "É importante que o adulto procure o médico para estudar o cartão vacinal", afirma.

Os adolescentes podem ainda tomar a vacina contra o HPV, doença que pode causar tumores malignos na região genital. As gestantes devem se vacinar contra coqueluche depois de 20 semanas de gravidez e as pessoas com mais de 60 anos, contra pneumonia. "Há o calendário para crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos", explica Tiago. A orientação, diz, vai depender da saúde de cada um. "Se a pessoa receber duas doses de uma mesma vacina, não ficará "superimunizada", pois seu sistema imunológico já terá sido estimulado na primeira dose", diz. Mas as vacinas podem provocar efeitos indesejáveis, como coceira na pele e vermelhidão. "Por isso recomendamos guardar os cartões para documentar o histórico vacinal e evitar aplicações desnecessárias", diz Tiago.

Os moradores de estados com incidência de febre amarela, como Minas Gerais, devem ter cuidado redobrado com a vacina, tomada em dose única. "Vai depender da história de cada pessoa. Quem nunca teve catapora, por exemplo, deve tomar a Varicela, em duas doses e com intervalo de um mês", afirma José Geraldo Leite Ribeiro, diretor científico da Clínica de Vacinas Imunológica.

A decorada de eventos Nádia Pinheiro, de 53 anos, reserva os primeiros meses do ano para visitas ao ginecologista, dermatologista, oftalmologista, angiologista e cardiologista. Ela não tem nenhum problema sério de saúde, mas faz check-up há mais de 20 anos. "É importante, pois assim podemos detectar possíveis alterações antes que se agravem", diz. Na família, já teve casos de pressão alta, varizes, câncer de pele e doença de Parkinson. "Acredito que devemos sempre estar atentos às doenças que sofrem ou sofreram nossos pais, pois acho que a genética representa a maior parte dos problemas de saúde que poderemos ter", diz. Apesar de o início de ano ser um bom período para colocar a saúde em dia e recarregar as baterias, os especialistas lembram que muitas vezes as pessoas chegam das festas e férias com alterações no corpo. As mudanças na rotina podem refletir em alterações nos exames, como aumento do colesterol, do peso e pior desempenho no condicionamento físico. Para quem extravasou além da conta, então, é bom tentar pisar no freio antes de marcar as avaliações médicas.

Calendário da saúde

  • Faça os exames com acompanhamento médico, não analise os resultados sozinho

  • Procure marcar consultas e exames sempre na mesma época do ano, pois isso ajuda na referência

  • Leve os exames anteriores para comparações

  • Especialistas alertam que não basta apenas o check-up anual. É importante ter hábitos saudáveis e incluir na rotina cuidados com alimentação e prática de atividades físicas

Principais exames

Para homens e mulheres

  • Exames laboratoriais (sangue, urina e fezes)

  • Exame cardiológico/eletrocardiograma

  • Teste ergométrico

  • Ultrassonografia (abdominal total, pelve, tireoide e vasos cervicais)

  • Retossigmoidoscopia (somente pacientes com idade entre 50 e 59 anos) e colonoscopia para os clientes acima de 60 anos

Só para mulheres

  • Mamografia (somente pacientes com idade igual ou superior a 40 anos)

  • Avaliação ginecológica (com Papanicolau)

Só para homens

  • Exame urológico (para homens a partir dos 45 anos, toque prostático, que fornece informações sobre volume, consistência, presença de irregularidades, limites, sensibilidade e mobilidade da próstata)

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