Depois dos food trucks, agora são as food bikes que estão fazendo sucesso em BH

Conheça alguns empreendedores que deram a largada de seus negócios pedalando

por Rafael Campos 22/03/2018 14:23

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Ronaldo Dolabella/Encontro
Camila e Rosana Rodrigues, à frente da Let%u2019s Alfajor: "Acabamos virando uma confeitaria", diz Camila (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Camila Rodrigues, de 26 anos, tinha o sonho de se formar em medicina. Terminou o ensino médio e rumou para um cursinho pré-vestibular. Estudou durante cinco anos, mas não conseguiu passar. Lembrou-se de uma brincadeira de colégio, quando deixou que a fotografassem ao lado de uma placa com os seguintes dizeres: "Se tudo der errado: Alfajor". Não deu outra. Ela era famosa na escola pelos saborosos doces que fazia e em 2015 pensou em vender a sobremesa em um food truck, negócio que virou febre naquele ano. Como o veículo era muito caro, desistiu da ideia e resolveu migrar para a bicicleta. Com 1 mil reais comprou uma magrela no ferro velho, um exemplar antigo dos Correios. Com a ajuda da mãe, Rosana Beatriz Rodrigues, deu um tapa no visual da bicicleta, comprou dois cestinhos no Mercado Central, produziu alfajores e pedalou em direção à praça Leonardo Gutierrez, no bairro Gutierrez. Em apenas dois dias, recuperou o valor do investimento e abriu as portas para que outras food bikes entrassem no mercado.

Não demorou muito e Camila teve de comprar outra bike. "Em um dia, chegávamos a ter três eventos para fazer." O triciclo, com um baú para levar as delícias, foi necessário para servir grandes festas. Hoje, além dos alfajores, mãe e filha, que viraram sócias, vendem alfajor no pote, bolo de cenoura, bolo gelado, torta de alfajor e até sorvete de alfajor. "Acabamos virando uma confeitaria", diz Camila, que teve de abrir um ponto fixo – também no Gutierrez – para concentrar as produções da Let’s Alfajor, diante da grande demanda. Em 2017, o lucro foi de aproximadamente 70 mil reais. Neste ano, a expectativa é de faturar mais de 100 mil reais.

Alexandre Rezende/Encontro
Carolina Coscarelli, da Chocake: "Começamos a vender na porta de casa e foi um sucesso" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
A estudante de direito Carolina Coscarelli, de 22 anos, também deu a largada em seu negócio pedalando. Os cupcakes, antes um quebra-galho para ajudar a pagar a formatura do colégio, transformaram-se em coisa séria. Já na faculdade de direito, Carolina parou de vender os doces, mas as encomendas não cessaram. Foi o motivo para organizar as vendas e levar as gostosuras para outros lugares. O triciclo foi comprado em São Paulo, mas o baú foi feito em BH. "Começamos a vender na porta de casa, no Funcionários, em 2015. Foi um sucesso", diz Carolina. Em outubro do mesmo ano, investiu em uma Kombi, o que só foi possível graças ao faturamento proporcionado pela magrela. Hoje, a página de sua empresa no Instagram, a Chocake, possui cerca de 40 mil seguidores. A oferta de produtos foi diversificada. Atualmente, ela comercializa bolo no pote, amor em pedaços, fatias de bolo, brigadeiro e cookies.

Mas food bike não é sinônimo apenas de doces e sobremesas. Bruna Amaral, de 35 anos, abriu há três a Magaly Sucos, um carrinho de picolé que foi transformado em triciclo. "Sentia falta de produtos naturais nesse ramo. Por isso, hoje vendo saúde", diz ela. Sua carta de bebidas é recheada com sucos 100% da fruta. Entre os mais procurados estão laranja com morango, melancia com limão, frutas vermelhas e limão com morango. Os valores vão de 5 reais a garrafinha de 200 ml a 50 reais o galão de cinco litros. Por 3 reais e 50 centavos é possível ainda levar um potinho com salada de frutas selecionadas. Em 2016, a bike fez com que Bruna abrisse uma loja de alimentação saudável, onde serve também almoço. "Muitos dos clientes da loja vieram depois de conhecer a bike", diz Bruna.

Violeta Andrada/Encontro
Bruna Amaral, da Magaly Sucos: "Sentia falta de produtos naturais nesse ramo. Por isso, hoje vendo saúde" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Por causa da legislação municipal, as food bikes não podem estacionar em qualquer lugar. Por isso, o foco são eventos fechados, como casamentos, congressos ou feiras gastronômicas. O projeto de lei 281/2017, de autoria de 22 vereadores e que está tramitando em primeiro turno na Câmara Municipal de BH, quer inserir o negócio no código de posturas da cidade.

Enquanto isso, o bom e famoso café mineiro está pegando carona no triciclo O Meu Café. A food bike, de Marcelo Carvalho e Regina Alvares, começou a circular em eventos há dois anos. O triciclo retrô foi comprado em São Paulo e permite não apenas vender a bebida, mas disseminar a cultura do café especial. "Nosso café é feito com o grão maduro e não há aditivo algum", diz Marcelo. Até o fim do ano, pelo menos 22 eventos em BH terão o triciclo com a bebida mais famosa de Minas como atração. Além do cafezinho, os clientes podem saborear capuccino, bolo, brownie e pão de queijo. "A bicicleta nos permite levar uma experiência gastronômica nos mais distintos lugares", afirma Marcelo. Pelo visto, de bike é mais gostoso, sustentável e lucrativo.

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