Banda formada por jovens de BH vai tocar em festival internacional em Liverpool

A Poison Gas será o primeiro grupo infantojuvenil a se apresentar na International Beatleweek

por Marinella Castro 10/08/2018 14:09

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Ronaldo Dolabella/Encontro
Os meninos da Poison Gas repetem, na esquina das ruas dos Inconfidentes e Piauí, a famosa pose dos Beatles na Abbey Road (foto abaixo): primeira banda infantojuvenil a tocar na International Beatleweek, em Liverpool (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Em 2016, quatro meninos fãs de rock'n'roll se conheceram em uma sala do 7º ano do Colégio Santo Agostinho. Eles tinham entre 11 e 12 anos e o encontro parecia ter sido combinado. Todos estudavam música desde muito pequenos e estavam em uma mesma sintonia: sonhavam ter uma banda. Assim, na sala de aula nasceu a Poison Gas, uma banda de crianças querendo tocar como gente grande. Já são dois anos juntos e, para a última semana do mês de agosto, está marcado o maior desafio da carreira de Gabriel Colen, Rafael Baino, Pedrinho Ferreira e Davi Leão. Os quatro levam para a Inglaterra a responsabilidade de ser a primeira banda infantojuvenil a tocar na International Beatleweek, festival que acontece há 30 anos em Liverpool. Neste ano, é esperada a participação de 45 bandas com artistas de 40 países.

Reprodução
A icônica foto dos Beatles na Abbey Road (foto: Reprodução)
O convite para representar Minas e o Brasil na terra da rainha surgiu quando os meninos foram vistos pelo inglês Clark Gilmour, um dos responsáveis pelo festival britânico. "Os organizadores assistiram à nossa apresentação na Beatle Week de BH e gostaram do que a gente mostrou", diz o guitarrista e backing vocal Pedrinho. "Tocamos músicas conhecidas, como Come Together e outras do lado B (menos populares), só que de um jeito bem rock'n'roll." Para o baterista, Rafael, o convite foi uma surpresa, mas também um sinal de que vale a pena seguir em frente. "Foi um reconhecimento do nosso trabalho, por isso estamos tão felizes", diz. E, para fazer bonito no festival, os ensaios estão a todo vapor. "Estamos preparando 17 músicas e queremos mostrar novidades, sem mesmices", afirma o baixista, Davi Leão, que também domina os teclados. Eles estão desenvolvendo versões diferentes para clássicos como Think for Yourself, Happiness Is a Warm Gun e I Want You. Durante quatro dias em Liverpool, a garotada vai fazer dois shows diários no Cavern Club, onde os Beatles costumavam se apresentar, e vão participar de shows no hotel temático Hard Days Night e no Hotel Adelphi.

Divulgação
Os músicos Gabriel Colen, Davi Leão, Rafael Baino e Pedrinho Ferreira: eles se conheceram na sala de aula do Colégio Santo Agostinho (foto: Divulgação)
A apresentação internacional será a primeira da carreira da Poison Gas, que tem em seu repertório, além dos covers dos Beatles, canções de bandas como Led Zeppelin, The Cure, Guns N' Roses, Pink Floyd e Nirvana. Apesar da pouca idade, os meninos levam o trabalho com profissionalismo de gente grande. Eles já se apresentam em bares considerados do circuito do rock. "Com cachê", gostam de frizar. No recente festival Planeta Brasil, que aconteceu no Mineirão, dividiram espaço com Skank e Planet Hemp e já fizeram aberturas para bandas de rock. Mas quando exatamente surgiu a paixão da Poison Gas pela música? Para a maioria dos integrantes da banda, a partir dos 7 anos de idade, acompanhando o ritmo das famílias. "Desde criança gostava de escutar rock. O que mais gosto no estilo é a pureza dos instrumentos", explica o vocalista e também guitarra base, Gabriel. Ele considera que o cenário do rock no mundo contemporâneo é underground, mas defende que, quanto mais as novas gerações forem apresentadas ao ritmo, mais vão se render ao estilo.

Apoiados pelas famílias, os garotos seguem em frente. "O rock'n'roll é um tipo de música que exige estudo, virtuosismo nos instrumentos", acredita o arquiteto e produtor musical da Poison Gas, Gustavo Fonseca, pai de Davi. Para ele, o contato com os instrumentos desde muito cedo ajudou o quarteto a se apaixonar pelo gênero. "Assistir a shows também ajuda a desenvolver esse sentido, a formar o gosto musical. Eu me lembro quando Davi foi pela primeira vez ao show do Paul McCartney. Ele tinha 9 anos e voltou muito entusiasmado." E com essa responsabilidade toda, a meninada rock'n'roll vai bem na escola? "Vai, sim, se não estudar, não tem ensaio", garante o pai de Pedrinho, Alexandre Ferreira, consultor empresarial e produtor executivo da Poison Gas. O sonho da banda, que já tem quatro músicas autorais, é, com o tempo, deixar de ser cover. "Escolhemos o nome Poison Gas (Gás Venenoso) porque queremos injetar o rock'n'roll no público e contagiá-lo com nossa música, infectar as pessoas com esse gás venenoso", diz Pedrinho. Enquanto se preparam para mostrar o melhor dos Beatles para uma legião internacional de fãs, em Belo Horizonte, Gabriel, Rafael, Davi e Pedrinho já ensaiaram, para a abertura desta reportagem, uma pose em homenagem aos ídolos, no melhor estilo Abbey Road. Agora, prometem repetir a cena na rua original.

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