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Estado de Minas CULTURA | ARTES PLáSTICAS

Vânia Braga promete nova série de esculturas

Recém-recuperada de uma grave cirurgia, a artista plástica mineira fala sobre suas experiências e promete surpreender o público em breve


postado em 22/02/2019 16:15 / atualizado em 22/02/2019 16:22

A artista plástica Vânia Braga posa com uma de suas esculturas e comemora a sua recuperação:
A artista plástica Vânia Braga posa com uma de suas esculturas e comemora a sua recuperação: "A proximidade com a morte me fez ainda mais forte e disposta. Quero celebrar a vida" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Não seria exagero dizer que assim como a Fênix da mitologia grega, a artista plástica Vânia Braga, de 54 anos, driblou a morte e ressurgiu das cinzas. Por duas vezes, inclusive. Como a própria artista diz, nada com ela é mais ou menos, tudo é muito intenso. A primeira vez que quase perdeu a vida foi aos 23 anos, quando, após um grave acidente de carro, permaneceu por um ano e dois meses hospitalizada. O que a princípio era tido apenas como uma tragédia acabou se transformando em uma linda história de amor. Foi nessa época que conheceu o marido, o neurocirurgião Gustavo Valadão, com quem é casada há 25 anos. Foi ele, inclusive, que salvou a sua vida, façanha que, sem saber, iria repetir recentemente, em outubro de 2018, quando a mulher subitamente sofreu um aneurisma cerebral. Dessa vez, foram 22 dias no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI), a maioria deles, inconsciente. "Teve momentos que o meu próprio marido acreditou que eu não sobreviveria", diz ela. Em seu apartamento, no bairro Gutierrez, pela primeira vez após a cirurgia, Vânia falou publicamente sobre os dois meses em que lutou bravamente pela vida, e como a arte a ajudou.

Por muitas vezes Vânia se emocionou ao recordar os dias que passou sobre o leito do hospital, sem falar ou andar. Os movimentos foram recuperados aos poucos, mas a vontade de viver e de produzir voltou com força total. "Por incrível que pareça, enquanto estava internada, tive muitos sonhos bons", lembra. "Sonhava que estava trabalhando com a argila e esculpindo peças." Conhecida como a artista dos felinos, leva consigo a elegância e leveza dos bichanos. Vaidosa, assim que se recuperou, foi ao salão de beleza e topou o desafio de assumir um corte de cabelo mais ousado.

A marca registrada da artista são os felinos: leveza, elegância e movimento(foto: Rui Alves Luís/Divulgação)
A marca registrada da artista são os felinos: leveza, elegância e movimento (foto: Rui Alves Luís/Divulgação)
Mal voltou à ativa e já se prepara para lançar, em meados do ano, uma nova série de esculturas. O objetivo é produzir obras com muito movimento. O tema? "Ainda não posso divulgar, mas garanto que vai surpreender a todos", diz. Suas inspirações vêm também da infância em Pedro Leopoldo, sua cidade natal, especialmente do convívio com o pai, o pintor Alberto Braga. Foi lá que cresceu brincando com os amigos na olaria que ficava ao lado de sua casa. "Ali começou a minha paixão pela argila." Aos 5 anos de idade ganhou o seu primeiro cavalete, pincéis e paleta. Até os 15 se dedicou à pintura, depois se voltou para as esculturas, das quais nunca mais se afastou. Aos 20 anos, com o apoio do irmão, o marchand Vitor Braga, inaugurou sua primeira galeria de arte.

Em 2014, seu trabalho ficou conhecido no Brasil e no exterior, após a exibição de cinco de suas esculturas de animais no programa Big Brother Brasil, da Rede Globo. Apareciam na telinha dois felinos, um rinoceronte e dois hipopótamos. Vânia também se destaca na produção de monumentos que chegam a 4 metros de altura. Figuras importantes da história brasileira como Oscar Niemeyer, Burle Marx e Juscelino Kubitschek já foram esculpidas pela artista. Mas a que mais a emocionou foi a escultura do médium mineiro Chico Xavier. "Eu me senti honrada por poder perpetuá-lo." Feita com 250 quilos de bronze, sentada em um banco, a peça pode ser admirada na praça central de Pedro Leopoldo. Como se lembrasse à artista que a vida e a morte ainda são um verdadeiro mistério.

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