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Estado de Minas BEM-ESTAR

Até zika pode causar a Síndrome de Guillain-Barré

Doença causa paralisia flácida generalizada


postado em 16/11/2018 12:25 / atualizado em 16/11/2018 12:12

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

A atriz Giovanna Lancelotti interpretou na novela Segundo Sol, exibida recentemente pela TV Globo na faixa das 21h, uma personagem diagnosticada com a chamada Síndrome de Guillain-Barré, fato que chamou atenção para a doença. A condição é caracterizada por uma inflamação dos nervos, decorrente de uma alteração do próprio sistema autoimune, que começa a produzir anticorpos que atacam essas estruturas sensoriais, causando a disfunção.

"Tecnicamente é uma doença autoimune que acomete a mielina dos nervos periféricos de forma aguda ou subaguda. A causa exata ainda não é conhecida, somente o envolvimento do sistema imunológico é bem definido, mas sendo uma doença autoimune, todos podem desenvolvê-la", comenta o neurocirurgião Fábio Sparapani, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
Segundo o especialista, cerca de 60% a 70% dos pacientes apresentam alguma doença aguda entre uma e três semanas antes do aparecimento dos sintomas da Síndrome de Guillain-Barré. Geralmente são infecções bacterianas ou virais, como a influenza, pneumonias, HIV e até o vírus da zika. Menos frequentemente, estão também relacionadas ao problema cirurgias, imunização e gravidez, que também podem desencadear a doença.

A enfermidade é classificada como a maior causa de paralisia flácida generalizada no mundo, com incidência anual de um a quatro casos por 100 mil habitantes e pico de incidência entre 20 e 40 anos de idade.

"Os sintomas da doença, na maioria dos pacientes, começam com formigamentos, geralmente nos pés e depois nas mãos. Mas o que normalmente leva as pessoas a procurar auxílio médico é a fraqueza progressiva que atinge, inicialmente, as pernas e depois sobe para os braços, tronco, cabeça e pescoço. Além disso, a dor lombar ou nas pernas pode afligir metade dos pacientes", esclarece o médico.

A doença costuma progredir entre duas e quatro semanas. Depois desta fase de piora progressiva, a síndrome se estabiliza por vários dias e inicia-se o processo de recuperação gradual da função motora, o que pode levar meses. De acordo com o neurocirurgião, a maioria dos pacientes, com o tratamento adequado, apresentarão algum grau de recuperação, mas estima-se que apenas 15% deles ficarão totalmente recuperados e que de 5% a 10% terão sequelas motoras e/ou sensitivas graves, apesar do tratamento.

O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico do paciente. Para afastar outras doenças semelhantes, podem ser solicitados exames secundários, como a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e testes eletrofisiológicos como a eletroneuromiografia.

"O tratamento da Síndrome de Guillain-Barré deve ser feito numa instituição com capacidade para dar suporte às possíveis necessidades do paciente, principalmente se o problema evoluir para insuficiência respiratória e precisar de ventilação mecânica. Com base na literatura médica, a imunoglobulina humana intravenosa tem sido o principal tratamento de escolha, por apresentar resultados similares, mas uma menor taxa de complicações, quando comparada com a plasmaférese, outro tipo de tratamento consagrado", diz Fábio Sparapani.

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