Revista Encontro

Educação

Pais de alunos protestam contra retirada de livro sobre 'novas famílias'

Obra que fala sobre uma menina adotada por uma mãe solteira com dois filhos gerou polêmica em colégio católico de Brasília

Da redação
Sara é adotada.
Ela vive numa família composta de uma mãe e dois irmãos. A comemoração do Dia dos Pais na escola nunca foi motivo de festa para ela. Na verdade, era um dia de tristeza e vergonha diante dos coleguinhas. Os sentimentos de Sara se transformaram em um livro pelas mãos de sua mãe, Gisele Gama Andrade. A Família de Sara, que está disponível para ser baixado, é só um dos 17 títulos inspirados na menina para tratar de várias questões ligadas à cidadania. A temática parece retratar o cotidiano de muitas famílias brasileiras, mas a obra causou polêmica ao ser retirada da lista de livros recomendados em uma escola de Brasília.

O livro não agradou a alguns pais de alunos do 2° ano do colégio Marista, um dos mais tradicionais de Brasília. Segundo a assessoria de imprensa da escola, algumas famílias questionaram a adoção da obra.
A instituição retirou o livro da lista que integra o planejamento pedagógico para o próximo ano. Em nota, negou que as reclamações tenham motivado a decisão: "Anualmente, a lista de livros paradidáticos é alterada, tendo em vista o grande número de lançamentos do mercado editorial que contribuem para complementar os estudos em diversas áreas. Para 2016, o livro A Família de Sara, assim como vários outros títulos, não estará na lista de livros paradidáticos do colégio Marista de Brasília (Maristinha)".

A decisão gerou descontentamento de outras famílias, que se manifestaram em favor do livro pela internet e criaram a campanha #voltasara nas redes sociais.

Apoiado por pais que compartilham dessas ideias do livro, o movimento #voltasara ganhou força especialmente no Facebook. Além de pedir a volta da adoção do livro paradidático pela escola, os defensores da causa abordam assuntos relacionados ao tema do livro reacendem o debate sobre a definição da configuração familiar adotada no Estatuto da Família, aprovado recentemente por uma comissão da Câmara dos Deputados.

A própria menina Sara explicou a polêmica em um vídeo divulgado no Facebook:



Na opinião da autora do livro, Gisele Gama Andrade, a reação das famílias mostra que a obra reflete a realidade brasileira: "Essa postura da escola extrapola seus muros. Não se trata mais do livro, mas de uma atitude que exclui as famílias que não se configuram como pai e mãe com horários disponíveis para estar na escola nas festas. A atitude da escola é a da invisibilidade dessas famílias. Brasileiro é 'gente boa'. No entanto, vejo o tempo todo em minha casa o reforço à exclusão. O livro, assim como os demais que escrevi, visa a esse debate".

Procurada pela reportagem do Portal EBC, a escola informou que não pretende rever a decisão.

(com Portal EBC)

Confira abaixo a obra completa:
.