Revista Encontro

Meio-ambiente

Sabia que a pecuária contribui para o aquecimento global?

O motivo é a emissão do gás metano proveniente do processo de digestão de animais como bois e vacas

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A atividade industrial, especialmente as empresas que utilizam grandes fornos movidos a carvão, e os veículos que consomem combustíveis fósseis são apontados como os grandes vilões do aquecimento global.
O que nem todos sabem, porém, é que o setor agropecuário também influi para o aquecimento da terra.

Em entrevista para a Rádio USP, a professora Sílvia Helena Galvão de Miranda, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, esclarece que a pecuária é uma grande contribuinte para o aumento dos poluentes na atmosfera, devido principalmente ao processo digestivo dos animais – conhecido como fermentação entérica. "Os herbívoros ruminantes produzem metano. O metano, um dos gases formadores do chamado efeito estufa,  também decorre da produção de dejetos por esses animais e de sua deposição nas pastagens", explica a especialista.

De acordo com a professora, poderia haver um controle e a redução dessas emissões se houvesse um melhor manejamento do sistema de pastejo, da qualidade da pastagem e do alimento consumido pelo animal. Por isso, é importante instruir os pecuaristas no sentido de que os bovinos se alimentem com material de melhor qualidade, propiciando que engordem mais rapidamente, o que, por outro lado, reduziria o tempo necessário entre o nascimento e o abate.

No Brasil, ainda segundo Sílvia Miranda, a média de idade dos animais que vão para abate é muito elevada. Se esse intervalo fosse diminuído, haveria, em consequência, uma menor emissão de gases. Ela lembra ainda que uma das formas de melhorar a pastagem é adubá-la com fertilizantes, mas, o uso de químicos à base de nitrogênio também contribui para a emissão de gases. "É exatamente aí que entra a importância da pesquisa, para que se trabalhe na atividade de extensão e assistência técnica, levando essas informações para o produtor de uma forma que consiga compreender os benefícios, de modo a ajudar o setor produtivo a absorver todo esse conhecimento sem prejudicar a sustentabilidade do setor", destaca a professora da USP.

(com Rádio USP).