Revista Encontro

Patrimônio

Existe um 'calendário' em Minas Gerais que traz a previsão do tempo do ano todo

A 'Folhinha de Mariana' é uma tradição e serve de modelo para muitos agricultores

Vinícius Andrade
Em meio à era da tecnologia em que as máquinas comandam quase tudo, existem ainda algumas relíquias que resistem ao tempo e continuam sendo úteis.
É o caso da chamada "Folhinha de Mariana", com 148 anos de história, regada de simplicidade, mas, sobretudo, de valiosas informações. O registro dos dias do ano, a previsão do tempo para os 12 meses e a orientação sobre a época do cultivo são algumas das utilidades apresentadas no anuário.

Para muitas pessoas, a Folhinha Eclesiástica de Mariana é a consulta certeira para saber se o dia será chuvoso ou ensolarado. "Ano passado, recebi a ligação de uma juíza de São Paulo que iria fazer a festa de 15 anos da filha dela. A mulher disse que já tinha visto a previsão na TV, mas queria saber o que a 'Folhinha de Mariana' estava prevendo para o dia da comemoração", conta o padre Darci Fernandes Leão, diretor da gráfica Dom Viçoso, da cidade histórica de Mariana, em MInas Gerais, responsável por produzir o material.

Segundo ele, as previsões são baseadas em um estudo feito a partir do Lunário Perpétuo, um livro raro que contém tabelas com cálculos para descobrir o regulamento do tempo. De acordo com o padre, só existem dois exemplares originais no mundo – um está em Portugal e o outro em Mariana. O conteúdo foi escrito em terras lusitanas, no século XVII, por um autor desconhecido, baseado em observações astrológicas. A obra fica guardada a "sete chaves".

"Mesmo com a natureza sendo modificada pelo homem, as previsões continuam funcionando.
Às vezes vemos a meteorologia errando a previsão do dia, mas a da 'folhinha', feita de um ano para o outro, acerta na maioria das vezes", garante o religioso. Outro conteúdo marcante da peça histórica é o nome dos santos. Para cada dia do ano a publicação religiosa informa qual é o santo do dia, o que serve de inspiração para muitos pais escolherem os nomes dos filhos.

Reconhecida como Patrimônio Imaterial, a Folhinha Eclesiástica da Arquidiocese de Mariana, nome completo da publicação, apresenta ainda orações, instruções religiosas, tabela do amanhecer e do anoitecer, datas das festas, feriados, época de plantio, resoluções do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e dados biográficos do papa Francisco. Ela surgiu em 1870, pelo bispo, professor e poeta dom Silvério Gomes Pimenta.

Como adquirir

A "Folhinha de Mariana" ainda pode ser encontrada em bancas tradicionais da cidade da região central de Minas Gerais, e em Belo Horizonte. Segundo padre Darci, cerca de 400 mil exemplares são impressos todos os anos. Os interessados em adquirir podem realizar os pedidos pelo e-mail (edv@graficadomvicoso.com.br) ou por telefone: (31) 3557-1233..