A leitura do texto foi conduzida pela coordenadora-geral do Fórum, Raquel Hallak, que destacou o caráter coletivo e processual da Carta. Segundo ela, o documento não se encerra em si mesmo, mas depende de continuidade e engajamento para produzir efeitos concretos.
. “A efetividade da Carta de Tiradentes 2026 dependerá do compromisso contínuo de todos nós, profissionais, instituições, redes e territórios representados aqui, em difundir, incorporar e transformar essas proposições em práticas concretas”, afirmou Raquel.
. Durante sua fala, a coordenadora reforçou que o encerramento do Fórum não representa o fim do debate, mas a abertura de uma agenda compartilhada de trabalho. “O Fórum termina hoje, mas o trabalho que ele propõe começa agora”. Ela defendeu a manutenção do diálogo entre os diversos agentes do setor e o fortalecimento das articulações construídas ao longo do evento, destacando que o cenário atual exige cooperação, inovação e sustentação de políticas públicas estruturantes.
. A Carta de Tiradentes 2026 parte do reconhecimento de avanços recentes no campo do audiovisual, como a reconstrução do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual, além da projeção internacional alcançada por produções brasileiras nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o documento aponta riscos à continuidade dessas políticas, sobretudo em um contexto de instabilidade institucional e de ano eleitoral.
. O texto reafirma a necessidade de maior convergência entre União, estados e municípios como forma de enfrentar desigualdades regionais e consolidar um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização e no planejamento de longo prazo.
. Entre os eixos centrais destacados estão o reconhecimento do audiovisual como estratégia de Estado, a convergência na gestão dos mecanismos de fomento, a regulação das plataformas de vídeo sob demanda (VoD) e a ampliação da presença internacional do audiovisual brasileiro. A Carta defende a aprovação da regulação do streaming, com fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual, garantia de cotas e maior visibilidade para obras brasileiras independentes.
. O documento também aponta a necessidade de ampliar o acesso e a formação de públicos, por meio de políticas de comunicação, educação audiovisual e valorização da experiência coletiva nas salas de cinema e em circuitos não comerciais.
. Outras prioridades listadas dizem respeito à governança e à participação social, à aprovação de marcos legais no Congresso Nacional, ao aprimoramento das políticas de fomento direto, à inclusão da exibição como eixo das políticas públicas e à proteção da cadeia de direitos autorais e trabalhistas. A Carta também destaca a importância da formação audiovisual, da preservação da memória, da qualificação de dados e da ampliação do depósito legal obrigatório.
Leia a carta na íntegra aqui.