Revista Encontro

Arquitetura

CASACOR define tema de 2026 e anuncia data da mostra em Belo Horizonte

Conceito orienta reflexões sobre o morar contemporâneo e foi apresentado no evento anual de tendências da plataforma, em São Paulo

Da redação
Iluminação do Edifício Izabela Hendrix foi um dos legados deixados pela última edição da CASACOR em Minas - Foto: Jomar Bragança/Divulgação
A CASACOR definiu Mente e Coração como o tema que vai orientar sua proposta criativa em 2026. O conceito foi apresentado durante o Eixos CASACOR, evento anual de tendências realizado no Sesc Pompeia, em São Paulo, que reuniu representantes das edições que integram a rede CASACOR no Brasil e no exterior. A direção da CASACOR Minas participou do encontro e já anunciou que  31ª edição da mostra no estado será realizada entre os dias 15 de agosto e 27 de setembro, em Belo Horizonte.
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Maior plataforma cultural de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas, a CASACOR construiu o tema a partir de estudos de cenários e tendências conduzidos por sua equipe curatorial. A apresentação contou com participações da arquiteta potiguar Viviane Telles, do líder espiritual guarani Carlos Papá e da psicanalista Maria Homem, que abordaram diferentes dimensões das inteligências orgânica, manual, ancestral e emocional, alinhando o debate às reflexões que a marca pretende aprofundar nos próximos anos.
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A proposta criativa para 2026 convida profissionais e marcas a repensarem a casa como espaço de cura, acolhimento e autocuidado, em resposta ao excesso de informações e às angústias provocadas pela hiperconectividade e pela presença cada vez mais intensa da inteligência artificial no cotidiano. Entre os fenômenos observados está a Síndrome de FOMO, do inglês fear of missing out, caracterizada pelo medo de perder experiências, eventos e informações relevantes.
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O tema tem como base a pesquisa anual de macrotendências da CASACOR, que aponta para uma relação cada vez mais íntima entre o ser humano e os espaços que habita. Nesse contexto, a casa surge como um lugar que acolhe fragilidades e promove equilíbrio, em contraste com a lógica das redes sociais, que tende a expor apenas recortes idealizados da vida.
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Segundo Livia Pedreira, presidente do conselho curador, a pesquisa reforça a ideia da casa como refúgio físico e psíquico. “Nosso manifesto destaca que a reconexão com a morada experimentou um ápice no começo dos anos de 2020. Porém, a ideia da casa como porto seguro perdura e, agora, simboliza uma era ambígua, que nos empurra à exposição, mas demanda recolhimento. Nos vemos diante de um panorama de conflitos, desigualdade, eventos climáticos extremos e insegurança com o avanço da inteligência artificial. Ao passo que a angústia castiga a saúde mental, nosso abrigo se firma como território sagrado da busca pelo equilíbrio entre fora e dentro, corpo e espírito. No império da hiperconectividade, a casa coloca-se ainda como contraponto à exaustiva exigência por produtividade”.
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O Manifesto da CASACOR aprofunda esse entendimento ao sintetizar a proposta para 2026. “O casulo protege, mas também transforma. Sempre que nos abrigarmos nele, será possível trilhar o caminho da cura. Rodeados de móveis, objetos, lembranças, tradições e histórias cheias de sentido, nos reabastecemos de confiança para seguir. O resgate das inteligências psíquica, ancestral, orgânica e manual energiza e devolve o que é artificial para a caixa de ferramentas. Mais que isso, nos prepara para atuar em um planeta em burnout, que não suporta tantas dissociações. E convida a fazer convergir duas grandes forças que nós, humanos, carregamos conosco e funcionam muito melhor se pulsarem juntas: a mente e o coração”.
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Legado da CASACOR Minas 2025

A 30ª edição da CASACOR Minas, realizada entre agosto e outubro, deixou um conjunto de intervenções permanentes no Edifício Izabela Hendrix, que passará a abrigar a sede da PUC Minas Lourdes. Entre as melhorias realizadas estão a restauração dos pisos de madeira, a recuperação da pintura interna, a limpeza e o início do restauro da fachada frontal, a implantação do projeto de iluminação da fachada, a revitalização parcial dos jardins, a atualização dos vãos de portas, melhorias em acessibilidade, a revitalização de áreas externas e a implantação de novos banheiros de uso público.
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Também foi construído o Espaço de Formação do Arquiteto e Urbanista CAU/MG e PUC Minas, concebido para permanecer como auditório da universidade. Com 120 m² e capacidade para cerca de 100 pessoas, o ambiente foi projetado com arquibancadas em madeira, piso acarpetado e soluções acústicas e de iluminação que permitem diferentes configurações para palestras, apresentações e debates.
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A iluminação da fachada foi uma das intervenções de maior destaque da edição. O projeto é assinado pela arquiteta, urbanista e lighting designer Mariana Novaes, fundadora da Atiaîa. "Foi uma alegria fazer parte desta edição! Eu não imaginava que teria a oportunidade e a honra de iluminar a fachada do saudoso Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, onde estudei, e assim retribuir um pouco de tudo que recebi. O resultado do projeto ficará como legado para a PUC e para a cidade”.

Outro espaço que permanece como legado é o Banheiro: Curvas do Interior, Texturas do Tempo, assinado por Bruna de Sá e Chico Casarões, inspirado nas curvas da Serra do Curral e projetado para uso contínuo pela comunidade universitária.

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