Revista Encontro

Mostra

Exposição no MIS BH revisita a história da animação brasileira

"Do Traço ao Pixel" reúne obras, documentos e originais que percorrem mais de um século do cinema de animação no Brasil

Da redação
"O Menino e o Mundo" (2014), de Alê Abreu - Foto: Ale Abreu/Divulgação
A história da animação brasileira ganha uma leitura panorâmica a partir da próxima terça-feira (3) com a inauguração da exposição “Do Traço ao Pixel: Memórias da Animação Brasileira”, no Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH). A mostra propõe uma retrospectiva de mais de um século de produção animada no país, reunindo obras, documentos e materiais que ajudam a compreender a formação de uma linguagem própria no cinema de animação brasileiro.
.

A abertura acontece às 19h, com entrada gratuita, e conta com a atração Alta Fidelidade – 100% vinil, que aproxima a memória audiovisual e a cultura musical. A exposição integra as ações do projeto “Museus Centro – o percurso da memória de Belo Horizonte”, iniciativa que articula o MIS BH, o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) e o Museu da Moda (MUMO), em parceria com o Viaduto das Artes.
.

Com curadoria de Soraia Nogueira Garabini e Sávio Leite, a mostra apresenta um percurso cronológico que vai das primeiras caricaturas e vinhetas animadas do início do século XX às produções digitais do século XXI. O conjunto reúne originais, documentos, objetos e materiais de estúdios e realizadores que marcaram diferentes momentos da animação no Brasil, evidenciando como limitações técnicas foram transformadas em potência criativa ao longo do tempo.
.

Para a secretária municipal de Cultura, Eliane Parreiras, “Do Traço ao Pixel: Memórias da Animação Brasileira” dialoga diretamente com o Programa BH nas Telas, política pública da Prefeitura de Belo Horizonte para o fortalecimento do audiovisual como direito cultural, linguagem de expressão e vetor de desenvolvimento com o Programa BH nas Telas, política pública da Prefeitura de Belo Horizonte para o fortalecimento do audiovisual como direito cultural, linguagem de expressão e vetor de desenvolvimento. “Assim como o programa, a exposição valoriza a memória, incentiva a produção local, promove a formação de público e amplia o acesso da população às múltiplas linguagens do cinema, com especial atenção à animação. A exposição reafirma ainda a vocação, a dedicação e o talento de Belo Horizonte para a animação, cidade que se consolidou como polo de formação, criação e experimentação”, afirma.
.

Já a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, ressalta o papel do MIS BH na preservação e difusão da memória audiovisual. “Ao reunir materiais originais e documentos de diferentes épocas, a exposição reforça a importância dos espaços museológicos de preservar, catalogar e difundir esse patrimônio audiovisual. A animação aqui é apresentada como uma forma artística e expressiva, capaz de dialogar com múltiplos campos, como a educação, a indústria, a publicidade e a experimentação autoral”.
.

Além de apresentar marcos históricos, a exposição também chama atenção para os desafios da preservação da memória da animação brasileira, especialmente diante da fragilidade dos suportes analógicos e da obsolescência das mídias digitais. Para o curador Sávio Leite, “entre linhas e pixels, traz pela primeira vez a Belo Horizonte um material representativo dos principais realizadores da animação brasileira, como preciosidades de ‘Piconzé’, de Ypê Nakashima, desenhos originais de ‘O menino e o mundo’ de Alê Abreu e vasto acervo da Otto Desenhos Animados. A exposição convida o público a reconhecer a animação como um campo de invenção, resistência e encantamento, onde criar obras cinematográficas se afirma como patrimônio coletivo”.
.

Entre os destaques do acervo estão materiais relacionados a Alê Abreu e Otto Guerra, nomes centrais da animação brasileira. O público poderá conhecer conteúdos ligados aos universos de Bob Cuspe e Rê Bordosa, personagens marcantes do cinema autoral de Otto Guerra, além de originais do longa O Menino e o Mundo (2014), de Alê Abreu, obra que projetou a animação brasileira no cenário internacional.
.

A mostra reúne ainda originais de Piconzé, de Ypê Nakashima, um dos primeiros longas-metragens de animação produzidos no Brasil, além de acetatos e cartazes da Otto Desenhos Animados. Integram o percurso também bonecos e materiais da Coala Filmes, estúdio com mais de 20 anos de atuação no audiovisual, reconhecido por sua produção em stop motion e por obras premiadas no Brasil e no exterior.
.

Um núcleo específico é dedicado ao protagonismo feminino na animação brasileira, destacando trajetórias que atuaram na formação, na pesquisa e na ampliação das narrativas do setor. Segundo a curadora Soraia Nogueira, trata-se de “trazer à luz trajetórias dos bastidores, destacando posições importantes na direção, roteiros e liderança criativa, possibilitados ainda mais pela formação no curso superior de cinema de animação”.
.

Entre os nomes abordados está o da professora mineira Maria Amélia Palhares, pioneira no ensino de animação desde os anos 1970 e uma das criadoras do Núcleo de Cinema de Animação da Escola de Belas Artes da UFMG. A exposição também evidencia a trajetória de Tânia Anaya, referência com atuação reconhecida no campo da animação brasileira.
 
Abertura da exposição “Do Traço ao Pixel: Memórias da Animação Brasileira”. Terça-feira, 3/2, às 19h, no MIS BH – Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (Av. Álvares Cabral, 560, Lourdes). Entrada gratuita. Classificação livre. Visitação: quarta a sábado, das 10h às 18h. 

.