Revista Encontro

Vale do Sol

Festival Quatro Estações aposta em carnaval coletivo e ambiental

Evento em Nova Lima une arte, sustentabilidade e criação comunitária em oficinas, cortejos e bailes gratuitos

Da redação
Bloco Flor do Espinhaço toma conta das ruas no sábado (7) - Foto: Camila Torrente/Divulgação
Entre esta quarta-feira (28) e  7 de fevereiro, o bairro Vale do Sol, em Nova Lima, recebe a nona edição do Festival Quatro Estações – Verão 2026, que propõe um carnaval construído a partir da relação entre arte, território e preservação ambiental. Inspirado nos pássaros que habitam a Estação Ecológica de Fechos, unidade de conservação que abriga áreas de Cerrado e Mata Atlântica e uma rica fauna ameaçada de extinção, o festival aposta na criação coletiva como eixo central da programação.
.

Com atividades gratuitas, o evento promove oficinas de fantasias, adereços, alegorias e bonecos vestíveis feitos a partir do reaproveitamento de resíduos, transformando materiais descartados em plumagens, cores e formas que ganham as ruas em cortejos e bailes. A proposta é fazer do carnaval um espaço de imaginação, cuidado com o meio ambiente e participação ativa da comunidade. O encerramento da programação terá como destaque o músico Celso Adolfo.
.

“O principal diferencial desta edição é a construção coletiva de um carnaval do bairro e para o bairro: territorial, acessível e ambientalmente consciente. Para isso, nos inspiramos nas aves que habitam nosso bairro e se abrigam na Estação Ecológica de Fechos e região. Neste ano, o evento aprofunda sua proposta ao integrar criação artística, educação ambiental, gestão de resíduos e inclusão, convidando o público a viver um carnaval que celebra a natureza, o encontro e a ocupação cultural do Vale do Sol”, afirma Lourenço Martins Marques, gestor do C.A.S.A., integrante da Companhia Suspensa e um dos idealizadores do festival.
.

A presença das aves do Cerrado e da Mata Atlântica atravessa toda a programação, orientando cores, formas, texturas e narrativas das atividades artísticas. Um dos destaques é a Folia Alada – Oficina de Adereços Carnavalescos com Reuso Têxtil, realizada nos dias 3 e 6 de fevereiro, sob condução de Thais Mol, figurinista e artista têxtil com mais de 25 anos de experiência, e Carolina Andreazzi, artista plástica e aderecista. Aberta a participantes de 15 a 100 anos, a oficina propõe a criação de plumagens e acessórios a partir de resíduos têxteis.
.

Voltada ao público infantil e juvenil, de 6 a 14 anos, a Oficina de Alegorias e Fantasias, nos dias 4 e 6 de fevereiro, estimula a imaginação e o trabalho coletivo na confecção de máscaras, asas, cocares e ornamentos, reutilizando materiais diversos. A atividade será conduzida por Tana Guimarães e Joanna Sanglard, artistas com atuação nas áreas de artes visuais e educação.
.

Já a Oficina BECUS – Bonecos Vestíveis, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, é destinada a participantes a partir de 10 anos e se dedica à criação de bonecos habitáveis em bambu e materiais reaproveitados, com o tema Pássaros do Cerrado. A atividade será ministrada por Flávio Negrão e Nadu Soares, profissionais que atuam com bioconstrução, ecodesign, educação ambiental e design em bambu.
.

As oficinas acontecem no C.A.S.A. – Centro de Arte Suspensa e Armatrux e no Instituto CRESCE (Centro de Referência em Educação, Sustentabilidade e Cultura do Espinhaço), com inscrições abertas e vagas limitadas.
.

A programação inclui ainda a exposição Aves de Nova Lima – Fotografias de Amaury Pimenta, fotógrafo mineiro que se dedica à observação de aves desde 2009. A mostra permanece em cartaz durante todo o festival e dialoga com o tema central ao revelar, por meio da fotografia, a diversidade da fauna da região.
.

A música e a celebração coletiva também fazem parte do evento. O Baile de Carnaval do C.A.S.A., no dia 6 de fevereiro, reúne diferentes gerações ao som de Alexandre Rezende e sua gente. Já no sábado, 7 de fevereiro, os blocos ocupam as ruas do bairro: pela manhã, o Bloco para Todos, com o Grupo Atrás do Pano, sai da feira em frente à APREVS em direção à Praça das Águas; à tarde, o Bloco Flor do Espinhaço percorre o trajeto entre a lateral da Fechos e o C.A.S.A., seguido de show no palco Maurício Tizumba.
.

O encerramento do festival acontece a partir das 19h, com um pocket show de Celso Adolfo, no Cine Clube Aprevs, após a exibição do curta de animação Coisas de pássaros, da Pixar, dirigido por Ralph Eggleston, e do trailer do projeto Tenda da Memória, iniciativa coletiva que busca registrar a história e a formação do bairro Vale do Sol.
 
Festival Quatro Estações – Verão 2026. 28 de janeiro a 7 de fevereiro de 2026, Vale do Sol, Nova Lima (C.A.S.A. Centro de Arte, Instituto CRESCE, APREVS e praças). Oficinas com vagas limitadas no C.A.S.A. e no Instituto CRESCE. Mais informações: @valedosolfestival. 

.