Revista Encontro

Cinema

Mostra de Tiradentes anuncia filmes das competitivas Olhos Livres e Aurora

Seleções reúnem longas em pré-estreia mundial e reafirmam o festival como espaço de lançamento, risco estético e reflexão do cinema brasileiro

Da redação
"Anistia 79" é uma das produções da Mostra Olhos Livres - Foto: Divulgação
A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada entre 23 e 31 de janeiro de 2026, volta a reunir alguns dos principais lançamentos do cinema brasileiro contemporâneo nas mostras competitivas de longas-metragens “Olhos Livres” e “Aurora”. Todos os filmes selecionados terão pré-estreia mundial no evento, reforçando o papel da Mostra como espaço de lançamento, circulação e reflexão da produção autoral no país.
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A temática desta edição, “Soberania imaginativa”, atravessa as discussões em torno da programação, ainda que não tenha sido um critério determinante para a seleção. O conceito se amplia no diálogo com os filmes apresentados, nas sessões, debates e encontros que reúnem cineastas, críticos e público ao longo da Mostra. A curadoria de longas-metragens é assinada por Francis Vogner dos Reis, Juliano Gomes e Juliana Costa.
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Mostra Olhos Livres 

A Mostra Olhos Livres mantém seu perfil voltado a abordagens estéticas arrojadas e a experimentações de linguagem desenvolvidas por realizadores que já possuem alguma trajetória em festivais. Desde o ano passado, a seção passou por um reposicionamento, reforçando o interesse em acompanhar cineastas que, mesmo com carreiras consolidadas, seguem apostando na radicalidade inventiva.
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Integram a seleção de 2026 os filmes “Meu Tio da Câmera” (Bernard Lessa, ES), “Tannhäuser” (Vinícius Romero, SP), “Anistia 79” (Anita Leandro, RJ), “As Florestas da Noite” (Priscyla Bettim e Renato Coelho, SP), “O Enigma de S.” (Gustavo de Mattos Jahn, RJ), “Ao Sabor das Cinzas” (Taciano Valério, PE) e “Amante Difícil” (João Pedro Faro, RJ).
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Para o coordenador curatorial Francis Vogner dos Reis, a Olhos Livres reflete um traço marcante do cinema brasileiro atual. “Se algo aparece hoje como determinante, não é uma linha estética única ou um traço político homogêneo, mas a diversidade imaginativa muito forte”, afirma. Segundo ele, trata-se de uma geração que iniciou suas trajetórias há dez ou quinze anos e que, agora em seus terceiros, quartos ou até sextos longas-metragens, segue produzindo à revelia das condições adversas, mantendo o compromisso com o risco e a invenção.
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“Se você olha para a Olhos Livres, você percebe que há vários jovens veteranos do cinema independente brasileiro, artistas e cineastas que já têm uma assinatura e que estão escolhendo estrear em Tiradentes”, reforça o curador. “Isso consolida um cenário de cinema autoral brasileiro que não é necessariamente formado apenas por estreantes ou novidades, mas por pessoas que estão amadurecendo, desdobrando sua obra e consolidando um estilo, uma linha específica”. 
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Mostra Aurora

Já a Mostra Aurora segue dedicada a longas-metragens de estreia e permanece como um dos principais espaços de revelação do cinema brasileiro. Em 2026, a seleção reúne filmes de diferentes regiões, contextos e modos de produção, ampliando o mapa da criação audiovisual independente no país.
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Compõem a Mostra Aurora os filmes “Vulgo Jenny” (Viviane Goulart, GO), “Sabes de Mim, Agora Esqueça” (Denise Vieira, DF), “Politiktok” (Álvaro Andrade, BA), “A Voz da Virgem” (Pedro Almeida, RJ), “Para os Guardados” (Desali e Rafael Rocha, MG) e “Obeso Mórbido” (Diego Bauer, AM).
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Francis Vogner chama atenção para as condições de realização desses filmes. “Boa parte é feita com recursos próprios ou com editais de valores muito pequenos, muito aquém daquilo que seria trabalhado como um baixo orçamento”, observa. Para o curador, esse cenário evidencia tanto a urgência de políticas públicas voltadas aos primeiros longas quanto a força de um cinema que constrói uma linha evolutiva dentro do lastro do cinema independente brasileiro das últimas duas décadas.
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Premiações e júris

Os filmes da Mostra Olhos Livres concorrem a prêmios concedidos pelo Júri Oficial, formado por Alvaro Arroba (programador, Argentina), Daniela Giovana (professora e pesquisadora, MS), Darks Miranda (artista, RJ), Hermano Callou (crítico de cinema, RJ) e Renato Novaes (ator, MG). Já os títulos da Mostra Aurora são avaliados pelo Júri Jovem, composto por estudantes selecionados a partir de uma oficina de crítica realizada em setembro, durante a Mostra CineBH.

Os vencedores de cada mostra recebem o Troféu Barroco, prêmio oficial do evento, além de serviços oferecidos por empresas parceiras e o Prêmio Embratur, no valor de R$ 20 mil.

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