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Em cena, Ângela Mourão assume sozinha o palco para dar vida à personagem que atravessou décadas, territórios e contextos culturais distintos. A direção é de Marcelo Bones, com texto assinado por Guiomar de Grammont, em parceria com a atriz.
. Criado a partir de uma história profundamente enraizada em Minas Gerais, “Olympia” revelou, ao longo do tempo, uma força que ultrapassa fronteiras geográficas. “Quando a gente começou, eu pensava que talvez fosse uma história muito local, mas, com o tempo, ficou claro que a Olympia toca um arquétipo. Em todo lugar alguém dizia: tem uma Olympia na minha cidade, na minha família, ou eu me sinto um pouco como ela. Aí a gente entende que ela é de Ouro Preto, mas é do mundo também”, conta Ângela.
. Essa identificação ajudou a sustentar a longevidade do espetáculo, apresentado centenas de vezes em situações diversas. Olympia já ocupou teatros tradicionais, praças, festivais internacionais e espaços improváveis, como um circo na periferia de Vitória. No interior do Amazonas, o cenário precisou ser transportado de barco pelo rio; no sul da Argentina, a montagem foi apresentada em teatros mantidos por coletivos culturais locais, na Patagônia.
. A personagem também atravessa a própria trajetória de Ângela Mourão. Interpretá-la por tanto tempo revelou outras formas de pensar a vida e a criação artística. “A Olympia sempre me ensinou que nem sempre a gente precisa estar dentro do padrão. Ela vivia nas fronteiras, entre a rua e a casa, entre a sanidade e a loucura, entre o real e o imaginário. E essas fronteiras também podem ser bons lugares para viver”, reflete.
. Apesar da longa caminhada, o espetáculo não se cristalizou no tempo. Pelo contrário, segue atual ao abordar temas como o espaço público, a condição da mulher, a diferença e os limites entre normalidade e desvio. A encenação articula tradição e contemporaneidade por meio de uma dramaturgia polifônica, em que múltiplas vozes narram e tensionam a história da personagem, apoiadas por trilha sonora original, trabalho corporal rigoroso e o uso de dança e máscara.
. “Não é só a história da Olympia”, destaca Ângela. “Existem muitas camadas e trabalho artístico para construir o espetáculo em si, a forma como ele é estruturado, as técnicas corporais e vocais, a música, a estética. Tudo isso dialoga com a tradição mineira, nossas histórias, as histórias do Brasil, mas também com um teatro muito contemporâneo, com as questões contemporâneas, conversa com o público de hoje”.
Espetáculo Olympia – 25 anos. De 5 a 8 de fevereiro, às 19h, na Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro). Ingressos: R$ 25 (antecipado), à venda em vaaoteatromg.com.br.