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"Terra Raiz" leva dança e reflexão ambiental ao Parque das Mangabeiras

Solo de Sara Marchezini integra projeto de circulação por territórios marcados por natureza, memória e conflitos ambientais

Da redação
Espetáculo parte da pergunta sobre o lugar do ser humano em relação à terra e às transformações do território - Foto: Gilberto Goulart/Divulgação
O Teatro de Arena do Parque das Mangabeiras recebe, nesta sábado (24), às 10h, o espetáculo solo de dança-performance “Terra Raiz”, protagonizado pela fisioterapeuta e bailarina Sara Marchezini. A apresentação tem entrada gratuita, classificação livre e acessibilidade em Libras.
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Com trilha sonora assinada pela banda mineira Confeitaria e outros artistas, o solo integra o projeto “Terra Raiz – Entre Serras”, que propõe a circulação da pesquisa-espetáculo por territórios marcados pela relação entre natureza, memória e conflitos ambientais em Minas Gerais.
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“Terra Raiz” nasce de uma pesquisa em dança e performance desenvolvida pelas multiartistas Sara Marchezini e Renata Mara, que articula temas como território, memória, ancestralidade, decolonização do fazer e do pensar a dança, além de questões ligadas às mulheridades. Para Sara, “refletir sobre a memória, o território e a ancestralidade são aspectos muito importantes e relevantes. O principal ponto é como nossos corpos são atravessados pelo que acontece também no território externo/físico ou no interno/subjetivo”.
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Como desdobramento dessa investigação, surgiu o solo que, nesta fase, conta com a mentoria da bailarina Aline Blasius, do Grupo Cena 11 (SC), como artista-provocadora. “Esse processo vem sendo construído e amadurecido desde 2019. A ideia é de uma pesquisa viva, em fluxo e que busca seus desvios e moldes, criando e recriando, costurando camadas no seu fazer. Com isso, ‘Terra Raiz-Entre Serras’, nesta etapa em que faço o solo, é só mais um passo do processo”, revela.
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A proposta do espetáculo parte da pergunta sobre o lugar do ser humano em relação à terra e às transformações do território. “Além disso, o espetáculo leva para o público uma provocação ambiental: o que estamos fazendo com a própria terra?”, questiona Sara. A escolha do Parque das Mangabeiras como espaço de apresentação reforça essa reflexão, especialmente pela proximidade com a Serra do Curral, símbolo de Belo Horizonte ameaçado por interesses da mineração.
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A preocupação ambiental atravessa também a produção do espetáculo: materiais gráficos e crachás utilizados pelo projeto são confeccionados com materiais reciclados. “Especificamente, nesta apresentação, se sente na pele a memória, andanças, cartografias moventes e comoventes”, observa a artista.
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Encerrando a experiência, a ação “Corpo-território em fluxo” convida o público ao diálogo e ao plantio coletivo de sementes de pimenta-biquinho, presentes no próprio programa do espetáculo, impresso em papel semente. Para Sara, o trabalho também busca criar vínculos entre as pessoas. “É urgente as pessoas se reconectarem com suas formas mais gentis, afetuosos, humanas - apesar da revolta e da raiva perante as injustiças e todos os processos destrutivos que estamos vivendo -precisamos do sentir, da conexão, da escuta com generosidade. ‘O broto que sai do lugar renasce pra luz chegar’, frase do espetáculo que escrevi logo no início do processo”, afirma.
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“Terra Raiz” já integrou festivais e mostras no Brasil e no exterior, como o Festival Acessa BH, o Entre Arte e Acesso – Festival Cultural Latino-Americano, em Dresden (Alemanha), além de apresentações em Belo Horizonte, Catas Altas (MG) e Aracaju (SE). Após a apresentação no Parque das Mangabeiras, o solo será apresentado no Centro Cultural Jaboticatubas, no dia 7 de fevereiro, às 16h, e no Memorial Brumadinho, com data a ser divulgada.

Terra Raiz. 24/1 (sábado), às 10h, Teatro de Arena do Parque das Mangabeiras (Av. José do Patrocínio Pontes, 580, Mangabeiras). Entrada gratuita. Classificação livre. Acessibilidade em Libras. 7/2 (sábado), às 16h, Centro Cultural Jaboticatubas (Alameda João Batista Marques, 15, Sagrada Família, Jaboticatubas). Entrada gratuita. Classificação livre. Acessibilidade em Libras.

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