Com 51 anos de trajetória, a Banda Mole aposta na iniciativa como forma de alinhar a grandiosidade do cortejo a práticas sustentáveis. O bloco aderiu ao Programa O’green de Descarbonização, desenvolvido pela ECONOM Soluções, que prevê a mensuração, redução e compensação das emissões de gases de efeito estufa geradas pela realização do evento.
. O processo envolve o levantamento detalhado das emissões relacionadas ao desfile, incluindo o consumo de energia dos trios elétricos e a logística de transporte e montagem da estrutura. A metodologia segue critérios reconhecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A partir desse diagnóstico, são adotadas medidas para reduzir impactos ambientais e, posteriormente, realizada a compensação das emissões remanescentes por meio da aquisição de créditos de carbono certificados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
. Para Totove Ladeira, um dos organizadores do bloco, a decisão acompanha a evolução da própria Banda Mole ao longo das décadas. “A Banda Mole sempre foi um espelho da sociedade e que, após cinco décadas de história, é fundamental olhar para frente. A decisão de tornar o desfile carbono neutro é uma forma de retribuir o carinho da cidade, garantindo que a alegria do carnaval não deixe um rastro negativo para o planeta. Assumir essa responsabilidade ambiental é o legado que eles queremos deixar para os próximos 50 anos de folia”, afirmou.
. Apesar de a certificação ser inédita, a preocupação ambiental já vinha sendo incorporada ao desfile em anos anteriores. Em 2024, por exemplo, o bloco levou para a avenida o tema da preservação ambiental, homenageando nomes ligados à causa ecológica, como o jornalista André Trigueiro e o ambientalista Fernando Gabeira. Na ocasião, a proposta de conscientização ganhou as ruas com a presença de bonecos gigantes e ações educativas. Agora, a organização busca transformar o discurso em práticas mensuráveis.
. A produtora do bloco e presidente da Liga Belorizontina dos Blocos de Rua, Polly Paixão, avalia que a iniciativa também reflete o processo de profissionalização do Carnaval da capital. Segundo ela, o crescimento da festa exige novas responsabilidades por parte dos organizadores. “Ao adotar o selo O’green, a Banda Mole mostra para o setor cultural que a sustentabilidade não é apenas um diferencial, mas uma obrigação contemporânea. Essa atitude inspira e mostra para o folião que a diversão pode e deve caminhar junto com a consciência cidadã”, destacou.
. Ao final do processo, a Banda Mole receberá a certificação internacional de Evento Carbono Neutro, acompanhada de um relatório completo de emissões, que detalhará as etapas de medição, redução e compensação, com o objetivo de garantir transparência para o público e parceiros.
O desfile acontece neste sábado, com concentração a partir das 16h na portaria do Parque Municipal, seguindo em cortejo pela Avenida Afonso Pena até a Praça Sete.
Banda Mole 2026. 7 de fevereiro de 2026 (sábado de pré-Carnaval), concentração às 16h, na portaria do Parque Municipal (Av. Afonso Pena, Belo Horizonte). Cortejo pela Avenida Afonso Pena até a Praça Sete.