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Internacional

Finalista em prêmio, estudo da UFMG propõe alternativa a testes em animais

Pesquisa que desenvolve nova metodologia para avaliar risco de câncer e danos ao DNA concorre ao Lush Prize 2026

Da Redação (com informações da UFMG)
A pesquisadora Nathalia Oliveira - Foto: Divulgação/UFMG
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está entre as finalistas do Lush Prize 2026, considerado o principal prêmio internacional voltado ao desenvolvimento de metodologias científicas que substituem o uso de animais em testes. Os vencedores serão anunciados em maio.
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O estudo EV-Proteomics: Plataforma NAM sem uso de animais para avaliação mecanística do risco de genotoxicidade e carcinogenicidade é conduzido pela pesquisadora Nathalia Stephanie Oliveira, no doutorado do Programa de Pós-graduação em Análises Clínicas e Toxicológicas (PPGACT), da Faculdade de Farmácia da UFMG. O trabalho é desenvolvido no Laboratório de Toxicologia (ToxLab), sob orientação do professor Carlos Alberto Tagliati e coorientação da professora Adriana Oliveira Costa, ambos do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas.
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A pesquisa também coloca a UFMG como a única universidade da América Latina com uma investigação catalogada pelo Laboratório de Referência da União Europeia para Alternativas aos Testes em Animais (ECVAM). O órgão reúne iniciativas que buscam substituir gradualmente o uso de animais na avaliação da segurança química de substâncias.
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Nova abordagem científica
 
O projeto desenvolve uma nova metodologia científica conhecida como New Approach Methodology (NAM), voltada para avaliar a genotoxicidade e o risco carcinogênico de fármacos e produtos químicos. A genotoxicidade está relacionada à capacidade de determinadas substâncias causarem danos ao DNA, enquanto o risco carcinogênico diz respeito ao potencial de desenvolvimento de câncer ao longo do tempo.
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“Geralmente, substâncias genotóxicas têm um alto potencial de serem carcinogênicas, pois as mutações no DNA estão entre os primeiros eventos para o desenvolvimento de muitos tumores”, observa Nathalia.
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Segundo a pesquisadora, os ensaios tradicionais apresentam limitações importantes, tanto em relação ao tempo de execução quanto à confiabilidade dos resultados. “Hoje, um único ensaio de carcinogenicidade pode durar dois anos e eutanasiar mais de 150 animais para, ao final, ter uma taxa de preditividade de apenas 50% para humanos. São vidas ceifadas em vão por resultados incertos”, avalia. “Isso ocorre porque a biologia de roedores é muito diferente da humana, o que torna modelos computacionais e in vitro baseados em dados biológicos humanos muito mais confiáveis”, compara.
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Vesículas extracelulares como alternativa
 
A proposta da pesquisa utiliza vesículas extracelulares — estruturas liberadas naturalmente pelas células humanas que carregam informações biológicas sobre o estado dessas células. No estudo, essas estruturas funcionam como uma espécie de “biópsia líquida”. “No meu projeto, utilizamos essas vesículas como ‘biópsias líquidas’ para observar como as células respondem quando entram em contato com uma substância química, sem precisar de um organismo animal inteiro para isso”, explica.
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A partir desse biomarcador, Nathalia desenvolveu a plataforma EV-Proteomics, que combina análises computacionais e bioinformática para processar grandes volumes de dados moleculares e identificar padrões de toxicidade.
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“As análises computacionais e a bioinformática atuam como o ‘cérebro’ da plataforma. Como o volume de dados moleculares extraídos das vesículas é massivo, desenvolvi no meu doutorado metodologias que processam essas informações para identificar padrões de toxicidade. O foco está nos contextos de genotoxicidade (danos ao DNA) e carcinogenicidade (potencial de causar câncer), que são os pontos mais críticos da toxicologia moderna”, detalha.
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Reconhecimento internacional
 
Localizado na Faculdade de Farmácia, no campus Pampulha da UFMG, o ToxLab integra a Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais (Renama) e atua no desenvolvimento de soluções toxicológicas para os setores industrial, de saúde e meio ambiente, além de manter parcerias internacionais.
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Para o professor Carlos Tagliati, coordenador do laboratório, a indicação ao prêmio representa o reconhecimento de uma trajetória consolidada. “Esse resultado reflete o trabalho coletivo de gerações de alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, comprometidos com a inovação em toxicologia”, lembra. “Nosso foco é substituir o uso de animais por abordagens científicas avançadas, éticas e preditivas. A indicação neste prêmio reconhece um grande esforço e a produção de ciência de padrão internacional que realizamos”, reforça.
 
Para Nathalia, a presença entre os finalistas também representa um marco para a ciência nacional. “Sinto-me profundamente honrada em representar a ciência brasileira e da América Latina, levando o nome da UFMG a um prêmio de tamanha relevância global. Ser finalista do Lush Prize e ter nosso trabalho listado no Catálogo do ECVAM, da União Europeia, demonstra que estamos na vanguarda da agenda mundial de substituição de animais”, comemora.

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