Revista Encontro

Luto

Morre fotógrafo mineiro Eduardo Tropia, aos 69 anos

Com mais de 50 anos de carreira, artista atuou no fotojornalismo, publicidade e fotografia autoral, registrando a memória cultural de Minas Gerais

Da redação
Eduardo Tropia completaria 70 anos em novembro de 2026 - Foto: Rodrigo Câmara/Divulgação
O fotógrafo Eduardo Tropia morreu na manhã deste domingo (8), aos 69 anos, deixando uma trajetória marcada pela documentação artística e afetiva de Ouro Preto e pela atuação no fotojornalismo e na fotografia autoral. Com mais de cinco décadas dedicadas à imagem, Tropia construiu uma obra que dialoga com a memória, a arquitetura e a cultura mineira, especialmente da cidade histórica onde consolidou sua carreira.
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Nascido em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Tropia mudou-se ainda criança para Ouro Preto, onde teve o primeiro contato com a fotografia ao trabalhar ao lado do pai, o fotógrafo Milton Tropia. Cresceu entre o laboratório de revelação da família, o cinema mantido pelos parentes e a efervescência cultural da cidade, referências que atravessariam sua produção ao longo da vida.
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O início da atuação profissional ocorreu no começo da década de 1980, em Ouro Preto. No final dos anos 1980, mudou-se para Belo Horizonte, onde passou a trabalhar para agências de publicidade da capital mineira e de outras regiões do país. Também atuou como repórter fotográfico da revista IstoÉ e do jornal O Tempo. Como freelancer, teve trabalhos publicados em veículos internacionais e nacionais, entre eles Los Angeles Time Magazine, National Geographic e Casa Cláudia.
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Paralelamente ao fotojornalismo, Tropia desenvolveu uma trajetória consistente nas artes visuais, com exposições que exploravam a memória cultural, a música e a paisagem urbana. Entre os trabalhos apresentados estão “Memória dos Festivais de Inverno Ouro Preto e Mariana”, “Ouro Preto Jazz Tudo é Jazz” e “Ruas de Minha Vida”, mostra que também foi exibida na cidade de Lagos, em Portugal, durante o Cineport 2006.
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Em Belo Horizonte e São Paulo, assinou a exposição “E nós que nem sabemos”. Participou ainda da Casa Cor Minas em 2012 e 2013 e integrou a mostra “Minas Território das Artes”, realizada no Palácio das Artes em 2014. Há 19 anos, fazia parte do Coletivo Olho de Vidro, espaço onde aprofundou a produção autoral voltada para a fotografia fine art.
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Com a série “Murus”, participou de exposições em galerias de Minas Gerais e São Paulo entre 2015 e 2016. No mesmo período, integrou o documentário “Profissão Fotógrafo”, produzido pela Estação Mídia Filmes e lançado em Belo Horizonte em 2016.
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Outra obra de destaque, “Barroco x Chinesice”, da série “Barroco Liberto”, foi selecionada para a 6th Jinan International Photography, bienal realizada na China que reuniu fotógrafos de diversos países. A série também foi exibida no Museu de Sant’Ana, em Tiradentes, entre 2016 e 2017. Em 2026, trabalhos da série “Três Movimentos” seguem em exibição na Galeria de Arte José Alberto Pinheiro, no restaurante O Passo Pizzajazz, em Ouro Preto.
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Tropia mantinha ainda uma galeria permanente de fotografia fine art na Casa Alphonsus, na Rua São José, no Centro Histórico de Ouro Preto — imóvel que pertenceu ao poeta Alphonsus de Guimarães. O espaço reunia obras fotográficas e produções artesanais da família, incluindo o tradicional licor caseiro de jabuticaba, preparado a partir de receita herdada dos avós e mantida pelas irmãs do fotógrafo.
 
O velório aconteceu no domingo (8), das 11h às 16h, e se estende a esta segunda-feira (9), das 8h às 10h, na Capela Velório de Ouro Preto, próxima à rodoviária e à Igreja de São Francisco de Paula. O sepultamento está previsto para segunda-feira, às 10h, na Igreja de São José, na cidade histórica.

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