Revista Encontro

ENTREVISTA

Romeu Zema, sobre candidatura à presidência: "Vou até o final"

Governador, que deve deixar o Palácio Tiradentes até fim de março, descarta apoiar outro candidato da direita mais bem posicionado nas pesquisas

Alessandro Duarte
Romeu Zema, governador de Minas Gerais - Foto: Paulo Márcio
Pré-candidato à Presidência da República, o governador Romeu Zema (Novo) já anunciou que irá deixar o Palácio Tiradentes até o final de março. Em seu lugar, assume o vice, Matheus Simões (PSD), que deve se candidatar ao posto de mandatário do estado. Antes dessa troca de cadeiras, Zema tira uma semana de férias, quando irá a Londres prestigiar a cerimônia de conclusão de mestrado de sua filha em cinema. Será a primeira vez, desde que assumiu o cargo, que ele se ausenta. “Minhas últimas férias foram em janeiro de 2018”, diz.
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Em meio a muitas especulações sobre seu futuro - vai conseguir sustentar a candidatura à presidência; abre mão do sonho para ser vice de um candidato mais bem posicionado nas pesquisas; se contentaria com a candidatura ao Senado…-, ele é taxativo: “Vou levar minha pré-candidatura e minha candidatura até o final”.
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Em entrevista à Encontro no último dia 19/2, Zema falou de suas aspirações, mas não só. Ele falou sobre suas principais realizações à frente do estado - e o que gostaria de ter feito, mas não conseguiu -; a respeito da dívida bilionária com a União; e porque acredita que as ações do governo Lula atrapalham a economia. Não se furtou, inclusive, a declarar que, caso seja eleito, uma de suas primeiras ações no Palácio do Planalto seria conceder graça ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
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A seguir, confira alguns destaques do bate papo. A entrevista completa você lê na próxima edição de Encontro
 
Candidatura à presidência
“Respeito muito o Flávio (Bolsonaro), acho ele um ótimo candidato, mas inclusive já falei com ele e com os demais: vou levar a minha pré-candidatura e candidatura até o final. Eu quero mostrar que temos propostas diferentes. Eu não sou um político de carreira. Minha maior bagagem é como empreendedor e acredito em várias propostas que os políticos não acreditam. Quero mostrar isso para o povo brasileiro.”
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O que esperar de Zema presidente
“Pode esperar bandido na cadeia. Eu vou fazer de tudo para mudarmos esse sistema judiciário que é um perverso. Nós temos uma polícia excelente em Minas, boas polícias no Brasil e um Judiciário que solta. A polícia prende, o Judiciário solta. Culpa do juiz? Não, é culpa da legislação. Nós temos de ampliar o sistema carcerário no Brasil. O que nós precisamos para melhorar a segurança pública é deixar o bandido preso, deixar o criminoso detido. E isso não acontece aqui no Brasil. Outra questão é a estabilidade. O desenvolvimento que Minas alcançou é porque aqui as regras são estáveis O que o empreendedor, o investidor, quer é estabilidade. Você quer jogar um jogo sobre o qual você conhece as regras. Mas você entra num jogo e toda hora estão mudando as regras sem te avisar. É o que acontece no Brasil. Diversas vezes nesse governo do PT, do Lula, as regras foram alteradas, o que atrapalhou o desenvolvimento econômico. O investidor se sente totalmente agredido. Ele vem para o Brasil prevendo pagar tanto de imposto, aí chega o governo e muda. Sempre no sentido de arrecadar mais ou então para dificultar alguma coisa.”
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Graça presidencial para Bolsonaro
Essa será uma das minhas primeiras ações. Nós não tivemos golpe aqui no Brasil. Eu não escutei um tiro. Eu não vi morrer ninguém, não vi Forças Armadas saírem para as ruas, não vi nenhum movimento armado. O que existiu foi a criação de uma narrativa. O que aconteceu com os terroristas lá dos anos 1960, 1970, que sequestraram, que mataram, que assaltaram bancos? Todos foram anistiados, me parece que até a ex-presidente Dilma. Inclusive ela e muitos outros recebem uma pensão por terrorismo. Olha só que diferença. Eles, que mataram, que sequestraram, que assaltaram, que fizeram barbaridades, tiveram anistia e tem bolsa terrorista hoje. Agora, esse pessoal que não fez nada… Você idealizar alguma coisa não é crime não, na minha opinião. É preciso passar uma borracha nessa questão. Enquanto fica esse ranço, parece que o país não avança.”
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De cemitério para canteiro de obras
“O que eu posso dizer que eu tenho mais orgulho é com relação a nós praticamente termos zerado o cemitério de obras inacabadas que o PT deixou aqui em Minas Gerais. Nós estamos falando de centenas de obras.  Vivíamos em um estado que não tinha recursos, nem para pagar a folha, para fazer os repasses para as prefeituras, que abandonou tudo. E foram incapazes, inclusive, de cercar as obras. Tanto é que a grande maioria foi vandalizada e depredada, infelizmente, o que dificultou e muito a conclusão. Então, eu acho que um orgulho nosso é que em vez de nós termos aqui em Minas, como há sete anos e dois meses, quando eu assumi, um cemitério de obras abandonadas, nós temos hoje, talvez, o maior canteiro de obras em andamento da história de Minas Gerais.”
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Dívida com a União
“Vamos lembrar que a origem da dívida foi a liquidação do Bemge, Minas Caixa, Banco de Crédito Rea. Nessa época era um valor administrável, mas que foi corrigido ao longo de 20, 30 anos de forma muito superior à inflação, à arrecadação do estado. Isso fez com que se transformasse em uma bola de neve. Tanto é que em determinado momento ficou impagável. Com o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), nós estamos corrigindo, eu diria, que 90% desse problema. O que vai acontecer agora? A prestação do estado vai ser corrigida de acordo com a inflação e geralmente a arrecadação sobe de acordo com a inflação. Então, é como se você assumisse uma prestação que vai subir de acordo com o seu salário. Melhor do que isso seria se falasse: "Ó, a União vai receber x% da arrecadação de Minas Gerais". Nesse caso você saberia exatamente o quanto iria pagar. Amanhã nós estamos sujeitos a ter uma recessão econômica, a arrecadação do estado cair e a prestação subir com a inflação. Vai criar dificuldade, mas já é melhor do que no passado, quando o reajuste era inflação mais 4%. Agora, muito provavelmente, nós vamos conseguir inflação mais 1%. Então, cabe dentro do orçamento. Além disso, nós estamos fazendo todo o esforço para quitarmos 20% que é necessário até para ter essa redução na taxa de juros e com essa queda da dívida o serviço também cai na mesma proporção.”
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Escolas cívico-militares
“Eu gostaria de termos iniciado a implantação das escolas cívico-militares aqui em Minas Gerais. Lembrando que é um projeto importantíssimo. Um dos problemas que nós temos na educação no Brasil é a pasteurização. Aqui no Brasil é tudo uniforme e você só melhora quando você tem diversidade. Você precisa ter modelos diferentes de escolas, até para avaliar onde é que os alunos vão melhor ou não. Aqui em Minas nós já temos uma, mas são pouquíssimas unidades que são os colégios Tiradentes, mais focados nos filhos dos militares. A escola cívico-militar só poderá ser implementada em cidades que têm três, quatro ou mais escolas estaduais. Nós estamos querendo mais opção, não é mudar o sistema que está aí, convencional, não. Mas se a família, se o aluno, optar por ter uma escola onde a questão da disciplina é maior, onde a questão do civismo é mais aplicada, você tem de dar essa opção.”
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Privatizações
“Eu gostaria de ter privatizado tudo aqui em Minas. Vamos privatizar só a Copasa, mas queria ter privatizado a Cemig, a Codemge, a Codemig… Nós já temos coisa demais para fazer com infraestrutura, com saúde, com educação e com segurança pública e vai ficar ainda administrando empresa? Então, o ideal é você pegar esse recurso, aplicá-lo adequadamente em infraestrutura, em estradas, na melhoria da saúde, das escolas que você vai ter um estado que vai crescer muito mais e dar uma vida melhor para a população. E, lembrando, privatização transparente, como nós temos feito a da Copasa, responsável, com metas a serem cumpridas. Esse negócio de privatizar com carta marcada, que eu sei que já aconteceu, infelizmente algumas vezes no Brasil, não é o que nós estamos fazendo aqui.”

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