Revista Encontro

Arte

Casa Fiat de Cultura recebe mostra inédita de Renoir em Belo Horizonte

Exposição reúne 11 pinturas e uma escultura do artista francês, vindas do acervo do MASP, e integra as comemorações de 20 anos da instituição

Da redação
Banhista enxugando a perna direita, 1910 - Foto: Eduardo Ortega/Divulgação
A Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, apresenta a partir desta terça-feira (10) a exposição “Renoir na Casa Fiat de Cultura”, que reúne 11 pinturas e uma escultura do artista francês Pierre-Auguste Renoir (1841–1919). A mostra, em cartaz até 10 de maio, traz ao público obras pertencentes ao acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), apresentadas pela primeira vez fora da capital paulista. A entrada é gratuita.
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Figura central do impressionismo, Renoir foi um dos artistas que transformaram a representação do cotidiano em uma linguagem pictórica marcada por pinceladas livres, cores luminosas e atenção especial à figura humana. O conjunto apresentado na Casa Fiat de Cultura percorre diferentes momentos da trajetória do pintor, permitindo observar a evolução de sua pesquisa estética ao longo de mais de um século de história da arte.
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A exposição integra as comemorações de 20 anos da instituição e inclui, além das obras originais, uma sala imersiva dedicada à pintura Rosa e Azul (1881), concebida especialmente para a mostra.
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Para Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura, a realização da exposição marca um momento simbólico na trajetória da instituição. “Celebrar duas décadas de atuação com a obra de um artista dessa dimensão reforça o papel da Casa Fiat de Cultura na circulação de grandes mestres no Brasil. A exposição de Renoir sintetiza esse percurso e consolida nosso compromisso com uma programação gratuita e de alcance internacional”, afirma Massimo Cavallo, presidente da instituição.
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Integrante da primeira geração impressionista ao lado de Claude Monet e Edgar Degas, Renoir participou das exposições independentes que romperam com o sistema oficial dos Salões franceses. Ao longo da carreira, no entanto, sua produção ultrapassou os limites do impressionismo. Após uma viagem à Itália, em 1881, o artista aprofundou o estudo da tradição clássica, passando a estruturar suas composições com maior solidez formal, em diálogo com mestres da pintura europeia.
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Na exposição em Belo Horizonte, o público poderá acompanhar essas diferentes fases do artista. Obras como A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena (1870) revelam o início de sua carreira, ainda marcado pelo diálogo com a pintura acadêmica. Já telas produzidas no início do século XX, como Banhista enxugando a perna direita (1910) e Banhista enxugando o braço direito (1912), apresentam figuras femininas de volumes amplos e tonalidades quentes, em uma investigação mais intensa sobre o corpo humano.
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A escultura Vênus vitoriosa (1916) amplia esse percurso ao demonstrar como Renoir também levou para o bronze suas pesquisas sobre forma, movimento e sensualidade.

Segundo Fernando Oliva, curador da mostra e doutor em história da arte pela Universidade de São Paulo (USP), o conjunto reúne obras que atravessam praticamente toda a carreira do artista. “As obras de Renoir foram incorporadas ao acervo do MASP durante o período das grandes aquisições, entre o fim dos anos 1940 e início dos 1950, quando o italiano Pietro Maria Bardi estruturou um núcleo fundamental de arte europeia no Brasil. As 12 obras reunidas nesta exposição percorrem praticamente toda a carreira do artista e raramente são apresentadas em conjunto. Anteriormente à mostra acontecer na ocasião da inauguração do novo edifício do MASP ano passado, o conjunto havia sido exibido há 23 anos, no próprio museu”, explica Fernando Oliva.
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Obras

O conjunto apresentado na exposição revela como Renoir transitou entre retratos, cenas ao ar livre e nus femininos ao longo de sua trajetória.

Entre os destaques está A banhista e o cão griffon – Lise à beira do Sena (1870), exibida no Salão de Paris naquele ano. A modelo é Lise Tréhot, que posou diversas vezes para o artista no início de sua carreira. Diferentemente da tradição acadêmica da época, que exigia a representação do corpo feminino associado a temas mitológicos, Renoir apresenta uma mulher em uma cena cotidiana, à beira do rio, acompanhada por um pequeno cão.
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Outro exemplo é Banhista enxugando o braço direito (1912), obra da fase final do artista, em que a figura feminina aparece integrada à paisagem, com contornos mais suaves e tonalidades claras. Nessa etapa, Renoir buscava formas mais amplas e sensuais, inspiradas em grandes mestres da pintura europeia.
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A transformação estilística também pode ser observada em Banhista enxugando a perna direita (c. 1910), em que a figura ocupa quase toda a tela. A pintura é construída principalmente com tons rosados e claros, criando uma sensação de luminosidade contínua entre pele e fundo.
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Em contraste, Retrato de Marthe Bérard (1879) revela a habilidade de Renoir na pintura de retratos. Marthe tinha apenas nove anos quando foi retratada. A postura contida e o olhar lateral conferem à imagem um caráter introspectivo, enquanto o fundo mais solto e vibrante cria profundidade.
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Já Menina com as espigas (1888) apresenta uma jovem segurando feixes de trigo, em uma cena que combina simplicidade e poesia. A figura se destaca da paisagem, construída com pinceladas visíveis e cores intensas.
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Uma obra revisitada

Entre as pinturas mais emblemáticas do acervo do MASP está Rosa e Azul (1881), retrato das irmãs Alice e Elisabeth Cahen d’Anvers. A obra sintetiza um momento importante na trajetória de Renoir, quando o artista, após sua viagem à Itália, passa a buscar maior rigor formal em suas composições.
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Por questões de conservação, a pintura permanece no MASP. Na Casa Fiat de Cultura, ela é apresentada por meio de uma sala imersiva especialmente concebida para a exposição. O espaço permite observar detalhes ampliados da superfície pictórica, aproximando o visitante das pinceladas, das camadas de cor e da construção volumétrica da obra.
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Recursos audiovisuais também contextualizam o momento de produção da pintura e sua trajetória histórica, propondo uma aproximação ampliada com um dos retratos mais conhecidos do impressionismo francês.
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Parceria entre instituições

A exposição também reafirma a parceria entre a Casa Fiat de Cultura e o MASP, iniciada em 2006 com a mostra “Arte Italiana do MASP na Casa Fiat de Cultura”, que marcou a inauguração do espaço cultural em Belo Horizonte.
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“A circulação do acervo do MASP e o diálogo com diferentes públicos e territórios são pilares centrais de nossa missão institucional. Retomar essa parceria, vinte anos depois, reafirma valores compartilhados e renova um vínculo construído ao longo do tempo. É com grande alegria que o MASP participa desta nova celebração histórica ao lado da Casa Fiat de Cultura e da Fiat”, reforça Heitor Martins, Presidente do MASP.
 
Exposição Renoir na Casa Fiat de Cultura
Período expositivo: 10 de março a 10 de maio de 2026
Visitação presencial: terça-feira a sexta-feira das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)  
Entrada gratuita


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