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"Impulsos" abre celebrações dos 55 anos da Cia de Dança Palácio das Artes

Dividido em duas coreografias, "60 Grãos" e "Plot", Cia de Dança Palácio das Artes apresenta espetáculo inspirado em café, Beethoven e jogos de RPG

Lilian Monteiro
O espetáculo "Plot" estabelece uma relação com os jogos de RPG para construir uma pequena cidade ficcional, na qual cada intérprete assume um papel social - Foto: Paulo Lacerda/DivulgaçãoDois espetáculos num só que despertam emoções distintas, que fazem o corpo vibrar no compasso de cada bailarino e são um convite à imaginação. “Impulsos” marca o início das comemorações pelos 55 anos da Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA), corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, celebrando mais de meio século de trajetória dedicada à dança contemporânea. Dividida em duas coreografias, “60 Grãos” e “Plot”, a montagem propõe uma experiência cênica que explora diferentes linguagens do movimento e da expressão artística. Ao reunir criação coreográfica, interpretação dos bailarinos e a identidade artística da companhia, o espetáculo convida o público a refletir sobre a força do corpo em movimento e sobre o legado cultural construído pela companhia ao longo de sua história. 
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As duas coreografias foram criadas especialmente para a CDPA pelos coreógrafos convidados Alex Soares e Alan Keller. “60 Grãos” dialoga com a forma como o compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) preparava seu café e com o rigor criativo presente em seu processo de composição.  E “Plot” estabelece uma relação com os jogos de RPG para construir uma pequena cidade ficcional, na qual cada intérprete assume um papel social. Assim, os bailarinos atravessam dilemas simbólicos, escolhas morais e zonas de desconforto. 
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Reafirmando sua trajetória marcante, “Impulsos” vai apresentar ao público, no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, diferentes perspectivas criativas destacando a potência do movimento como forma de expressão artística. Mais do que uma apresentação, o espetáculo celebra e revisita o legado da Cia de Dança e aponta para novos caminhos na dança.
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Para Sônia Pedroso, diretora da Cia de Dança Palácio das Artes, “trata-se de um marco significativo, considerando sua memória e trajetória. Representa uma jornada de vida, emoção e inúmeros acontecimentos. É, portanto, um momento de grande importância para todos nós, e nos enche de orgulho”.
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Sônia diz que a escolha das coreografias se conecta com a trajetória e a identidade artística da companhia. “São trabalhos contemporâneos, desenvolvidos a partir de um tema e conteúdo específico, em colaboração entre coreógrafos e cocriação dos bailarinos. É um processo colaborativo, uma proposta que a companhia constantemente explora”.
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Desta forma, Sônia diz que a Cia de Dança busca manter viva suas raízes artísticas, enquanto se abre para novas linguagens. Para isso, ela conta que a tarefa é “nutrir os bailarinos por meio de professores, workshops, oficinas, pesquisas de campo e conteúdo, estimulando-os não apenas artisticamente, mas também com provocação teórica. Desse modo, eles incorporam, em seus corpos e mentes, a história, a memória e a vivência da dança. Mantemos viva a identidade artística por meio desses estímulos e do impulso à arte”.
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Nestes 55 anos, Sônia acredita que também é um momento, não só de celebração, mas também reflexão do papel da dança e das companhias públicas na formação cultural e no acesso do público à arte. “Nossa função social é essencial, especialmente ao aproximar o público dos artistas. Uma companhia pública existe para servir ao povo, às pessoas. Em Minas Gerais, a dança tem uma identidade forte, e o público a abraça com entusiasmo. O público mineiro se entrega à arte, demonstra talento e este talento reverbera por todo o estado”.
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Com a palavra, os bailarinos 
 
A voz dos cocriadores, os bailarinos. Dos 18 integrantes da Cia de Dança, 12 estão em “Impulsos”. Elton de Souza está na companhia há dois anos e meio e tem 15 anos de carreira, mineiro de Ibirité. Para ele, na junção das coreografias, “60 Grãos trouxe um universo com muita fisicalidade, trabalhando várias nuances de corpo e tônus musculares unidos ao mundo metódico de Beethoven; já Plot, é o universo dos jogos digitais, com cada bailarino descobrindo seu personagem e criando a narrativa do espetáculo. Numa interpretação pessoal, em Plot acho que cada personagem é um pedacinho do nosso alter ego que vai refletir no alter ego do espectador. São personagens que reconhecemos no dia a dia, as pessoas idosas, as crianças... E 60 Grãos nos mostra o lugar metódico, de todo dia você levantar e fazer a mesma coisa, de seguir regras sabendo que não há garantia de uma vida perfeita”.
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O bailarino, que se formou no Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), está feliz em fazer parte da festa dos 55 anos: “É um prazer fazer parte deste momento e contribuir com a minha arte, com a minha história aliada à história da companhia e da Fundação”. 
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A paranaense, de Cascavel, Isabela Ivanov, está na companhia há 10 meses, tendo cinco anos de carreira. Para ela, se apresentar em “Impulsos” é uma alegria. “Em 60 Grãos, temos uma movimentação intensa, muita contração muscular e troca de dinâmica, ora suave ora contraída. Cérebro e corpo trabalham rápido. Bem diferente de Plot, que tem uma relação forte com a dramaturgia, pesquisa de personagem, da trama. Debruçamos muito e fomos agregando movimentação à interpretação dando vida ao trabalho. Espero que o público tenha o seu olhar, balé é isso, cada um com sua leitura sobre o espetáculo. E estar nestes 55 anos é um presente, todo o movimento, as colaborações com o trabalho, é um privilégio”.
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Espetáculo Pulsante
 
“Impulso” é desconcertante na medida. Faz o espectador “pular” para o palco e viver emoções variadas. O coreógrafo Alex Soares avisa que a ideia com 60 Grãos é “que quem não toma café, ou quem nunca tomou, possa experimentar seu efeito ao assistir ao espetáculo. A ação da cafeína no corpo. A peça carrega essa energia permeada pelo terceiro movimento da ‘Sonata ao Luar’, de Beethoven”, explica, lembrando da obsessão do compositor em preparar seu café com exatos 60 grãos. 
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Com Plot, Alan Keller quis instigar a participação do público na narrativa conduzida pelos bailarinos. Para ele, o sentido de “Plot” está na imaginação de um desfecho pelo espectador ao longo da apresentação: “A interação com o público é fundamental. A apresentação é um jogo que nos surpreende, e espero que os espectadores sintam isso, porque, assim como na vida, cada dia é um jogo cujo resultado final nunca sabemos ao certo”, afirma o coreógrafo.
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As veteranas 
 
Ariane de Freitas, a bailarina com mais tempo de Cia da Dança, são 22 anos, em atividade - Foto: Arquivo PessoalNão pode ficar fora desta festa Ariane de Freitas, a bailarina com mais tempo de Cia da Dança, são 22 anos. “É uma grande alegria, data importante. Essa companhia tem uma história muito bonita, belíssima, com uma trajetória extensa, de muita qualidade técnica e artística. E também dona de um grande diferencial, que são os bailarinos criadores. Nós participamos ativamente das montagens, dando um recheio todo especial para cada trabalho que é montado”.
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Para Ariane, é impossível escolher um espetáculo em sua trajetória de décadas: “Cada montagem é uma oportunidade de se reinventar e esse é o grande primor dessa companhia e da oportunidade de ainda estar aqui. Nesse movimento de criação, de trazer sempre novidades tanto para o público quanto para nós, intérpretes, nos atualizando para oferecer algo extremamente contemporâneo, assuntos que estão vivos ou que precisam ser revisitados para ganhar outro brilho, outras visões de paisagens”.
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E, claro, outra personagem desta celebração é Cláudia Malta, diretora artística do Palácio das Artes: “Sou cria da Cia de Dança, cheguei em 1971 como aluna do professor Carlos Leite. É uma honra estar onde estou, ainda realizando, com força, energia e vontade de fazer de tudo para esta instituição e bailarinos”. 
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O espetáculo “Impulsos” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) e Fundação Clóvis Salgado. 
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SERVIÇO
Espetáculo: “Impulsos”
Datas: 12 a 15 (quinta-feira a domingo) e 19 a 22 de março (quinta-feira a domingo) de 2026
Horários: dias 12, 13, 14, 19, 20 e 21 (quinta a sábado) às 19h; dias 15 e 22 (domingos) às 18h
Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte (MG)
Ingressos:  R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia-entrada, disponíveis na bilheteria do Palácio das Artes e na plataforma Sympla
Classificação indicativa: Livre
Mais informações: https://fcs.mg.gov.br

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