A montagem propõe uma leitura vertical, irreverente e apocalíptica da obra de Shakespeare. O público poderá assistir ao espetáculo em duas sessões gratuitas, nos dias 17 e 18 de março, terça e quarta-feira, às 19h, dentro da programação da 2ª edição da Mostra AO TEATRO, que fica em cartaz até o dia 29 de março.
. Segundo Rita Clemente, diretora da mostra, a proposta do projeto vai além da apresentação de espetáculos e busca ampliar o contato do público com o teatro. “Um dos nossos principais objetivos é a formação de público, um conceito inerente ao fazer artístico. Isto não se adquire apenas oferecendo mercadologicamente uma obra teatral. Alguém que somente vê internet, provavelmente não terá interesse em procurar atividades intelectuais e artísticas presenciais. Alguém que nunca foi ensinado e estimulado a ler, ver uma exposição, buscar uma peça teatral para assistir, raramente o fará sem que haja dispositivos de sensibilização. O que fazemos nesta Mostra é arregimentar esforços, vocação, talento e recursos financeiros próprios, para dizer: venha AO TEATRO, é para você. Teatro é arte e precisa ser para todos. Arte também é ofício. Estamos vivos”, contextualiza.
. Nesta segunda edição, a Mostra AO TEATRO reúne mais de 40 profissionais, entre produtores, atores, técnicos, cenotécnicos e gestores culturais. O projeto também destaca o protagonismo de artistas com mais de 40 anos, como Júlio Maciel, Alexandre Toledo, Cláudio Dias, Letícia Castilho, Enio Rodrigues, Mário Moraes e a própria Rita Clemente, que também estará em cena interpretando Lady Macbeth na peça “Delírio e Queda”, espetáculo que encerra a programação.
. Segundo Clemente, a iniciativa surgiu a partir da aproximação entre artistas independentes: “aqueles que buscam autonomia na escolha de temas, textos e ideias e que, como a maioria dos artistas contemporâneos, necessitam de fomento e acabam buscando outras formas de realizar seus trabalhos, para além dos mecanismos de incentivo fiscal. Em geral são artistas comprometidos com o público e com o desenvolvimento técnico e artístico do seu ofício”, explica.
. Os espetáculos apresentados na mostra são inspirados em textos clássicos da literatura universal, incluindo obras de autores como Franz Kafka, Anton Tchekhov, Gabriele D’Annunzio e William Shakespeare. As adaptações foram construídas a partir de um processo que a diretora define como antropofágico, trazendo novos sentidos para textos consagrados.
. “Trazer textos universais e sobre eles ter uma abordagem original não é novo, mas nunca será ultrapassado: é mostrar a potência da criatividade e o valor da arte feita antes de todos nós, sob a tutela imprescindível do olhar contemporâneo. É também afirmar: faço o que a arte me dá por direito fazer, em relação a toda e qualquer herança histórica, seja ela brasileira ou não. O público vai assistir desde interpretações profundas e realistas, mas também mascaramentos e proposições que impressionam pelo rigor estético. Verticalizamos encenações íntimas e tocantes; potencializamos entrelaçamentos estéticos e estilísticos entre as obras; discussões sobre poder; o ser humano e seu conflito existencial; e há em comum o masculino degradado e chacoalhado pela própria decadência abordado por artistas impregnados da vontade de criar“, destaca.
. Apesar de a programação ser composta majoritariamente por espetáculos solo, a diretora afirma que existe um diálogo estético entre as montagens, concebidas como partes de uma estrutura maior. “Embora sejam obras independentes, acabei por trabalhar como se estivesse criando uma ópera em quadros com história diferentes, mas com linguagem semelhante. São solos, porque também expressam claramente a falta de condições de artistas independentes realizarem trabalhos consistentes com mais de um ator em cena. Por isso, venho desenvolvendo conceitos e práticas que dão ao Solo um qualidade dialógica: há sempre diálogo, mesmo que haja apenas um ator”, comenta.
Mostra AO TEATRO - 2ª edição
Data: Até 29 de março
Local: Teatro de Bolso do Sesc Palladium
Ingressos pelo Sympla ou na bilheteria do Sesc Palladium.
R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada mediante a doação de 1 kg de alimento não-perecível)
Para as peças gratuitas "Espantalho" e "Escorpiões na Alma" também é necessária a retirada de ingresso no Sympla.