Eduarda conquistou o primeiro lugar no bacharelado em Música com habilitação em violoncelo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também obteve a maior nota no mesmo curso na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Natural de Belo Horizonte, ela iniciou sua trajetória musical em 2019, com aulas de flauta doce, e passou a integrar a Orquestra Jovem das Gerais em 2020, quando teve contato com o violoncelo.
. “Quando vi meu nome na lista de classificados do vestibular, a ficha demorou a cair. Esse resultado representa muito empenho, dedicação e perseverança. Já pensei várias vezes em desistir, mas sempre tive o apoio da minha família adotiva”, conta Eduarda. Segundo ela, a vivência na orquestra contribuiu para aprendizados que vão além da técnica musical, como partilha, companheirismo, respeito, humildade e gratidão. A estudante inicia as aulas na UFMG em março.
. Já Beatriz Gonçalves Monteiro, moradora de Contagem desde a infância, foi aprovada em terceiro lugar no curso livre de Música da UFMG, em seu primeiro vestibular. O contato com a música começou aos oito anos, quando ganhou o primeiro violino, instrumento que passou a estudar de forma contínua após ingressar na Orquestra Jovem das Gerais, há nove anos.
. “Tive professores incríveis, que me ensinaram a trabalhar em equipe, a entender o próximo e a reconhecer o quanto um projeto social pode mudar uma vida.” A aprovação, segundo ela, veio de forma inesperada. “Foi a realização de um sonho. A preparação é difícil e exige renúncias, mas meu professor, Thiago Rieverte, que dá aulas na orquestra, me ajudou muito nesse período, em todos os passos. Quando vemos o resultado, tudo vale a pena”, celebra Beatriz.
. O projeto
Fundada em 1997 pelos músicos mineiros Renato Almeida e Rosiane Reis, a Orquestra Jovem das Gerais oferece oficinas de instrumentos de corda, sopro e percussão. Com sede em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o projeto já beneficiou mais de 1,6 mil crianças e adolescentes, aliando formação musical ao desenvolvimento de valores como trabalho em equipe, responsabilidade e perseverança.
. Atualmente, a iniciativa atende cerca de 500 crianças e adolescentes e conta com patrocínio, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), responsável pelas ações sociais do Grupo Bmg.
. Para o maestro e coordenador geral Renato Almeida, os resultados refletem a continuidade do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas. “Ver essas adolescentes aprovadas em vestibulares de Música mostra que estamos no caminho certo e o apoio de patrocinadores como o Instituto Marina e Flávio Guimarães é fundamental para que possamos oferecer ensino de qualidade e estrutura adequada”.
A diretora do IMFG, Rosana Aguiar, avalia que as aprovações reforçam o papel das políticas de incentivo cultural na ampliação de oportunidades educacionais. “Essas aprovações representam não apenas talento e dedicação individuais, mas também a força transformadora da educação e da cultura quando recebem apoio consistente”, afirma.