Sob regência do maestro residente André Brant, o concerto reúne os solistas Andreia de Paula (soprano), Julia Solomon (mezzosoprano), Lucas Viana (tenor) e Sávio Sperandio (baixo), em uma execução que percorre uma das partituras mais emblemáticas da música erudita. Além de Mozart, o programa inclui o prelúdio do ato 1 da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, e “Cantique de Jean Racine”, de Gabriel Fauré.
. A escolha das obras, segundo Brant, propõe uma construção estética que prepara o público para a intensidade do “Réquiem”. “Quase como um preâmbulo ao ‘Réquiem’, nós escolhemos o prelúdio do ato 1 da ópera ‘Lohengrin’, de Wagner, e ‘Cantique de Jean Racine’, de Fauré. As duas obras possuem o mesmo caráter, etéreo, místico, quase melancólico. Assim como o ‘Réquiem’ é uma oração pelos mortos, ‘Cantique de Jean Racine’ é uma oração ao próprio Deus, e a ópera ‘Lohengrin’ é uma espécie de culto ao sublime. Tanto em relação ao tema, mas principalmente em termos estéticos, selecionamos obras que vão trazer um certo ar de contemplação, para, aí sim, na segunda parte, ouvirmos o ‘Réquiem’ de Mozart”, explica.
. Composta em ré menor e dividida em 14 movimentos, a obra ficou inacabada devido à morte de Mozart, aos 35 anos. A criação do “Réquiem” é cercada por relatos que alimentam sua dimensão simbólica: a encomenda partiu do conde Von Walsegg, que pretendia apresentar a obra como se fosse de sua autoria em homenagem à esposa falecida. Doente, Mozart teria deixado orientações ao aluno Franz Xaver Süssmayr, responsável por finalizar a partitura após sua morte.
. Para André Brant, essa história contribui para a permanência da obra no imaginário coletivo. “O ‘Réquiem’ de Mozart é uma das obras mais executadas pelas orquestras ao redor do mundo. Sempre que ele é feito o público lota o teatro. Essa peça é uma daquelas que carregam uma mística muito interessante, porque é quase como se fosse uma missa para o próprio compositor. Sua relevância, mesmo depois de mais de 200 anos, está muito ligada a essa carga dramática, algo que não é tão comum nas peças do Mozart. Ele foi um compositor genial, que escreveu mais de 600 obras, mas eu acredito que em poucas delas nós encontramos toda essa intensidade que o ‘Réquiem’ traz”, aponta o maestro.
. A obra também se destaca pela escrita coral alinhada à tradição da Igreja e por referências a Johann Sebastian Bach. Sua estreia ocorreu em 1793, em Viena, em um concerto beneficente em apoio à família do compositor. Mais de dois séculos depois, o “Réquiem” segue como uma das peças mais executadas do repertório clássico.
. A mezzosoprano Julia Solomon, que já interpretou a obra em coro, sobe agora ao palco como solista pela primeira vez no Palácio das Artes. “É uma alegria revisitar essa obra e explorá-la com mais profundidade. Conheço partes dela praticamente desde sempre. A música aparece em todos os lugares, e movimentos como o ‘Lacrimosa’ são especialmente reconhecíveis até os dias atuais — há uma razão para estarem em séries como ‘The Crown’ e ‘Peaky Blinders’”, enaltece.
. Segundo a cantora, a força do “Réquiem” está na forma como atravessa diferentes gerações. “Essa obra também é um verdadeiro prazer de cantar, porque Mozart escreve de forma extraordinária para a voz”, continua Julia. “Mas, para mim, o maior desafio é incorporar o texto e interpretar as indicações da partitura como algo que nasce diretamente das palavras. No caso do ‘Réquiem’, há um desafio particular porque o texto está em latim. Mesmo sendo tecnicamente uma ‘língua morta’, é essencial trazê-la à vida de forma vívida, para que o significado das palavras possa ser comunicado ao público. As pessoas podem esperar uma obra-prima arrebatadora — daquelas que não podem ser explicadas de forma intelectual; é algo que simplesmente precisa ser sentido”, destaca.
Serviço
Concertos da Liberdade: “Réquiem” de Mozart
Data: 25 de março de 2026 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Valor dos ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)