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Festival Alaíde destaca a música de mulheres e pessoas trans

Circuito leva seis shows a centros culturais de BH até agosto, com artistas mineiras e protagonismo de instrumentistas

Da redação
Jeh Senhorini se apresenta neste sábado (11) - Foto: Frank Bitencourt/Divulgação
Belo Horizonte recebe, até agosto, o Alaíde Circuito de Música, projeto voltado à valorização de instrumentistas mulheres e pessoas trans. A iniciativa promove seis apresentações em centros culturais municipais da capital, reunindo artistas mineiras que se inspiram em grandes cantoras brasileiras. 
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A próxima apresentação do projeto acontece no sábado (11), às 16h, no Centro Cultural Venda Nova, com Jeh Senhorini, que mistura pop rock, MPB e forró.

Idealizado pela atriz, musicista e produtora Thâmara Mazur, o festival tem como proposta dar protagonismo às instrumentistas no palco, ampliando a visibilidade de mulheres e pessoas trans na cena musical.
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“O ‘Alaíde’ é iniciativa inovadora, por ser um festival que valoriza a presença das instrumentistas no palco – e não nos bastidores - reforçando a visibilidade dessas profissionais, que historicamente ocuparam ou ocupam espaços secundários nas rodas de samba e demais atrações culturais da capital. O gesto é simbólico e político, mas naturaliza a presença de corpos diversos na linha de frente da criação musical”, explica Thâmara Mazur.
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A cada apresentação, a banda base — formada por Anna Lages, Babi Lómaz, Carol Ramalho, Luisa de Paula e Luísa Martins, com direção de Laiza Lamara — convida uma artista diferente, promovendo encontros inéditos e trocas de repertório.
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Para a idealizadora, o circuito vai além da realização de shows. “Ao propor uma série de apresentações, com uma banda formada exclusivamente por mulheres e pessoas trans, o Alaíde promove equidade de gênero e diversidade. Dessa forma, estamos enfrentando desigualdades históricas que ainda marcam a trajetória de mulheres e pessoas trans na cena musical”, afirma Thâmara Mazur.
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O nome do festival homenageia a cantora Alaíde Costa, referência da música brasileira. “A Alaíde é uma inspiração para mim e, acredito que para muitas cantoras, especialmente as negras. Mulher, negra e cantora, em uma época em a discriminação era mais gritante. Ela não desistiu e luta pela emancipação da mulher negra na música brasileira”, diz.

A programação teve início em março, com apresentação da compositora Julia Deodora, e segue com shows em diferentes regiões da cidade. Em maio, o Centro Cultural Vila Santa Rita recebe a artista Bahia, enquanto em junho o Centro Cultural Usina da Cultura sedia o espetáculo “Sampagode”, de Ana Hilário.

Em julho, Vitória Pires se apresenta no Centro Cultural Salgado Filho. O encerramento está previsto para agosto, no Centro Cultural Raul Belém, com o show “Malditas”, de Thâmara Mazur.

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