Revista Encontro

Descoberta

Pesquisa da UFMG identifica 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea

Estudo com dados da missão Gaia reforça hipótese sobre estrutura da galáxia e amplia catálogo de objetos identificados

Da Redação (com informações da UFMG)
Descoberta foi reportada em artigo aceito para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society - Foto: ESA - D. Ducros
A descoberta de 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea foi reportada em artigo aceito para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O estudo é liderado pelo astrônomo Filipe Andrade Ferreira, do Espaço do Conhecimento, que é doutor em Física pela UFMG, e utiliza dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA).
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Os resultados reforçam a hipótese de que a Via Láctea seja uma galáxia espiral floculenta, caracterizada por braços segmentados, em contraste com o modelo clássico de braços densos e bem definidos. A pesquisa contribui para ampliar a compreensão da estrutura da galáxia e para o mapeamento de seus contornos.
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O trabalho conta ainda com a participação dos pesquisadores Mateus de Souza Ângelo (Cefet Nepomuceno), João Francisco Coelho dos Santos Jr. (UFMG), Wagner José Corradi Barbosa (Laboratório Nacional de Astrofísica e UFMG) e Francisco Ferreira de Souza Maia (UFRJ). Segundo o estudo, os aglomerados recém-identificados são relativamente jovens, pouco densos e formados por um número reduzido de estrelas.
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Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram informações como brilho, posição e velocidade das estrelas fornecidas pela missão Gaia. O método adotado combina análise de dados com inspeção manual supervisionada de gráficos, permitindo identificar agrupamentos que poderiam passar despercebidos por sistemas automatizados baseados em inteligência artificial.
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A trajetória da pesquisa começou ainda durante o doutorado de Ferreira, em 2018, quando ele utilizava os dados da missão para estudar o aglomerado NGC 5999. Durante essa análise, o pesquisador identificou, de forma inesperada, outras concentrações de estrelas na mesma região.
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“Eu já sabia que não existia nenhum objeto na região, então analisei essas três novas concentrações e me dei conta de que eram três aglomerados de estrelas desconhecidos na literatura. Eles foram rigorosamente analisados, comparados com objetos conhecidos e tiveram propriedades como idade, distância e composição química determinadas para validar as descobertas. Esses primeiros aglomerados foram batizados de UFMG 1, UFMG 2 e UFMG 3, em homenagem à Universidade. A partir da primeira descoberta, em conjunto com o projeto inicial do doutorado, mantive uma vertente na minha pesquisa voltada à procura de conjuntos abertos de estrelas. Além de um trabalho com UFMG 1, UFMG 2 e UFMG 3, que foi publicado em 2019, tivemos outros três trabalhos reportando descobertas em 2020, 2021 e este mais recente de 2026, totalizando 93 aglomerados descobertos”, conta o astrônomo.
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Além das descobertas lideradas pelo pesquisador, outros grupos ao redor do mundo também têm contribuído para ampliar o número de aglomerados conhecidos. Um exemplo é a identificação simultânea de outros 35 objetos por equipes que incluem pesquisadores brasileiros, o que elevou o catálogo de aglomerados UFMG para 128 registros.
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De acordo com Ferreira, os dados da missão Gaia têm papel central nesse avanço, ao fornecer informações precisas sobre a posição e a distância entre estrelas na Via Láctea.
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O pesquisador destaca ainda o impacto dessas descobertas para a produção científica e para o fortalecimento da pesquisa no país. “O reconhecimento e a circulação desse conhecimento reafirmam que as pesquisas feitas dentro da UFMG ou por pesquisadores formados na Universidade têm alcance mundial e merecem investimento”, afirma.

Além da pesquisa acadêmica, o Espaço do Conhecimento UFMG atua na divulgação científica, aproximando o público das descobertas e ampliando o acesso à produção científica desenvolvida na universidade.

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