Inspirada em relatos históricos, memórias familiares e investigações pessoais das atrizes, a montagem aborda temas como sofrimento psíquico, preconceito e intolerância religiosa. Com texto e direção de Dhu Rocha, o espetáculo é estrelado por Bárbara Sill e Larissa Ribeiro, com consultoria artística de Rejane Faria.
. No palco, a narrativa acompanha Celeste, personagem que vive entre as décadas de 1930 e 1940 e tem sua trajetória atravessada por uma gravidez e pelo abandono de um grande amor. Considerada inadequada pelos padrões da época, ela sofre pressões sociais e familiares que a levam à internação no Hospital Colônia de Barbacena. A partir de sua experiência, o espetáculo expõe o impacto do preconceito e da exclusão.
. “O espetáculo perpassa a história de nove mulheres, sendo Celeste, que é enviada ao Colônia, a figura central que costura essas narrativas. Acompanhamos um relato histórico e poético que nos leva a refletir sobre saúde mental, institucionalização, intolerância religiosa e posição social da mulher”, diz Bárbara Sill.
. Com linguagem que articula teatro, música e poesia, a obra propõe uma experiência sensorial voltada à escuta e à empatia, explorando os limites entre sanidade e exclusão. A construção dramatúrgica parte de pesquisas sobre histórias de mulheres silenciadas ao longo do tempo, especialmente aquelas marginalizadas por padrões sociais.
. “Levo ao palco a narrativa de uma mulher que poderia ser tantas outras marcada pelo sofrimento, pela fé e por uma escuta sensível do invisível. Como atriz, pesquisadora e familiar de pessoas em sofrimento mental, encontro neste espetáculo um caminho de memória e reflexão”, afirma Larissa Ribeiro.
. A religiosidade de matriz africana também atravessa a encenação como elemento simbólico e estético, reforçando a dimensão espiritual da narrativa e o diálogo com saberes historicamente marginalizados. “A religiosidade de matriz africana também atravessa a encenação como força espiritual, estética e simbólica. Em cena, espiritualidade e resistência caminham juntas, evocando saberes historicamente marginalizados e reafirmando a potência de culturas que sobreviveram ao apagamento”, afirma Bárbara Sill.
Serviço
Luz do Túnel | Espetáculo da Flor de Maio Teatro
Data: 9, sábado, e 10, domingo, de maio
Horários: sábado às 20h, domingo às 19h
Local: Teatro João Ceschiatti (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, dentro do Palácio das Artes)
Duração: 75 minutos
Classificação etária: 14 anos
Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia)