A iniciativa, executada com recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA-BH), representa um novo momento na trajetória do Instituto Hahaha, organização criada em 2012 e conhecida pela atuação em hospitais, escolas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e casas de acolhimento. Com o projeto Ocupa Hahaha, criado em 2025, o grupo ampliou sua atuação para espaços comunitários, conectando saúde, educação, assistência social e cultura em diferentes pontos do território ao redor do Hospital da Baleia.
. Segundo Eliseu Custódio, coordenador do projeto e gestor de criação e formação artística do instituto, a proposta surgiu da necessidade de expandir o conceito de cuidado para além do ambiente hospitalar.
. “No caminho até o Hospital da Baleia, existe um percurso que vai além do deslocamento físico. Ao atravessar a Vila Fátima, encontramos um território vivo, pulsante, atravessado por histórias e relações. O projeto nasce justamente da pergunta: como fazer o cuidado ultrapassar os limites do hospital e dialogar diretamente com a comunidade? A resposta veio pela arte e pela palhaçaria. Então, fomos para a rua, para o CRAS, para o quilombo, para a escola. A mostra nasce dessa experiência: da vontade de contar, por meio da palhaçaria, o que acontece quando o riso encontra diferentes realidades no território”, explica.
. Ainda de acordo com Custódio, a atuação territorial transformou a própria lógica de trabalho do grupo. “Nosso DNA é uma palhaçaria relacional. Tudo se constrói a partir do encontro com o outro e em diálogo direto com o contexto. Assim é no hospital, na escola, no quilombo, no CRAS e também será no Centro Cultural. Essa expansão nos desloca e nos transforma. Não se retorna ao ponto inicial depois de atravessar novas territorialidades”, destaca.
. A mostra “Território de Riso” traduz em cena experiências vividas em espaços como o Hospital da Baleia, a EMEI Baleia, o Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango e o CRAS Vila Fátima. O espetáculo mistura música, jogos, narração e interação direta com crianças e famílias.
. “O público vai assistir a uma tradução artística das experiências vividas no projeto. São situações inspiradas em encontros reais com crianças no hospital, visitas de casa em casa, brincadeiras na escola e festas no quilombo. É como se a realidade fosse reorganizada pela lógica da palhaçaria”, resume Fernando Oliveira, diretor e dramaturgo da mostra.
. A proposta aposta em uma relação próxima entre artistas e plateia, especialmente com o público infantil. “A mostra conta a participação direta de crianças do território e de integrantes do Kilombo Manzo. A ideia é diminuir a distância entre palco e público, criando um ambiente de jogo coletivo. Especialmente o público infantil entra em cena, ocupa o espaço, participa das brincadeiras e ajuda a construir situações”, acrescenta o diretor.
. O elenco é formado por Daniela Rosa, Evandro Heringer, Karu, Laura Raízes, Led Marques, Letícia DiCássia e Vinicio Queiroz. A direção musical é de Gladson Braga.
A cenografia também acompanha a proposta de ocupação e transformação do cotidiano, utilizando elementos simples e adaptáveis. “O cenário é construído a partir de elementos simples e transformáveis, principalmente carteiras escolares, que viram casas, ruas, arquibancadas, leitos de hospital e estruturas de jogo. A lógica é a mesma do projeto: ocupar o espaço com o que está disponível e transformar por meio da ação artística”, explica Fernando Oliveira.
. Além da dimensão artística, o projeto também buscou fortalecer as conexões entre instituições da região. “O principal desafio foi respeitar as singularidades de cada espaço, que possui dinâmicas e necessidades muito distintas. Por isso, adotamos a escuta como princípio fundamental. Um grande aprendizado foi perceber o potencial do projeto como articulador de rede. Ao circular por esses diferentes espaços, o projeto Ocupa Hahaha também promove aproximações entre instituições que muitas vezes não dialogavam entre si”, afirma Gyuliana Duarte, gestora de Execução Artística.
. Para Elen Couto, gestora Administrativa e Financeira do Instituto Hahaha, a construção coletiva foi essencial para a realização da iniciativa. “Essas parcerias são fundamentais porque o projeto não acontece de forma isolada. Ele se constrói a partir da articulação com o território, o que permite ampliar alcance, otimizar recursos e deixar resultados que permanecem mesmo após o término. Trabalhar em rede fortalece o impacto das ações e torna possível a realização de atividades gratuitas, descentralizando o acesso à cultura e chegando, de fato, à periferia”, diz.
. Mais do que um encerramento, a mostra aponta para novas possibilidades de atuação do instituto. “Esse projeto é um primeiro movimento nesse sentido. A ideia é continuar expandindo, fortalecendo redes e ocupando outros territórios, sempre a partir do encontro com instituições locais e com as crianças. O território não é só aonde a gente vai, é com quem a gente constrói”, conclui Fernando Oliveira.
Serviço
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Mostra “Território de Riso” – Projeto Ocupa Hahaha
Data: 30 de maio, sábado, às 16h
Local: Centro Cultural Vila Fátima (Rua São Miguel Arcanjo, 215 – Nossa Senhora de Fátima)