Revista Encontro

Corredor de cultura

Avenida Cultural promete transformar a Afonso Pena em referência nacional

Projeto conecta história, arte e turismo ao longo da Afonso Pena ao unir patrimônio, criatividade e paisagem da Rodoviária à Serra do Curral

Lilian Monteiro
Projeto foi lançado nesta quinta-feira (18), em Belo Horizonte - Foto: Paulo Lacerda/Divulgação
A cultura ganha novo corredor de experiências em Belo Horizonte. Da Rodoviária à Serra do Curral, o projeto Avenida Cultural, lançado nesta quinta-feira (18/06), na capital, conecta múltiplos espaços que promovem a arte, a cultura, a educação e a economia da criatividade, sem deixar de lado a memória, a arquitetura, a ancestralidade e a paisagem natural em toda a extensão da Avenida Afonso Pena.
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Apontado pelos organizadores como “o maior corredor cultural e turístico da história de BH”, a Avenida Cultural é uma iniciativa do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), Fundação Clóvis Salgado, do Cine Theatro Brasil e a Associação Cine Theatro Brasil.
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O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, enfatiza que a Avenida Cultural chega para “organizar o fluxo cultural, já que o Circuito Liberdade compreende toda a linha da Contorno e necessitava de projetos setoriais. É uma política cultural aplicada em um espaço que é protegido pelo patrimônio histórico de Belo Horizonte”.
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Para Leônidas Oliveira, a Avenida Cultural é mais um núcleo do Circuito Liberdade em um percurso “que simboliza o centro nevrálgico ou centro cultural, onde as pessoas mais transitam na capital. Temos da rodoviária até a Serra do Curral um percurso de paisagem urbana, dos edifícios aos equipamentos culturais que estão no ideário de quem frequenta Belo Horizonte, sejam de Minas e do mundo”.
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A escolha do percurso se justifica, conforme o secretário: “Poderíamos escolher vários lugares. No entanto, na Avenida Afonso Pena estamos diante dos dois grandes equipamentos do Estado de Minas Gerais, o Palácio das Artes e o Cine Theatro Brasil Vallourec, o Parque Municipal, a Feira Hippie, ou seja, temos uma potência cultural que ocorre nesse lugar. E a própria Praça 7 de Setembro da Independência, que fala muito da construção da capital que veio com esse paradigma de ser uma cidade da República. Então, é o nosso Centro Histórico”.
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Para a diretora-executiva da Associação Cine Theatro Brasil, Eliane Parreiras, a Avenida Cultural “é um projeto importante ao reconhecer o valor simbólico e cultural do eixo que vai da rodoviária à Serra do Curral. No caso do Cine Theatro Brasil estamos no coração do Centro, que é a Praça Sete, ponto de encontro, de convivência, mobilidade e diversidade. Diversidade também de instituições culturais e espaços criativos ao longo da avenida”.  
 
Eliane Parreiras lembra ainda que este eixo com uma atuação em rede organizada, com mapeamento, guias digitais, minirroteiros, roteiros sistemáticos, arquitetônicos e de memória, vai fortalecer a relação de cada um dos equipamentos que trabalham individualmente e o público vai perceber a Avenida Cultural de outra maneira: “Temos um potencial extraordinário. O Cine Theatro Brasil tem alguns projetos que dialogam com o entorno, com a região e a própria Afonso Pena e a Avenida Cultural nasce de um feliz encontro com a intenção de juntar forças para pensar de maneira coletiva esse grande projeto. E o mais importante é olhar o território de uma outra maneira para pensar essas articulações todas que vão se desenvolver ao longo do tempo”.
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Já a diretora de Comunicação e Marketing da Cemig, Cristiana Kumaira, enfatiza que o projeto é “histórico”, já que “mais uma vez posicionamos Belo Horizonte e Minas Gerais em um patamar de excelência cultural e capacidade de articulação, de trabalho em rede, referência não apenas no Brasil, quiçá na América Latina. É fundamental que tenhamos consciência da relevância desta iniciativa”.
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Rotas temáticas
 
A Avenida Cultural proporcionará ao visitante percursos roteirizados, reunidos no mote “Travessias Urbanas”. A primeira rota já proposta é a de “Povos Indígenas, Art Déco e Cosmologias do Centro”. Os eixos são Edifício Acaiaca, principal marca indígena no art déco belo-horizontino, com suas monumentais efígies; o Cine Theatro Brasil, outro registro arquitetônico da modernidade art déco e ponto central da leitura cultural do hipercentro; a Igreja São José, que, em sua ornamentação, une símbolos religiosos e signos do zodíaco; e o CURA, que em suas empenas e murais urbanos, apresenta obras indígenas contemporâneas, como os trabalhos de Daiara Tukano e outros artistas ligados à ancestralidade e à arte pública. 
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Esta rota prevê ainda reflexões a respeito dos nomes indígenas para as ruas do Centro, como Tamoios, Tupis, Guajajaras, Carijós e Caetés. 
 
Mais rotas temáticas estão sendo formuladas e vão ser lançadas no futuro. 
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Circuito Liberdade 
 
A Avenida Cultural chega no momento em que novos espaços são integrados ao Circuito Liberdade: Parque Municipal Américo Renné Giannetti, Centro de Entretenimento de Arte e Cultura (CEAC), do Edifício Acaiaca, Automóvel Clube, Casa Baanko e Igreja São José entram para o complexo, articulando patrimônio, arte, memória, fé, gastronomia, natureza e arquitetura. Na Avenida Afonso Pena, já estão integrados ao Circuito o Cine Theatro Brasil, o Palácio das Artes, a CâmeraSete, o P7 Criativo, o Mercado das Flores, o Museu do Judiciário Mineiro e o Museu dos Brinquedos. 
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O presidente da Fundação Clóvis Salgado e coordenador-geral do Circuito Liberdade, Yuri Mesquita, destaca a importância da Avenida Cultural para descentralizar as ações do complexo. “Despertamos para a ideia desse grande corredor atentando para a própria matéria-prima que o Circuito Liberdade vem construindo ao longo dos anos. Há uma enormidade de programação e projetos que movimentam a cidade, principalmente na região central. Agora, unimos tudo nesse grande projeto, deixando a gestão mais horizontalizada, soltando a corda para que os eixos de programação tenham autonomia. E isso reposiciona o olhar sobre o turismo e a cultura de Belo Horizonte”, declara.
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A Avenida Cultural também será destino do recém-lançado projeto de ativações artísticas urbanas do Circuito Liberdade, o Curto-Circuito, que terá edições especiais ao longo da Avenida Afonso Pena, contando com artistas em formação no Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart).
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Programação da Avenida Cultural 
 
A Avenida Cultural já reservou programação especial para todos os meses deste ano. 
 
  • Entre os dias 25 e 28 de junho, a “Festa da Luz", sob patrocínio da Cemig, ilumina o Baixo Centro de BH, com foco na Praça da Estação, Viaduto Santa Tereza. Nesta quinta edição, o festival se amplia e chega à Praça Fuad Noman.
  • No dia 21 de julho, a Cia de Dança Palácio das Artes realiza intervenção artística na Rodoviária de Belo Horizonte, porta de entrada para BH e cartão de visitas do percurso. 
  • Ainda em julho, a segunda temporada do “Cine em Cena" apresenta “Férias no Cine – Encontro com a Cultura", uma programação especial que ocupa o Cine Theatro Brasil durante o período de férias. A agenda reúne a mostra de cinema “Segunda no Cine”, com uma “Mostra de Terror”; a “Mostra Cine Brasil de Teatro”, com o Grupo Giramundo apresentando “Alice no País das Maravilhas”; e o “Praça Sete Instrumental”, com música em espaço aberto, ocorrendo quinzenalmente às quintas-feiras até outubro.
  • Em agosto, os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado apresentarão um flash mob na Praça Sete, e em setembro, entre os dias 25 e 28, o local recebe o “Quarteirão das Artes”, 
  • Em outubro, duas atrações celebram o mês das crianças. No Cine Theatro Brasil, a mostra “Cine Brasil de Teatro Infantil”, e na Fundação Clóvis Salgado, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica da instituição (Cefart), uma nova edição do Dia do Pequeno Artista, com programação inédita e gratuita em homenagem às crianças. 
  • Em novembro, o Coral Lírico de Minas Gerais se apresenta na Igreja de São José, unindo arte e sacralidade. 
  • Em dezembro, estão previstas ações de Natal, com iluminação ao longo da Avenida Afonso Pena e espetáculos, como cantatas, comemorando o período natalino. 

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