Revista Encontro

Teatro

Espetáculo leva o ECA às ruas com humor e linguagem da palhaçaria

Instituto Hahaha apresenta "Tá no Estatuto!" neste fim de semana, em Santa Tereza, para abordar os direitos de crianças e adolescentes.

Da redação
Produção aposta no humor como ferramenta para discutir a garantia e a violação de direitos de crianças e adolescentes - Foto: Carol Reis/Divulgação
No mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos, o Instituto Hahaha leva aos palcos o espetáculo de rua "Tá no Estatuto!", que utiliza a linguagem da palhaçaria para apresentar ao público os direitos previstos na principal legislação voltada à infância e à adolescência. As apresentações gratuitas acontecem neste sábado (4) e domingo (5), na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte.
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A montagem também marca os 14 anos de atuação do Instituto Hahaha e aposta no humor como ferramenta para discutir a garantia e a violação de direitos de crianças e adolescentes. “É pelo viés da arte da palhaçaria e pelo teatro na rua que trazemos o ECA para o centro da roda. Precisamos intensificar o diálogo com a sociedade sobre a infância e a adolescência e acreditamos na arte e no riso como um caminho potente. Por isso, nestas apresentações, estamos comemorando os 36 anos do ECA e celebrando mais uma conquista para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes: o ECA Digital, uma ferramenta que amplia o acesso ao Estatuto por meio das tecnologias digitais", diz Eliseu Custódio, cofundador do Instituto Hahaha e conselheiro do CMDCA/BH.
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Com texto e direção de Vinícius de Souza, o espetáculo foge da estrutura narrativa tradicional e é construído a partir de performances que combinam música, dança, improviso e interação com o público. A encenação aborda seis capítulos do Estatuto da Criança e do Adolescente, selecionados durante um processo coletivo de criação. 
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A dramaturgia é formada por quadros independentes, conectados pela personagem Dodote Bololô, interpretada por Margareth Serra. Na história, a palhaça organiza uma assembleia e recebe convidados que apresentam diferentes capítulos do Estatuto. “É claro que existe um roteiro pré-estabelecido, mas em vários momentos os artistas têm liberdade para improvisar e jogar com a plateia. Mas esses improvisos não são aleatórios, partem de estudos sobre o ECA que foram desenvolvidos por todos, para o espetáculo. O repertório é imenso, mas a todo o momento, tanto na dramaturgia quanto na direção, trabalhamos de forma que a estrutura da montagem não restrinja a espontaneidade dos palhaços”, diz Vinícius de Souza.
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Segundo Gyuliana Duarte, gestora de execução artística e cofundadora do Instituto Hahaha, a criação do espetáculo buscou valorizar diferentes formas de abordar o conteúdo do Estatuto. “Cada palhaço recebeu um capítulo e teve de dar conta dele. Assim, cada um está investindo numa linguagem, que parte da própria experiência como artista. Tem alguns que estão explicando o capítulo pelo desenho, outros por uma conversa informal, ou por um humor bem delirante”.
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A trilha sonora também tem papel importante na construção da peça. Sob direção musical de Gladson Braga, o espetáculo utiliza sons, ruídos e improvisações para acompanhar as cenas e reforçar a comicidade. “A proposta musical vem do que reflete cada personagem. Para cada movimento do palhaço e da palhaça, eu criei sonoridades. E a própria improvisação traz muitas sonoridades diferentes, que não são consideradas musicais, como ruído, o timbre….”, explica Gladson Braga.
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O diretor musical acrescenta que apenas um refrão se repete ao longo da apresentação. “Porque eles também irão improvisar a partir dos elementos da plateia”.

Além da música, o figurino, assinado por Marcos Hill, busca romper com a estética tradicional da palhaçaria ao incorporar referências urbanas e da adolescência. O cenário, criado por Luiz Dias, segue a mesma proposta ao reunir elementos ligados tanto ao universo do palhaço quanto ao cotidiano de crianças e adolescentes.
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O espetáculo conta com a parceria do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Para Gyuliana Duarte, a iniciativa dialoga com a atuação do Instituto Hahaha, que há 14 anos desenvolve ações de palhaçaria em espaços de saúde e de vulnerabilidade social. “Sentimos a necessidade de trazer as leis que regem o ECA, que desde 1990, quando foram criadas, estão tão engessadas no papel, para uma produção artística que chegue às ruas da cidade”, afirma.
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“O Hahaha tem uma presença continuada na construção de políticas públicas para crianças e adolescentes do município de Belo Horizonte. Por meio do trabalho de palhaçaria nos hospitais, garantimos o direito e acesso à arte e cultura. E não para por aí: somos entidade conselheira no Conselho Municipal dos Direitos de Crianças e Adolescentes (CMDCA), estamos juntos a outras entidades da sociedade civil e poder público na luta e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, acrescenta Eliseu Custódio .
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Na avaliação da presidente do CMDCA/BH, Nádia Costa, o espetáculo contribui para ampliar o conhecimento da população sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. “Ao utilizar a arte, o humor e a linguagem acessível, o espetáculo aproxima o Estatuto da Criança e do Adolescente da população, contribuindo para a disseminação de informações e para o fortalecimento da cultura de garantia de direitos. Por isso, é uma alegria ver projetos como este alcançando crianças, adolescentes, famílias e comunidades, promovendo reflexão, conhecimento e cidadania. Parabenizamos o Instituto Hahaha pela realização do espetáculo e reafirmamos o compromisso do CMDCA/BH com o fortalecimento de iniciativas que contribuam para que os direitos de crianças e adolescentes sejam cada vez mais conhecidos, respeitados e efetivados”, sublinha Nádia.
 
Serviço
Espetáculo “Tá no Estatuto!”
Dias 4 e 5 de julho, sábado às 16h e domingo às 10h30 
Praça Duque de Caxias – Bairro Santa Tereza

Gratuito - Sem a necessidade de retirar ingresso 
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