Revista Encontro

Teatro

Espetáculo revisita delírio e sanidade em nova montagem em BH

Criada em 2014, peça "Os que são pagos pra delirar" retorna aos palcos propondo reflexões sobre trabalho, sobrevivência e realidade

Da redação
Peça estreia neste final de semana - Foto: Letícia Naves/Divulgação
Depois de mais de uma década desde sua criação, o espetáculo “Os que são pagos pra delirar" retorna aos palcos em uma nova montagem, que revisita a obra à luz das transformações políticas, sociais e culturais dos últimos anos. A peça estreia neste sábado (1º) e domingo (2), às 19h, no Teatro Raul Belém Machado, em Belo Horizonte, e segue para uma segunda temporada nos dias 6 e 7 de agosto, também às 19h, no Galpão 1 da Funarte MG.
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A trama acompanha Madalena, que desperta no palco de um teatro após uma sequência de sonhos estranhos. A partir desse momento, ela percebe que a realidade já não é a mesma e passa a viver em um universo onde cotidiano, delírio e absurdo se misturam. Ao longo da narrativa, a peça propõe reflexões sobre os limites entre sanidade, trabalho e sobrevivência, questionando quem pode — ou é obrigado — a delirar.
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Criada originalmente em 2014 como Trabalho de Conclusão de Curso de Danielle Sendin, a obra ganha agora uma nova leitura. Segundo a dramaturga e atriz, a remontagem representa uma oportunidade de revisitar aspectos que ficaram em aberto na primeira versão.
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“A primeira montagem de Os que são pagos pra delirar foi parte de meu TCC. A peça chegou com certa petulância da juventude, o que, se, por um lado, trouxe confiança e coragem, por outro, deixou muita coisa escapar. Nessa remontagem, tento resgatar as coisas que escaparam, tanto dramaturgicamente quanto como atriz em cena”, destaca Sendin, ao comentar que lidar com uma temática que lhe parece ainda mais atual agora, foi um de seus maiores desafios. “Foi preciso permitir que a peça ganhasse vida própria, além de aceitar as inevitáveis perdas que a concretude impõe, depois dessa gestação longuíssima em meu imaginário. Ao mesmo tempo, há a alegria de ver surgirem, da troca e do exercício de confiança que o teatro nos exige, tantas coisas boas e novas, antes inimagináveis”, completa.
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Para a diretora Marina Viana, o reencontro com o espetáculo também dialoga com as mudanças vividas pelo país e pelo mundo desde a primeira montagem, reafirmando o teatro como espaço de resistência.
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“Os que são pagos pra delirar foi um TCC dos anos 2010. Éramos jovens, debochadas. Passados doze anos, um golpe parlamentar, uma pandemia global, a ascensão da extrema direita e da inteligência artificial, remontamos a peça. Durante todo esse tempo, não larguei o osso duro e seco desse ofício doido e cruel que é o teatro. Ou seja, nadar contra a corrente de uma sociedade capitalista e excludente feita para poucos”, afirma ao frisar que a arte teatral “também reproduz esse mundinho do capital em que vivemos. Nem todo mundo tem seu lugar ao sol. Só com muita teimosia, mesmo. É uma merda. Mas nenhum outro ofício me acomodaria. Ao estrear de novo a peça, chego a uma única conclusão: ‘Sim, Danielle, você é uma de nós. Não tem escapatória’”, conclui.

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