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Acessa BH leva cultura DEF aos palcos e telas da capital mineira

Festival reúne artistas de seis estados e do Reino Unido em cerca de 30 atividades, com teatro, dança, cinema, literatura e formação

Da redação
Espetáculos "Ser(tão)" e "Nuvem de Pássaros" integram a programação - Foto: Duda Saturzo/Divulgação e Brunno Martins/Divulgação
Artistas de seis estados brasileiros e uma atração do Reino Unido integram a sexta edição do Festival Acessa BH, que acontece entre 4 e 27 de setembro, em Belo Horizonte. Dedicado à cultura DEF, o evento reúne cerca de 30 atividades, entre espetáculos de dança e teatro, performances, cinema, oficinas, rodas de conversa e lançamentos de livros.

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Com curadoria de Daniel Vitral e Lais Vitral, a programação propõe um recorte da produção contemporânea de artistas com deficiência no Brasil e no exterior. A abertura acontece em 4 de setembro, na Funarte MG, com o espetáculo “SER(tão)”, da companhia potiguar Movidos Dança. Dirigido pelo coreógrafo Mário Nascimento, a montagem parte do sertão nordestino para aproximar dança, música e elementos da cultura popular, com uma trilha que transita por ritmos como forró, xote e baião e sonoridades eletrônicas.
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No dia seguinte, o grupo apresenta “Nuvem de Pássaros”, inspirado nas migrações de aves e nas estratégias coletivas utilizadas por diferentes espécies durante seus deslocamentos. A companhia, idealizada em 2018 pelo coreógrafo e diretor artístico Anderson Leão e pelo bailarino Daniel Silva, desenvolve trabalhos voltados à presença de corpos diversos na dança.
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A primeira semana terá ainda a participação da companhia britânica ZU-UK, que chega ao festival com a performance “Encontro Romântico Binaural”. Na experiência imersiva, um espaço cultural é transformado em restaurante e duplas, formadas por pessoas que se conhecem ou não, são conduzidas durante 75 minutos por uma narração em áudio binaural, jogos e conversas que exploram intimidade, afeto e relações humanas.
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“Essa performance perpetua e fortalece a parceria entre o Acessa BH, o DaDaFest e a ZU-UK, iniciada em 2025. A DaDa é uma organização britânica de artes para pessoas com deficiência com mais de 40 anos de atuação, e tem uma longa história de trabalho internacional para aprender e compartilhar ideias e práticas com artistas com deficiência e organizações de artes da deficiência ao redor do mundo”, explica Daniel Vitral. “A ZU-UK é uma companhia multipremiada e pioneira em performance imersiva e teatro participativo, que trabalha em parceria com a Universidade de Greenwich em projetos que visam inovação a partir da criação de artistas com deficiência e neurodivergentes”.
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Na segunda semana, um dos destaques é “Baixa Sociedade”, com texto de Juca de Oliveira e direção de Pedro Neschling. Protagonizada por Luiz Fernando Guimarães, Debora Osório, Paulo Mathias Jr. e Bruna Alves, a montagem integra as comemorações dos 50 anos de carreira de Guimarães e aborda, por meio da comédia, temas como mobilidade social, ambição e relações de poder.
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Também integra a programação “SURDA”, com dramaturgia autobiográfica de Julia Spadaccini, direção de Debora Lamm e Benedita Casé Zerbini como protagonista. A peça acompanha uma mulher durante o processo de perda auditiva e os impactos da experiência em suas relações afetivas, familiares e profissionais. Além de interpretação em Libras em cena, o espetáculo terá legendas em tempo real e será seguido de bate-papo com o público.
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A presença de artistas surdos e com deficiência auditiva atravessa diferentes linguagens desta edição, segundo a curadora Lais Vitral. “Um dos destaques desta edição é a presença de artistas surdos e artistas com deficiência auditiva, que atuam em diferentes áreas, como interpretação, direção, dramaturgia e literatura. Entre eles, estão atrizes surdas que utilizam línguas de sinais, como Lyvia Cruz, em ‘A Cangaceira Surda Mara’, que se comunica em Língua Brasileira de Sinais (Libras), e Miriam Garlo, protagonista do longa-metragem espanhol ‘Surda’, que utiliza a Língua de Sinais Espanhola (LSE)”, conta Lais Vitral. “O Festival também apresenta trabalhos de artistas que se identificam como "surdos que ouvem", como Benedita Casé Zerbini, atriz do espetáculo ‘SURDA’, com dramaturgia de Julia Spadaccini, e Pedro Neschling, diretor de ‘Baixa Sociedade’. A programação inclui ainda montagens bilíngues, apresentadas em português e Libras, como ‘Da Janela’”, diz. “E no contexto da literatura surda, o Festival receberá o lançamento do livro ‘O Boi que Aprendeu Libras’, de Ademar Alves Jr.”, acrescenta. 
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O cinema terá duas sessões comentadas. Uma delas reúne o curta “A Diferença entre mongóis e mongoloides” e a pré-estreia nacional do documentário “Uma em Mil”, dos irmãos Jonatas e Tiago Rubert. A partir da relação entre os realizadores — Tiago tem síndrome de Down —, o longa aborda autonomia, convivência e afeto. Após a exibição, os diretores participam de uma conversa com o público.
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A programação inclui ainda o longa espanhol “Surda”, protagonizado pela atriz surda Miriam Garlo. O filme acompanha a experiência de uma mulher durante a gravidez e a maternidade e aborda questões relacionadas à identidade, pertencimento e comunicação. A sessão será dublada em português, com Libras, legendas e audiodescrição, e seguida de debate.
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Atividades ocupam a Praça da Liberdade

No dia 20 de setembro, o festival promove uma programação especial em parceria com o Memorial Minas Gerais Vale, na Praça da Liberdade. O “Quintal do Memorial – Edição Acessa BH” reunirá espetáculos, vivências, encontros e atividades voltadas também ao público infantil.
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Entre as atrações estão “A Cangaceira Surda Mara”, da artista cearense Lyvia Cruz, espetáculo em Libras que combina humor e cultura nordestina; e “O Número Sanfônico”, da catarinense La Luna Cia. de Teatro, que aproxima palhaçaria e música.
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O mesmo dia terá os lançamentos de “O Boi que Aprendeu Libras”, primeiro livro infantil de Ademar Alves Jr., inspirado na infância do autor, em sua relação com a Libras e em suas origens no Vale do Jequitinhonha; e “DoroTEA – Uma Autista na Escola”, de Bruno Gomes e Dani Muffato, sobre a chegada de uma criança autista ao ambiente escolar.
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A programação formativa inclui ainda oficinas e rodas de conversa sobre cultura surda, acessibilidade e processos de criação. Nos dias 16 e 17 de setembro, a Funarte MG recebe a oficina “Audiodescrição, movimento e expressão – explorando possibilidades”, conduzida por Anita Rezende, Elizabet Sá e Renata Mara.
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Para as crianças

As infâncias também ganham espaço na reta final do festival. Além de “A Cangaceira Surda Mara” e “O Número Sanfônico”, a programação inclui “Circo de Los Pies”, da La Luna Cia. de Teatro, no qual uma palhaça transforma os próprios pés em personagens para construir pequenas histórias.
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“Puft e as Almofadas Coloridas”, da Cia. Ananda e Rosa Primo, é voltado especialmente a crianças com Transtorno do Espectro Autista e propõe uma experiência sensorial em que palco e plateia dividem o espaço da criação. Após a apresentação, artistas e público participam de um bate-papo.
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O encerramento fica por conta de “Da Janela”, idealizado e dirigido por Marco dos Anjos. O espetáculo utiliza Libras, narração poética e recursos visuais e sonoros para acompanhar a amizade entre duas crianças que descobrem diferentes maneiras de se comunicar.
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Ao longo de toda a edição, os espetáculos terão interpretação em Libras e audiodescrição. As sessões de cinema contarão também com legendas descritivas, enquanto oficinas e rodas de conversa terão recursos definidos de acordo com as necessidades dos participantes.

Serviço
Festival Acessa BH 2026
Quando: 4 a 27 de setembro de 2026
Onde: Funarte MG, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Theatro Brasil, Praça da Liberdade, Palácio das Artes e Teatro Raul Belém Machado
As Informações completas da programação estarão disponíveis no site www.acessabh.com.br a partir do dia 12 de agosto de 2026.
Ingressos: acessabh.com.br/ingressos/

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