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A pintura faz referência ao estado do Rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. No centro da composição, Krenak incorporou o verso “um rio passava seus peixes no fundo do meu quintal”, da música “Vida”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
. “É uma imagem que ficou pregada nas minhas retinas desde que a lama de Mariana devastou a Bacia do Rio Doce, esse rio, nosso avô, o Watu”, afirma Krenak. Para o povo Krenak, o Rio Doce, chamado de Watu, é uma entidade. A relação com o rio e a imagem deixada pela lama da mineração estão na origem da obra criada para o festival. “Ele está em coma sob a lama da mineração. Correm fios d’água entre lamas e pedras, e ele tem uma dignidade que me animou a fazer esse desenho, essa imagem de um rio tentando abrir caminho entre escombros”.
. Nascido em 1953, em Itabirinha, no Vale do Rio Doce, Krenak construiu uma trajetória ligada à defesa dos direitos dos povos indígenas e às questões socioambientais. Participou das discussões que levaram à inclusão dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e, em 2023, tornou-se o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL).
. O escritor é autor de livros como “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” e “A Vida Não É Útil”. Este último está entre os textos que serviram de referência para “Descansar Enquanto”, tema adotado pelo CURA em 2026.
. Embora a concepção da imagem seja de Krenak, a execução da pintura na empena ficou a cargo de uma equipe formada por Anne, Dream, Vicky, Nati e Anata. O escritor acompanhou o trabalho no alto do Edifício Pignataro e fez questão de destacar a participação das artistas na realização da obra.
. “As pessoas que estão fazendo isso, para mim, é que são gigantes”, diz.
A presença de Milton Nascimento e Fernando Brant na pintura também estabelece uma relação entre a obra visual e a música mineira. Ao explicar a escolha do trecho de “Vida”, Krenak destaca sua relação afetiva com a composição. “Todo mundo conhece essa canção maravilhosa dos dois, do Fernando Brant e do Bituca. Fico muito feliz de puxar eles para a minha companhia”, pontua.
A obra começou a ser executada em 19 de agosto e foi concluída na sexta-feira (28). Além da empena concebida por Krenak, a edição deste ano do CURA conta com uma segunda pintura em grande escala, assinada por Mônica Nador, fundadora do Jardim Miriam Arte Clube (JAMAC), no Edifício Florença.