Revista Encontro

Arte urbana

Mônica Nador leva arte em estêncil a empena no centro de BH

Aos 71 anos, artista participa do CURA 2026 e leva para grande escala técnica desenvolvida há décadas em bairros periféricos de São Paulo

Da redação
A artista Mônica Nador - Foto: Lucas Souza/Divulgação
A artista Mônica Nador, de 71 anos, leva ao centro de Belo Horizonte a técnica que há décadas desenvolve em muros de bairros periféricos de São Paulo. A partir desta quarta-feira (19), ela inicia a pintura de uma empena como parte da programação do CURA 2026, festival de arte pública realizado há quase dez anos na capital mineira.
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Conhecida pelo trabalho com estêncil e pela criação de padrões em colaboração com moradores, Nador começou a desenvolver sua prática em bairros populares na década de 1990, quando deixou o ateliê para trabalhar diretamente nesses territórios.
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A produção realizada desde então foi reunida sob o nome de Paredes Pinturas e chegou também a países como Cuba, Japão e Estados Unidos. No Jardim Miriam, em São Paulo, a artista fundou o JAMAC, Jardim Miriam Arte Clube, espaço no qual a criação das obras é compartilhada com a comunidade.
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A participação de Nador no CURA foi definida pelas idealizadoras do festival, Priscila Amoni e Janaína Macruz, ao lado da curadora convidada Luciara Ribeiro. “A Mônica é uma mestra há muito tempo, uma referência na técnica do estêncil, com autoridade no que faz. É essa sabedoria que a edição quis trazer para a praça”, diz Priscila.
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No festival, a artista experimenta uma dimensão diferente daquela que marca boa parte de sua trajetória. Segundo Luciara Ribeiro, esta é a primeira vez que Nador realiza uma pintura em uma escala como a proposta pelo CURA. “A Mônica vem de uma geração que fez do questionamento social da arte não um tema, mas uma ação prática. No JAMAC, o trabalho é de muitas assinaturas. No CURA, ela assina sozinha, num momento de experimentação. Seu trabalho costuma estar nas paredes baixas das casas, visto de perto; a empena alcança o olhar de longe, e vira comunicação com a cidade”, diz a curadora.
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A pintura pode ser acompanhada por quem passa pela praça durante sua execução. Ao ocupar uma empena, o trabalho também altera a relação habitual da artista com a escala e com a maneira como a obra é observada, passando das paredes próximas ao cotidiano dos moradores para uma superfície visível à distância.
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A proposta dialoga com o tema escolhido para a edição de 2026 do CURA, “Descansar Enquanto”. Segundo Ribeiro, o conceito está relacionado aos percursos dos dois artistas convidados para o festival. “Descansar enquanto é pensar um caminho que não para. Não é um descanso no sentido de parar, é um descanso fazendo, um descanso produzindo, sobretudo se respeitando”, diz Luciara.

Serviço
Mônica Nador no CURA 2026
Empena no Edifício Florença (Rua Guaranis, 555), centro de Belo Horizonte
Pintura a partir de 19 de agosto, acompanhável da Praça Raul Soares
CURA 2026 – Festival de Arte Urbana | 19 a 30 de agosto | Praça Raul Soares, Belo Horizonte
Programação gratuita e aberta ao público

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