A trama acompanha o encontro entre dois casais que decidem conversar civilizadamente para resolver uma briga entre seus filhos. O que começa como uma tentativa de diálogo, no entanto, rapidamente se transforma em um confronto que expõe vaidade, agressividade, hipocrisia e a fragilidade das convenções sociais.
. Publicada em 2006, a obra é considerada um dos textos mais importantes do teatro contemporâneo. Ao transformar um conflito aparentemente banal em uma análise das relações humanas, a peça aborda temas como educação, intolerância, disputa de poder, conflito entre pais e a dificuldade de diálogo, questões que seguem atuais e mantêm a identificação do público com a história.
. Para o diretor Rodrigo Portella, a montagem evidencia a tensão permanente entre a civilidade e os impulsos mais primitivos do ser humano. “É como se os pactos e convenções sociais estivessem sempre por um fio diante da nossa força primitiva, caótica e violenta. Pensei em criar uma encenação que explicitasse essa tensão, valorizando no trabalho dos atores essa desconstrução da compostura social e moral para ir revelando aos poucos toda sujeira, toda a selvageria, como se os personagens e a própria cena fossem se descascando, revelando atitudes de profunda intolerância e horror”, revela o diretor.
. Segundo a produção, a nova versão também dialoga com um cenário contemporâneo marcado pela polarização e pela dificuldade de construção de consensos. Para a atriz Anna Sophia Folch, idealizadora do projeto, essa permanência ajuda a explicar a força do texto. “A peça é um retrato incômodo do nosso tempo, mesmo tendo sido escrita no início dos anos 2000. Um texto extremamente provocativo que fala sobre a falência do diálogo, sobre como as pessoas defendem suas próprias narrativas a qualquer custo e sobre a rapidez com que a convivência se transforma em disputa. Os temas passam pela educação e pelas estruturas sociais, mas principalmente pela ideia de que o conceito de civilidade é muito mais frágil do que gostaríamos de admitir”, diz.
. Felipe Valle, responsável pela direção de produção, destaca que a tragicomédia funciona como uma reflexão sobre as relações sociais. “A obra provoca uma reflexão sobre a forma como tendemos a simplificar as relações pessoais, muitas vezes dividindo tudo entre extremos. Ao mesmo tempo, evidencia o contraste entre as narrativas e como isso impacta o convívio em sociedade”.
. Outro aspecto destacado pela equipe é a estrutura dramatúrgica da obra, construída com poucos personagens, um único espaço e uma ação concentrada, o que mantém a tensão durante toda a narrativa e transforma o diálogo em um verdadeiro campo de batalha.
. “Quero que essa cenografia sintética, com poucos elementos, provoque e transporte a imaginação dos espectadores para qualquer lugar possível, de modo a criar identificação independente do contexto social, econômico e ideológico. Os figurinos devem ser os únicos elementos realistas, porque vestem as identidades desses personagens. Todo o restante representa mais o mundo interior do que a realidade deles”, antecipa Rodrigo Portella.
Serviço
“O Deus da Carnificina”
“O Deus da Carnificina”
Dias 8 e 9 de agosto, sábado às 20h30 e domingo às 18h30
Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro)
Ingressos a partir de R4 25 (meia-entrada)
Vendas no Sympla