No circuito pensado pela artista, o público vai contemplar paisagens inspiradas em elementos naturais como rios, lagoas e ventos e ter o olhar impactado na simbiose entre a materialidade do solo mineiro e as diferentes possibilidades de representação da natureza.
. Para absorver a obra de Aída Fischer é importante conhecer sua origem e, assim, captar sua essência traduzida em cada tela, pintura e objeto que cria. Aída nasceu em Lagoa da Prata, onde viveu até os 13 anos, e cresceu às margens do rio São Francisco. Origem marcada por cenários que a marcariam para sempre. Ela revela que se encantava com a paisagem do cerrado misturada às plantações de cana-de-açúcar, com a terra vermelha exposta. A ponte de ferro sobreo rio São Francisco era palco da futura artista que lá de cima ficava “apreciando a sinuosidade da água, o leito do rio, as margens com o barro craquelado”. E de Lagoa da Prata a lembrança da praia artificial e passeios constantes por lá são inesquecíveis. “Essas memórias visuais são inspirações até hoje”.
. A pintura de Aída Fischer combina planejamento e gesto, mas também deixa espaço para a ação da água, dos minerais e de processos físicos e químicos. Em cada criação ela equilibra controle e imprevisibilidade. O que explica uma frase que ela gosta muito de falar que é: “Projetar, construir, deixar a natureza agir”. Esse é, assegura, o seu lema. Ela conta que, no processo de criação, faz o projeto da paisagem inventada, a pesquisa dos materiais, coleta minerais em Minas Gerais e faz uma tinta artesanal com eles. Depois que o projeto, a pesquisa e a tinta artesanal estão prontos, ela começa a pintura.
. Aída revela que a pintura é feita no chão. “Gosto de pintar com grandes pincéis e com a tinta superdiluída em água. É uma pintura gestual com planejamento. O projeto fica no subconsciente e o meu corpo executa”. Depois, ela conta, vem a parte da secagem, que é onde a natureza age. “É onde o barro craquela, é onde o leito do rio seca, onde a tela se deforma formando pequenas “montanhas”. É muito lindo ver os processos físicos e químicos agindo”. Neste processo criativo, Aída entrega que é embalada, normalmente por música, do rock à música clássica, e vai apreciando a transformação e concepção da criação. Dessa maneira, para uma obra ficar pronta, leva muito tempo. “É um processo demorado”, diz.
. A fosforescência e as constelações
A artista explica que a fosforescência surgiu de um desejo simples: “pintar o céu estrelado”. O que condiz com sua alma de observadora das paisagens e das estrelas. Ela tem telescópio e gosta de astronomia.
. No processo, Aída revela que pintou algumas paisagens noturnas, mas não estava satisfeita com o resultado. Um dia, ela conta, pesquisando sobre as propriedades da pedra fluorita, resolveu comprar tinta fluorescente. “E foi estudando sobre fluorescência que cheguei à fosforescência. Aí, resolvi pintar o céu estrelado com fosforescência, para que cada paisagem tivesse o dia e a noite. Mas eu queria noites alegres, com o céu repleto de estrelas. E aí surgiram as constelações”. Portanto, todas as obras da exposição são constelações, que estão nos títulos das obras.
. Entre as 26 obras, Aída entregue para deleite do público não só pinturas, mas também objetos artísticos construídos a partir de pigmentos minerais e fragmentos de rochas do Quadrilátero Ferrífero. Ela afirma que essa exposição foi pensada para que cada obra guardasse um pedacinho de Minas Gerais dentro dela. Não é apenas pintura de uma paisagem. “É uma paisagem inventada com elementos minerais de uma paisagem real. Então, as telas são paisagens com céu estrelado. E os objetos artísticos são planetas e meteoros inventados com rochas de Minas Gerais. Rochas que seriam descartadas na construção civil e na mineração se transformaram em meteoros e planetas fosforescentes”.
. A arquitetura e a família
Formada em arquitetura, Aída começou a pintar nos anos 1990. Ela conta que a formação acadêmica aprimorou seu olhar, a ensinou a analisar formas, cores, texturas e composição visual. É com esse olhar técnico, ela ressalta, que faz o projeto de cada obra. “Minhas obras começam com um projeto de uma paisagem inventada, com uma análise rigorosa da composição formal e das cores”. Criações autorais, mas que tem como referência Henri Matisse, o pintor, desenhista, escultor e gravurista francês, considerado um dos artistas mais importantes e revolucionários do século XX. “É o artista que mais admiro e ele também analisava a composição formal e as cores”, afirma Aída.
. Apesar de pintar há décadas, Aída só entrou no mercado de arte aos 50 anos. Para ela, a prioridade sempre foi a família, com dedicação exclusiva à criação dos filhos. No entanto, durante todo esse período, ela estudou, pintou e aprimorou sua arte. “Nunca parei de pintar, mas sou extremamente perfeccionista e só agora senti que minhas obras estavam prontas para o público. E é uma alegria imensa poder expor no Museu Gerdau das Minas e do Metal, um museu que tem tudo a ver com meu trabalho”. Museu, aliás, que aproxima arte, ciência e território.
Serviço
Exposição: Paisagens Inventadas
Artista: Aída Fischer
Data: de 24 de setembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Local: MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal
Endereço: Praça da Liberdade, n.º 680, Prédio Rosa, Bairro Funcionários, em Belo Horizonte -MG
Contato artista: aidafischer.oficial@gmail.com e (31) 99520-9180 e @aidafischer.oficial
Contato Gerdau: @mmgerdau