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A exposição parte da chamada Trilogia do Corpo, formada pelos longas “Corpo Presente” e “O Que Pode o Corpo?” e pela série documental “Cartografias do Corpo”. “A exposição parte de uma pesquisa artística desenvolvida ao longo de vários anos sobre o corpo no mundo contemporâneo, suas diferentes camadas, transformações, disputas e possibilidades. A pesquisa observa o corpo como matéria biológica, construção subjetiva, território político e espaço de invenção”, explica Leonardo Barcelos, diretor artístico da exposição.
. Para levar a pesquisa cinematográfica ao espaço expositivo, “Polifonia da Presença” propõe que as imagens e os sons das produções sejam experimentados também por meio do deslocamento do visitante pelas galerias. “O objetivo é transformar essa pesquisa audiovisual em uma experiência corporal e sensorial. Mais do que transmitir conteúdos ou oferecer respostas fechadas, a exposição quer criar condições para que o público experimente essas questões por meio das imagens, dos sons, da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações”, afirma Leonardo.
. A mostra é organizada em quatro núcleos interligados: “A Origem”, “A Matéria”, “O Outro” e “A Voz”. Os ambientes apresentam diferentes configurações espaciais e propostas sensoriais, construindo um percurso contínuo pelas galerias. “Ao se misturarem aos nossos próprios corpos, as imagens operam uma fricção constante entre matéria, memória e alteridade. Organizada em quatro eixos que se contaminam continuamente, a exposição propõe uma travessia sensível, convidando a dissolver as certezas do olhar e a experimentar o corpo como um território de invenção”, comenta Eduardo de Jesus, responsável pelo texto curatorial.
. Em “A Origem”, uma projeção com imagens de “Corpo Presente” funciona como ponto de entrada para a exposição. Raízes atravessam paredes e chão e levam até um espelho d’água, acompanhado por projeções, luz e fumaça. O núcleo aborda temas como ancestralidade, transformação e ciclos da matéria.
. “A Matéria” relaciona o corpo às ideias de gestação, criação, cuidado e transformação. Projeções são exibidas sobre módulos circulares de tecido, enquanto uma cúpula de vidro, imagens e areia branca compõem o ambiente. O espaço também dialoga com uma performance de Ludmilla Ramalho que integra a programação de encerramento da mostra.
. Já “O Outro” é construído como um percurso labiríntico com espelhos, vidros, superfícies reflexivas, materiais translúcidos e projeções. Durante a passagem pelo espaço, a imagem do visitante se mistura à de outras pessoas, em uma proposta que aborda identidade, diferença e pertencimento.
. O último núcleo, “A Voz”, apresenta quatro telas com trechos da série inédita “Cartografias do Corpo”. Depoimentos, performances e fragmentos audiovisuais abordam temas como identidade, gênero, raça, ancestralidade, território, tecnologia, opressão e emancipação.
. Entre os nomes presentes estão Marina Abramovi%u0107, Ailton Krenak, Érica Hilton, Suely Rolnik, Zé Celso Martinez Corrêa, Ayrson Heráclito, Regina José Galindo, Carlos Martiel, Paulo Nazareth, Edgar Xakriabá, Zahy Guajajara, Jup do Bairro, Viktoria Modesta, ORLAN e Berna Reale.
. “As vozes não aparecem isoladamente: elas se cruzam e reverberam umas nas outras, formando a polifonia que dá nome à exposição”, destaca o diretor.
Produção audiovisual
A programação da exposição marca também a pré-estreia de “Cartografias do Corpo”, série documental criada e dirigida por Leonardo Barcelos. Com 13 episódios de 26 minutos, a produção foi gravada no Brasil e em cidades como Nova York, Berlim e Paris e reúne artistas, pesquisadores, pensadores e ativistas em torno das relações entre corpo, identidade, território, performance, tecnologia e política.
. A pré-estreia será realizada em 8 de outubro, às 18h, no Auditório do Centro Cultural UFMG, com a apresentação de dois episódios. Entre os participantes da série estão Zé Celso Martinez Corrêa, Marina Abramovi%u0107, Marco Paulo Rolla, Natacha Voliakovsky, Carlos Martiel, Paula Garcia, Suely Rolnik e Christine Mello.
. Após a sessão, das 19h às 21h, será realizado o debate “O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira”. A conversa terá mediação de Eduardo de Jesus e participação de Leonardo Barcelos; Carlos Mendonça, pesquisador e professor ligado aos estudos da performance; Hélio Lauar, psicanalista; e Ana Luisa Santos, artista, performer e pesquisadora.
. Programação paralela
Além das instalações, “Polifonia da Presença” terá sessões de cinema, debates e performance durante o período em cartaz.
. Em 24 de setembro, das 18h às 20h, será exibido “O Que Pode o Corpo?”, documentário de 73 minutos criado e dirigido por Leonardo Barcelos. Realizado em Minas Gerais em 2024, o filme investiga o corpo como expressão e espaço de debate público, relacionando performance, identidade, cultura e política. A sessão será seguida por uma conversa com o diretor.
. No dia 1º de outubro, também das 18h às 20h, será a vez de “Corpo Presente”. O documentário de 79 minutos, realizado em 2023, acompanha uma artista que investiga a própria corporeidade e seus encontros com performers e pensadores. Após a exibição, haverá debate com Barcelos e Ludmilla Ramalho.
. A série “Cartografias do Corpo” volta à programação em 14 de outubro, das 18h às 20h, quando serão apresentados dois ou três episódios.
O encerramento acontece em 23 de outubro, às 17h, com uma performance de Ludmilla Ramalho. A artista estabelece um diálogo entre registros de sua gravidez presentes em “Corpo Presente” e sua presença atual ao lado da filha, hoje com seis anos.
A partir da pergunta “quanto pesa um corpo que cuida?”, a intervenção aborda maternidade, exaustão, vínculo e interdependência. “Existe um encontro entre diferentes tempos do mesmo corpo: o corpo grávido registrado no passado; o corpo da artista no presente; e a presença da filha como continuidade daquela experiência. A intervenção faz com que a imagem registrada deixe de ser apenas documento e volte a se tornar uma experiência viva”, explica Leonardo Barcelos.