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Ópera "Chica da Silva" revisita trajetória da personagem histórica

Montagem inédita estreia nesta sexta-feira (19), no Palácio das Artes, e propõe uma nova leitura sobre a mulher por trás do mito

Da redação
Produção revisita a trajetória de uma das personagens mais conhecidas do período colonial brasileiro - Foto: Nelson Almeida/Divulgação
A história de Chica da Silva ganha uma nova leitura nos palcos de Belo Horizonte. A Fundação Clóvis Salgado (FCS) apresenta, nesta semana, a ópera inédita “Chica da Silva”, com récitas na sexta-feira (19), no domingo (21) e na terça-feira (23), no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. A produção revisita a trajetória de uma das personagens mais conhecidas do período colonial brasileiro, afastando-se das representações que a consolidaram no imaginário popular como uma mulher sedutora e hipersexualizada.

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A montagem integra um projeto que começou com “Chica em Diamantina”, apresentada no último sábado (12), na cidade onde a ex-escravizada viveu e alcançou uma posição de destaque social quando o município ainda era conhecido como Arraial do Tijuco. As duas óperas foram encomendadas pela FCS e têm música de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone.
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A soprano Marly Montoni interpreta Chica da Silva, enquanto o tenor Ewandro Stenzowski assume o papel de João Fernandes, contratador de diamantes que manteve com ela uma relação durante 17 anos. As produções contam ainda com a participação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia de Dança Palácio das Artes.
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Com direção musical e regência de André Brant, as montagens têm como proposta recuperar a figura histórica por trás do mito construído ao longo dos séculos. Chica da Silva já foi retratada em diferentes obras, entre elas “O Romanceiro da Inconfidência” (1953), de Cecília Meireles; o filme “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, protagonizado por Zezé Motta e Walmor Chagas; e a novela “Xica da Silva” (1996), de Walcyr Carrasco, com Taís Araújo no papel principal.
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As novas óperas se aproximam da perspectiva apresentada pela historiadora Júnia Ferreira Furtado no estudo “Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes – O Outro Lado do Mito” (2003), que procura separar os registros históricos das representações populares construídas em torno da personagem.
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“Bruxa, sedutora, heroína, rainha ou escrava: afinal, quem era Chica da Silva?”

Nascida entre 1731 e 1735 no Arraial do Milho Verde, atual Serro, Francisca da Silva de Oliveira era filha do militar português Antônio Caetano de Sá e de Maria da Costa, uma mulher escravizada. Na juventude, Chica foi vendida ao médico Manuel Pires Sardinha, com quem teve seu primeiro filho, Simão Pires Sardinha.
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Em 1753, foi comprada pelo desembargador João Fernandes de Oliveira, responsável pela extração de diamantes no Tijuco, e alforriada pouco depois. Embora não pudessem se casar oficialmente, os dois viveram juntos por 17 anos e tiveram 13 filhos, todos reconhecidos pelo pai e com seu sobrenome.
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João Fernandes retornou a Portugal em 1770 para receber a herança do pai e levou consigo alguns dos filhos homens. Chica permaneceu em Minas Gerais com uma grande fortuna e patrimônio, além de numerosos escravizados. A riqueza permitiu que investisse na educação dos filhos e inserisse suas filhas na elite local por meio de casamentos.
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Chica morreu em 15 de fevereiro de 1796 e foi enterrada no interior da Igreja de São Francisco de Assis, espaço então reservado a integrantes das camadas mais ricas e influentes da sociedade.

A trajetória, porém, também expõe contradições que as óperas pretendem abordar. Depois de nascer escravizada e conquistar a liberdade e uma posição social incomum para uma mulher negra no Brasil colonial, Chica tornou-se proprietária de escravizados. Segundo as informações apresentadas pela produção, chegou a possuir 104 pessoas escravizadas e não libertou nenhuma delas em seu testamento.
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É a partir dessas diferentes dimensões que “Chica da Silva” procura questionar as imagens consolidadas sobre a personagem e apresentar uma mulher inserida nas complexas relações raciais, econômicas e sociais do século 18.
Ópera “Chica da Silva”
Datas: 19 (sábado), 21 (segunda-feira) e 23 de setembro (quarta-feira)
Horários: 19h no sábado, 20h na segunda e na quarta 
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes 
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação  indicativa: Livre
Ingressos: R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada, à venda na plataforma Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento
 

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