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Com dança-teatro e jazz, peça discute violência contra a mulher

Espetáculo da Cia. Entre Nós encerra temporada com apresentações nos dias 23, 24 e 26 de outubro; montagem combina dança-teatro e música ao vivo

Da redação
Produção explora diferentes manifestações da violência de gênero, desde comportamentos abusivos mais sutis até agressões explícitas - Foto: Leandro Alves/Divulgação
O espetáculo "NÓS ou NINGUÉM PODIA OUVIR OS OLHOS DELA", da Cia. Entre Nós (SP), terá suas últimas apresentações gratuitas no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) nesta sexta-feira (23), sábado (24) e segunda (26). A montagem aborda a violência contra a mulher por meio da dança-teatro e da música ao vivo.

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Livremente inspirada em histórias reais, a produção explora diferentes manifestações da violência de gênero, desde comportamentos abusivos mais sutis até agressões explícitas. Entre as referências estão a cantora Eliane de Grammont, assassinada pelo ex-marido durante uma apresentação em 1981, e a artista Nina Simone, que sofreu abusos físicos e psicológicos do marido e empresário.
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Com atuação de Daniela Rosa e Rafael Bougleux, direção de Fernando Gimenes e trilha sonora executada ao vivo por Renata Prado e Wendel Dima, a peça acompanha um casal que, ao som do jazz, vivencia um processo artístico de investigação sobre a violência e o feminicídio. A montagem utiliza os movimentos corporais e a música para explorar os limites das relações amorosas e provocar reflexões sobre o machismo estrutural.
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Segundo Daniela Rosa, atriz, fundadora da Cia. Entre Nós e idealizadora do espetáculo, a criação da obra surgiu da necessidade de transformar experiências e relatos de violência em expressão artística.
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“Da minha própria vivência como mulher e artista, cercada por marcas, travessias de abusos e violências ao redor que atravessam a vida de tantas de nós. Eu sentia a necessidade de usar o corpo e a dança-teatro não apenas como expressão estética, mas como uma ferramenta política e pessoal. Ao lado de Fernando Gimenes e Rafael Bougleux, buscamos transformar essa memória vivida e presenciada em uma narrativa poética e contundente — que denunciasse o abuso, fizesse o público refletir criticamente sobre o machismo estrutural”, conta.
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A montagem estreou em 2015 e permanece no repertório da companhia. Para Daniela, a continuidade das apresentações está relacionada à permanência da violência de gênero na sociedade brasileira.
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“A permanência da obra no repertório (da companhia) carrega um sentimento agridoce. Por um lado, escancara que a pauta continua tragicamente urgente, por outro, mostra a força da dança-teatro como poderoso instrumento de denúncia para transformar realidades. Acessamos o público de uma forma que os números e as estatísticas talvez não consigam: pela empatia, o afeto e a subjetividade da cena. O palco vira um alto-falante para denunciar o que muitas vezes é empurrado para debaixo do tapete”, afirma.
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Dança-teatro e música ao vivo

Em cena, os movimentos dos atores são utilizados como parte central da narrativa, sem uma separação rígida entre dança e teatro. De acordo com o diretor Fernando Gimenes, a linguagem corporal permite expressar aspectos das relações que nem sempre são revelados pelas palavras. “O corpo vem antes, sempre. Ele denuncia o espírito. Ele denuncia a realidade mesmo que a palavra tente confundir ou organizar o discurso verbal. Um olhar é corpo transbordante. Neste trabalho, não nos preocupamos em diferenciar a dança do teatro. Não acredito nesses limites, preferimos borrá-los ao máximo possível”, comenta Fernando Gimenes.
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Além das histórias reais, a montagem reúne referências de obras da escritora Dione Carlos, da performer Suzanne Lacy e da fotógrafa Nan Goldin. A proposta é envolver o público na narrativa, colocando os espectadores na posição de testemunhas das situações apresentadas. “A relação com quem assiste é direta, poética e profunda: o público não é mero espectador. Sentimos em cena um incômodo palpável no ar, um silêncio denso que, por vezes, se torna insuportável ali permanecer. Percebemos que a plateia reconhece no palco as violências do cotidiano — das mais sutis e veladas às mais explícitas. É frequente ver pessoas profundamente emocionadas, mulheres que se identificam com o que veem e homens constrangidos ou deslocados de sua zona de conforto. A obra funciona como um espelho e um espaço seguro de escuta por onde passamos, provocando essa tomada de consciência que o ato de testemunhar juntos artisticamente consegue gerar”, comenta Daniela Rosa.
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Serviço 
Espetáculo "NÓS ou NINGUÉM PODIA OUVIR OS OLHOS DELA” 
Até 26 de outubro, sexta a segunda-feira, às 19h 
Local: CCBB BH – Teatro II
Por causa das eleições, a sessão do dia 25/10 será transferida para o dia 24/10, às 15h
Classificação indicativa: 16 anos | Duração: 60 minutos
Ingressos gratuitos para o espetáculo com retirada no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria
 

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