Revista Encontro

Riscos

Pelo 3º ano consecutivo, Brasil registra mais de 2 mil acidentes elétricos

Levantamento aponta 2.322 ocorrências e 725 mortes em 2025; maioria dos casos está ligada a situações cotidianas que poderiam ser evitadas

Da redação
Em Minas Gerais, 52 ocorrências e 34 mortes relacionadas a choques elétrico foram registradas no ano passado - Foto: Cemig/Divulgação
O Brasil ultrapassou, pelo terceiro ano consecutivo, a marca de 2 mil acidentes de origem elétrica, segundo o Anuário de Acidentes de Origem Elétrica 2026 – ano base 2025, divulgado pela Abracopel. Ao todo, foram registradas 2.322 ocorrências no último ano — mais que o dobro das 1.038 contabilizadas em 2013, início da série histórica.
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No mesmo período, o número de mortes também aumentou, passando de 631 para 725. Os dados reforçam o alerta para riscos associados a situações cotidianas, como intervenções próximas à rede elétrica, atividades da construção civil e uso inadequado de instalações.
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Os incêndios de origem elétrica lideram em número de registros, com 1.304 casos e 60 mortes. Já os choques elétricos apresentam o cenário mais crítico, com taxa de letalidade próxima de 70%, somando 646 mortes em 917 ocorrências.
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Em Minas Gerais, o levantamento aponta 52 ocorrências e 34 mortes relacionadas a choques elétricos. Apesar de apresentar a menor taxa de letalidade da região Sudeste, com 65%, os números indicam a necessidade de ampliar ações de orientação e prevenção.
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Para o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, os dados mostram que ainda há desafios na conscientização da população. “O número de acidentes elétricos no país ainda é elevado e muitos deles poderiam ser evitados com atitudes simples no dia a dia. Por isso, é fundamental avançarmos na construção de uma cultura de uso seguro da energia elétrica, baseada em informação, prevenção e respeito às orientações técnicas”, afirma.
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Apesar dos avanços no setor elétrico, a maior parte das ocorrências segue associada a comportamentos de risco evitáveis. Entre as situações mais comuns estão intervenções próximas à rede, uso de instalações improvisadas e manuseio inadequado de equipamentos.
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Atividades da construção civil, podas de árvores sem orientação técnica, instalação de antenas e ligações irregulares também estão entre os principais fatores de risco. Essas práticas aumentam a probabilidade de choques elétricos e incêndios, além de colocar em risco trabalhadores e pessoas ao redor.
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Segundo José Firmo, a informação é uma das principais ferramentas para reduzir os índices. “Grande parte dos acidentes elétricos ocorre em situações que poderiam ser evitadas com mais atenção e orientação. Por isso, reforçamos a importância de que qualquer intervenção próxima à rede elétrica seja realizada por profissionais qualificados e com o devido cuidado”, diz.
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Ele também destaca medidas simples de prevenção, como manter distância da rede elétrica, evitar o uso de fios improvisados, não manusear equipamentos em condições inadequadas e não realizar ligações clandestinas. “A energia elétrica é essencial para o dia a dia, mas exige respeito. Construir uma cultura de uso seguro é um esforço coletivo que passa pela conscientização de toda a sociedade”, completa.
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Como parte das ações para reduzir acidentes, a Cemig firmou um Acordo de Cooperação Técnica com o CREA-MG. Com vigência de 60 meses, a iniciativa prevê troca de informações, capacitação técnica, operações conjuntas e ações educativas voltadas à prevenção de acidentes em obras realizadas próximas à rede elétrica.

A proposta é criar um modelo integrado de prevenção, combinando a identificação de riscos com a ampliação da fiscalização orientativa no estado.

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