Professor do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Estácio BH, Bruno Rafael Rodrigues destaca que, durante grandes eventos com alta circulação de pessoas, cresce a incidência de fraudes envolvendo cartões, compras on-line, inteligência artificial e roubo de celulares. Segundo ele, a atenção dos foliões deve ser redobrada para evitar prejuízos financeiros e vazamento de dados pessoais.
. Entre os golpes mais recorrentes, o especialista aponta a clonagem e a troca de cartões de crédito e débito. “1. Estes golpes são cada vez mais frequentes. Nesse tipo de fraude, criminosos utilizam maquininhas adulteradas para capturar os dados do cartão ou realizam a troca do cartão da vítima por outro semelhante antes de devolvê-lo.Como forma de prevenção, dê preferência a pagamentos por aproximação (contactless) ou pelo NFC do celular, pois essas tecnologias reduzem o risco de clonagem. Pagamentos via Pix também exigem atenção: confira cuidadosamente os dados do destinatário antes de confirmar a transferência e, ao receber um Pix, verifique se o valor realmente foi creditado”, ensina.
. Outra prática comum no período envolve fraudes em compras on-line, especialmente relacionadas à aquisição de ingressos, abadás e produtos temáticos. “Durante o Carnaval, é comum a compra de ingressos para eventos, abadás e outros produtos pela internet. No entanto, nem tudo o que aparece on-line é confiável. Sempre verifique a procedência do site e o link utilizado para a compra. Cada detalhe do endereço eletrônico faz diferença. Criminosos utilizam técnicas de phishing, criando sites muito parecidos com páginas legítimas de lojas e plataformas de venda, para enganar as vítimas e capturar dados pessoais e financeiros. Antes de clicar em qualquer link, observe atentamente o endereço do site e desconfie de promoções com preços muito abaixo do normal”, descreve.
. O avanço da inteligência artificial também ampliou o leque de golpes aplicados no ambiente digital. De acordo com Rodrigues, o uso de deepfakes tem sido cada vez mais frequente para induzir compras ou divulgar eventos falsos. “Outra forma de induzir compras e enganar as pessoas é pelo uso de deepfake, tecnologia que utiliza inteligência artificial para criar vídeos ou imagens falsas, geralmente com pessoas famosas ou de renome, promovendo produtos ou eventos inexistentes. Os criminosos podem se passar por artistas, influenciadores ou produtores conhecidos para divulgar falsas promoções e eventos. Como a tecnologia tem permitido a criação de conteúdos cada vez mais realistas, é fundamental verificar a procedência da informação antes de qualquer ação. Desconfie de ofertas milagrosas — como diz o ditado: ‘quando a esmola é demais, o santo desconfia’”, informa.
. Além das fraudes virtuais, o professor chama atenção para o aumento de roubos e furtos de celulares durante a folia. Segundo ele, a perda do aparelho pode facilitar o acesso indevido a dados pessoais e financeiros. “Durante as festas de Carnaval, os roubos e furtos de celulares costumam aumentar. Por isso, redobre os cuidados com o seu aparelho. Em caso de perda, furto ou roubo, registre um boletim de ocorrência e altere imediatamente as senhas de todos os aplicativos, especialmente os de bancos e redes sociais. Mesmo com a tela bloqueada, criminosos podem tentar acessar seus dados, realizar transações financeiras ou se passar por você para pedir dinheiro a amigos e familiares. Também é importante notificar sua operadora de telefonia e seus bancos o quanto antes”, orienta.
. Como medida preventiva, Rodrigues recomenda o cadastro do aparelho no programa Celular Seguro, iniciativa que permite o bloqueio do dispositivo em caso de roubo. “Antes de cair na folia, cadastre seu aparelho no programa Celular Seguro — e incentive amigos e familiares a fazerem o mesmo. Em caso de roubo, o celular pode ser bloqueado, dificultando o uso indevido dos seus dados. Atenção: não faça testes com o bloqueio, pois o desbloqueio pode não ser possível posteriormente”, finaliza Bruno Rafael Rodrigues, que também é doutor e mestre em Sistemas de Informação, especialista em engenharia de software e Inteligência Artificial.